Cleberton Santos (14/05/1979, Propriá/SE) é poeta e professor do IFBA campus Santo Amaro. Mestre em Literatura e Diversidade Cultural pela UEFS. Publicou os livros “Ópera urbana” (2000), “Lucidez silenciosa” ( 2005) “Cantares de roda” (2011), “Aromas de fêmea” (2013), "Estante Viva” (2013 ) e "Travessia de abismos" (2015). Vencedor do Prêmio Escritor Universitário Alceu Amoroso Lima da Academia Brasileira de Letras (2002). Este blog é dedicado à divulgação da Literatura e outras Artes.
domingo, 31 de agosto de 2008
CANÇÃO DA AMIGA
(para flauta doce)
Em teus lábios, amiga,
repousam sonhos disfarçados de euforia.
Em teus olhos, amiga,
naufragam poemas rupestres de dores oníricas.
Em teu corpo, amiga,
florescem lírios roxos em mar de volúpia.
Cleberton Santos
*Poema publicado no Jornal Tribuna Feirense, caderno Tribuna Cultural, 25/01/2004.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Lançamento de CD de JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELLO
Por Helena Ortiz
LANÇAMENTO - José Inácio Vieira de Melo lança poemas em CD para festejar seus 40 anos de idade.O poeta nasceu no povoado alagoano Olho d'Água do Pai Mané e veio para a Bahia aos 20 anos, em 1988.
Ao completar 40 anos e festejá-los com a edição do cd "A casa dos meus quarenta anos", José Inácio Vieira de Melo pode olhar para trás (e nós também olhamos) e ver que tem uma carreira construída.Tão jovem ainda, apenas 40 anos, muito pouco para se mensurar a carreira de um poeta. Talvez seja uma temeridade fazê-lo, uma vez que muitos estréiam, publicam poemas em uma ou outra antologia, mas, porque o público escasseia ou porque perdem o ímpeto, vão fazer outra coisa. Não é o caso de JIVM, porque ele não escolheu ser poeta. Foi escolhido pelo anjo torto, talvez num sopro de vento mais forte, talvez com a primeira flor de algorobeira, quando se viu diferente dos outros. Surpreendeu-se, talvez, quando menino, algumas vezes não entendeu, por muito jovem, até que o tempo ensinou-o a decifrar alguns enigmas e ele aceitou a missão de menestrel contemporâneo.NA BOCA DA NOITE - Desde seu livro de estréia, Códigos do Silêncio, em 2000, José Inácio não parou mais. Seria excessivo que eu escrevesse sobre a sua poesia e os livros que vieram depois, Decifração de abismos e A terceira romaria, até A infância do Centauro, porque sobre ela (e eles) já escreveram nomes honrados e prestigiados do nosso pródigo cenário literário: Astrid Cabral, Marco Lucchesi, Francisco Carvalho, Lêdo Ivo, Izacyl Guimarães Ferreira, Igor Fagundes e seu admirado Gerardo Mello Mourão, hoje em outras paragens e sobre quem versa a tese de mestrado de José Inácio. Ao lado de tais nomes, o meu apareceria apagado, por poucos saberes acadêmicos. Mas há uma face que posso destacar, que me interessa muito, e me reporta a Lucchesi quando fala em "atitude de poeta". Falo do José Inácio ativista, coisa mais rara no ofício.Uma outra força lhe foi legada: a capacidade de inventar oportunidades. E trabalha com isso na área mais difícil das artes. É o que se chama hoje de agitador cultural, aquele que idealiza, aglutina, organiza, sai a campo e realiza.Durante quatro anos JIVM esteve à frente do Poesia na Boca da Noite, no restaurante Grande Sertão, em Salvador. Isso significa dizer que convidou, agendou (a agenda era feita no início do ano) fez contatos, juntou material, entrevistou e divulgou uma quantidade de poetas, fazendo com que aparecessem, conhecessem seus pares e tivessem espaço para mostrar o próprio trabalho; editou, junto com Aleiton Fonseca e Carlos Ribeiro cinco números da revista Iararana, além de organizar o concurso de poesia da revista; selecionou, organizou e editou a antologia Concerto lírico a quinze vozes, capa de Almandrade, novamente abrindo espaço para os novos poetas, um belo trabalho a que dedicamos as páginas centrais do panorama, com texto que tive o prazer de assinar.Quando vi a revista pela primeira vez, e as outras, ou quando recebi a antologia era sempre uma alegria e eu pensava: José Inácio estava ali, organizando o movimento, segurando a bandeira dos predestinados, engolindo sapos e ouvindo mais não do que sim. Mas José Inácio é mais sim do que não, e quando menos se esperava, ali estava o trabalho concluído.Em época de Olimpíadas, não seria ele uma das nossas maiores vitórias? Algum dia daremos a necessária atenção à mens sana, ou pelo menos a igual atenção que se dá ao corpore sano?José Inácio esteve muitas vezes nas páginas do panorama: por ocasião dos lançamentos dos seus livros, porque foi finalista do Concurso Astrid Cabral, porque realizava. Sobre ele escreveram no jornal Marcus Vinicius, Mayrant Gallo, Ronaldo Correia de Brito, Hélio Pólvora e Izacyl Guimarães Ferreira. Também esteve no Rio para a comemoração dos seis anos do panorama – uma festa da escrita que terminava para dar vez ao jornal virtual – uma pena!No período, muitas coisas aconteceram, boas e más, como são as coisas.Amigos que se distanciaram, outros que se aproximaram, a chegada de mais um filho, a correria da vida, de carro ou a galope, sempre a poesia pulsando.O centauro deixa a infância. José Inácio, aos 40 anos, voa. E lê, continua lendo, recitando ou cantando, graças a uma prodigiosa memória, os poetas de sua vida. Os poetas de todas as vidas, que só existem se os poetas de hoje não deixarem de cantá-los.
DIVULGADOR DE POESIA - Eu diria que por seu temperamento, José Inácio está mais para Castro Alves do que para Jorge de Lima, mas bem que podiam ser seus os versos: "um cavalo todo feito em chamas / alastrado de insânias esbraseadas / pelas tardes sem tempo ele surgiu / e lia a mesma página que eu lia".Por tudo isso podem comemorar todos aqueles que sabem o quanto é importante (e difícil) dar a conhecer, sem parar, a produção poética brasileira, a despeito dos que dizem que não se produz nada de novo no Brasil. A cultura é feita pela mediania, e não nos é dado decidir hoje quem será importante amanhã. É temeroso fazê-lo. Muitas promessas se tornaram cinzas e alguns nomes, aparentemente apagados, fizeram-se grandes com o tempo.O artista é o profeta do seu tempo e só o futuro lhe fará justiça. O que é preciso, hoje, é trabalhar, e disso, José Inácio é exemplo.Helena Ortiz é poeta, contista e editora do jornal Panorama da Palavra e da Editora da Palavra. Publicou os livros Em par (2001) e Sol sobre o dilúvio (2005), entre outros.
Resenha publicada no A Tarde Cultural, em Salvador, Bahia, em 23 de agosto de 2008
Lançamento do cd de poemas "A casa dos meus quarenta anos", de José Inácio Vieira de Melo
LDM Livraria Multicampi, Rua Direita da Piedade, Salvador - BA
13 de setembro de 2008 (sábado), das 10 às 14 horas
Retirado de http://www.jivmcavaleirodefogo.blogspot.com/
domingo, 24 de agosto de 2008
MOSTRA DE FOTOGRAFIA NO MAC
Onde: Museu de Arte Contemporânea – Feira de Santana.
Quando: 28 de agosto de 2008, às 20:00 horas
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
REVISTA POESIA SEMPRE - FBN
INFÂNCIA
No umbigo do mundo
escondi meu cavalo de barro.
No umbigo do mundo
escondi minha bola de gude.
No umbigo do mundo
a criança escondida
brinca de se esconder
do outro lado das coisas
vestindo palavras espumas.
CALÇADA RIBEIRINHA
Queria sentar nesta calçada antiga
repousar meus gritos e teoremas
jogar castanhas no buraco d’água.
Queria sentar nesta calçada antiga
sem a pressa dos vendavais urbanos
contar estrelas em esteiras amarelas.
Queria sentar nesta calçada antiga
sem a poesia que me atormenta
sentir a lua fria sobre as pernas.
Queria sentar nesta calçada antiga
e ver surgir do batente liso
a velha sombra da manhã vivida.
CANTO
A vida avança neste rio sem norte
e a sorte busca cada canto escuro
para dar morte a todo pássaro
que canta seu canto de esperança e medo.
A vida avança sem norte neste rio
e o canto escuro dos dementes
a todo pássaro cativo liberta
da morte do canto medroso e doente.
Poemas publicados na Revista Poesia Sempre, Nº 27, Ano 14. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 2007. p. 151-153, ISSN 0104-0626
Revista Poesia Sempre
Fundação Biblioteca Nacional
Av. Rio Branco, 219, 5º andar, Centro.
Rio de Janeiro - RJ
20040-008
e-mail: poesiasempre@bn.br
terça-feira, 12 de agosto de 2008
O ESCRITOR CARLOS RIBEIRO
Visite o site de Carlos Ribeiro
www.carlosribeiroescritor.com.br
LANÇAMENTOS ESPECIAIS:
CAPITU MANDOU FLORES / PORTAL SOLARIS
Rinaldo de Fernandes organiza coletânea Capitu mandou flores: contos para Machado de Assis nos cem anos de sua morte, lançada pela Geração Editorial; Nelson de Oliveira a revista Portal Solaris, marco da ficção científica e do fantástico no Brasil. Vejam informações sobre ambas as publicações na seção Livros publicados
RESENHA A biografia Rubem Braga: um cigano fazendeiro do ar, de Marco Antonio de Carvalho, revela aspectos pouco conhecidos da vida do mais importante cronista brasileiro. Em Jornalismo literário
CRÔNICAS & ARTIGOS
Sagrado com rosto humano, sobre conferência do filósofo Luc Ferry; Gloriosa chatice, uma crítica à crítica feita ao cineasta Glauber Rocha, bem como à sua exaltada defesa; Esses nossos mitos dourados, uma opinião sintética sobre o Cinema Novo e o Maio de 68. Em Contos & crônicas
Desafios para um jornalismo mais humano: editorial publicado no jornal Reverso, do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia Em Especial.
ENTREVISTA
Suzana Varjão faz, em Micropoderes, macroviolências, uma análise densa do que denomina de bolhas e vãos: o espaço dos dominantes e dos dominados nos jornais, e alerta especialmente aqueles que escrevem ou lêem jornais diários acerca da potencialidade da palavra impressa e sua responsabilidade na produção da ordem ou da desordem social. Em Especial / Entrevistas
CONTO "O CAMINHO DOS ANCESTRAIS", DE NUNO GONÇALVES Carlos Ribeiro recomenda - Nota 10,5
ANTONIO TORRES COMENTA O ROMANCE LUNARIS Fortuna crítica
NOVOS TRECHOS E CAPÍTULOS DE LIVROS DO AUTOR Livros publicados
ACADEMIA DE LETRAS DA BAHIA ABRE INSCRIÇÕES PARA O PRÊMIO NACIONAL BRASKEM / CONTO 2008. A PREMIAÇÃO É DE 15 MIL REAIS E PUBLICAÇÃO POR UMA EDITORA DE PROJEÇÃO NACIONAL. VEJA REGULAMENTO NO SITE DA ACADEMIA
www.academiadeletrasdabahia.org.br
RECÔNCAVOS REVISTA ACADÊMICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA FAZ CHAMADO PARA PUBLICAÇÃO DE ARTIGOS, ENSAIOS E RESENHAS. O NÚMERO 2 TRARÁ DOSSIÊ SOBRE OS 40 ANOS DO MAIO DE 68. MAIS INFORMAÇÕES NO SITE DA REVISTA www.reconcavos.ufrb.edu.br
Revisão, leitura de originais, produção de textos e atividades editoriais em geralcarlos@carlosribeiroescritor.com.br
MANUAL DE SEMÂNTICA
Editora: Vozes
Autor: Luciano Amaral Oliveira
184 páginas
Peso: 266 gramas
1ª edição
Assunto: Letras e literatura
Preço: R$ 30,00
Manual de Semântica traz para os leitores informações, provocações e reflexões acerca dos estudos do significado. Diferentes concepções teóricas são abordadas aqui, como, por exemplo, a Semântica Histórica, a Semântica Formal, a Semântica Cognitiva, a Semântica Estruturalista e a relação entre Semântica, Filosofia e Lingüística. A abordagem pragmática dos fenômenos semânticos não poderia deixar de ocupar uma grande parte deste livro, que também trata da semântica na prática docente e do status teórico do significado literal no processo de interpretação textual.
CURSO CASTRO ALVES - ALB
CURSO CASTRO ALVES 2008
III COLÓQUIO DE LITERATURA BAIANA
24 a 26 de setembro, das 14h30 às 19h30 - na ALB, em Salvador - Bahia
PROGRAMA
24/09 - quarta-feira
17h00 - O caráter dramático e coreográfico da poesia de Castro Alves
Alexei Bueno (poeta e ensaísta)
25/09 - quinta-feira
14h30 - Sessões de Comunicações de Literatura Baiana 1, 2 e 3
17h00- As imagens oníricas da violência no poema "O navio negreiro" de Castro Alves
Artur Bispo dos Santos Neto (UFAL)
26/09 - sexta-feira
14h30 - Sessões de Comunicações de Literatura Baiana 4, 5 e 6
17h00 - Leitores de Castro Alves: depoimentos, leitura e comentários de poemas
Edivaldo M. Boaventura (ALB)
Consuelo Pondé de Sena (ALB)
João Eurico Matta (ALB)
18h30 - Lançamento do livro "O olhar de Castro Alves - ensaios críticos de literatura baiana"
(reunião de 51 trabalhos apresentados em 2006 e 2007)FICHA DE INSCRIÇÃO (Período: 15/08 a 05/09)
Obs: Enviar a ficha e aguardar a Carta de Aceite, para daí pagar a taxa de inscrição.
Nome completo: ____________________________________________( ) Professor ( ) Outra profissão:____________________ ( ) Escritor( ) Estudante de Pós-Graduação em: ______________________________________( ) Estudante de Graduação em: __________________________________________
( ) Estudante Ensino MédioEndereço: Rua/Av.: ____________________________________________________Complemento: ____________________ Cidade:_________________ Estado:_______
Cep: Tel: Fax:
E-mail:
Instituição a que pertence: ___________________________________________________
Forma e taxa de Inscrição:( ) Estudante/graduação (ouvinte) - valor R$ 5,00( ) Estudante/graduaçãoc/Apres. de Comunicação (só de Iniciação Científica, com indicação de orientador) - valor R$ 15,00( ) Profissional/pós-graduando/outro (ouvinte) - valor R$ 20,00( ) Profissional/pós-graduando/outro (c/ Apresentação de Comunicação) - valor R$ 40,00Titulo da Comunicação:________________________________________________________________________
Obs: As comunicações devem ser sobre questões, temas, autores, obras da literatura baiana.
Serão fornecidos certificados de apres. de comunicação e/ou de ouvinte carga horária de 15h
Os trabalhos apresentados poderão ser selecionados e reunidos em livro em 2009.
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
ÂNIMA TRIO
AGENDA CIDADE DA CULTURA
DIA 14/08 ASA FILHO E CONVIDADOS 19h.
DIA 15/08 ÂNIMA TRIO - ACÚSTICO 21h.
DIA 16/08 ASA FILHO E CONVIDADOS 19h.
QUEM É ÂNIMA TRIO -Ânima Trio é um projeto artístico que já nasce amparado numa sólida amizade entre seus integrantes:Flaviano Gallo (Bateria e Vocal); Sérgio Canhoto (Contrabaixo) e Tito Gonçalves (Teclados e Vocal).Juntos, esses três músicos de Feira de Santana decidem encarar um repertório sofisticado, voltado a diversas tendências e com um princípio fundamental: "música de dentro pra fora"
VEJA: WWW.FOTOLOG.COM/CIDADEDACULTURA
LEVE COM VOCE O CD ASA FILHO E O REISADO DE SÃO VICENTE
UMA ANTOLOGIA MUSICAL
sábado, 9 de agosto de 2008
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
CASA DAS MUSAS - BRASÍLIA
http://www.casadasmusas.org.br/default.htm
quinta-feira, 31 de julho de 2008
PRÊMIO CAMÕES 2008
Plantão Publicada em 26/07/2008 às 16h05mO Globo Online e O Globo
RIO - O escritor brasileiro João Ubaldo Ribeiro ganhou, este sábado, o Prêmio Camões 2008, o mais importante reconhecimento a autores da língua portuguesa, criado pelos governos do Brasil e de Portugal em 1988. Ele é o oitavo brasileiro a ganhar o prêmio que, nesta 20ª edição, premia o eleito pelo conjunto da obra com 100 mil euros.
Ubaldo, de 67 anos, é autor de, entre outros livros, "Viva o povo brasileiro", "Sargento Getúlio" e "O sorriso do lagarto", que virou minissérie da TV Globo. Ele também é colunista do jornal O Globo aos domingos.
Seu amigo Eduardo Portela, membro da Academia Brasileira de Letras, deixou um recado na secretária eletrônica e, desde então, Ubaldo não tem parado de receber ligações. O escritor afirmou estar feliz com a premiação, mas chateado com a falta de tempo para escrever seu novo romance:
- O prêmio integra a literatura de língua portuguesa. Ele é o reconhecimento do meu papel nessa literatura - disse.
João Ubaldo escreve atualmente para o programa "Faça a sua história", apresentado após o "Fantástico" nas noites de domingo, na TV Globo.
- Também estou tentando escrever um romance, mas, devido a todas as interrupções, fica difícil - conta ele, que também revisa e atualiza seu livro "Política", a ser relançado mês que vem.
Os outros brasileiros que receberam o mesmo prêmio foram: João Cabral de Melo Neto (1990), Rachel de Queiroz (1993), Jorge Amado (1994), Antônio Cândido de Mello e Sousa (1998), Autran Dourado (2000), Rubem Fonseca (2003) e Lygia Fagundes Telles (2005).
O Prêmio Camões do ano passado foi entregue nesta sexta-feira para o escritor português Antonio Lobo Antunes, em uma cerimônia que teve a presença do presidente do Brasil. Na ocasião, Lula destacou a importância do prêmio por "fortalecer as manifestações literárias da rica e diversificada cultura dos países de língua portuguesa".
Este ano, o júri foi formado pela professora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Maria de Fátima Marinho, o escritor brasileiro Marco Lucchesi e o poeta e jornalista angolano João Meio.
domingo, 8 de junho de 2008
MEL DE ABELHA
Produto 100% Natural
Mel puro, original, bem cuidado e de ótimo sabor!
APIÁRIO RECANTO VERDE
Sítio Recanto Verde
Salinas da Margarida – BA
Responsável Técnico: Apicultor Damião de Oliveira Lima
Contatos:
(71) 99061291
(75) 9117-6433
(75) 9116-8271
LIVRO DE MOEMA PARENTE AUGEL

O Departamento de Letras e Artes (UEFS) convida a comunidade para a palestra e o lançamento do livro O DESAFIO DO ESCOMBRO: NAÇÃO, IDENTIDADES E PÓS-COLONIALISMO NA LITERATURA DA GUINÉ-BISSAU, da Professora e Pesquisadora MOEMA PARENTE AUGEL (UNIVERSIDADE DE BIELEFELD, ALEMANHA).
HORÁRIO: 14:00 H
LOCAL: AUDITÓRIO MÓDULO I (UEFS)
ANTÔNIO TORRES NA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS
Vale dizer que, apesar da merecida notoriedade, ele sempre demonstrou generosidade com aqueles que se iniciam na lide literária, fazendo questão de manter um diálogo franco, aberto e horizontal com os jovens autores. Sou uma prova disso: quando lancei meu Memória dos barcos, foi Torres quem assinou a orelha do livro, recomendando a leitura e subscrevendo a 'qualidade' dos contos.
Por tudo isso (e muito mais), registro desde já meu apoio à sua candidatura.
MARCELO MOUTINHO
http://www.marcelomoutinho.com.br/blog/2008/06/torres_na_abl.php
LANÇAMENTO DE MOEMA PARENTE AUGEL
DATA: 11 DE JUNHO (QUARTA-FEIRA)
domingo, 25 de maio de 2008
RESTAURANTE CASA DO SERTÃO
Boa comida regional, ambiente agradável, espaço cultural diversificado, excelente atendimento! Vale a pena conferir!
Localização: Avenida Sto. Antônio, 122, Capuchinhos - Feira de Santana (BA)
Coordenação: Getúlio Andrade
BONS FILMES!
A casa dos espíritos
A cela
A conquista
A cor púrpura
A ilha
A lista de Shingler
A paixão de Cristo
A queda de Hitler
A última Ceia
A última missão
A vida é bela
Amadeus
Amistad
As horas
As pontes de Madson
Baile perfumado
Ben Hur
Bicho de sete cabeças
Bossa nova
Carandiru
Cazuza
Cidade de Deus
Código Da Vinci
Dália negra
Dança com lobos
Deus e o diabo na Terra do Sol
Diamante de sangue
Doutor Jivago
Forestgan
Frida Kalo
Gladiador
He man
Homens de hora
Inferno na torre
Lendas da paixão
Lutero
Mala educacion
Mar aberto
Mar adentro
Memórias póstumas
Menina de ouro
Meu nome é rádio
Meu nome não Jonhy
Minha amada imortal
Minority
Missão
O auto da compadecida
O beijo da mulher aranha
O carteiro e o poeta
O jardineiro fiel
O náufrago
O nome da rosa
O óleo de Lorenzo
O paciente inglês
O pianista
O quarto da culpa
O resgate do soldado Bryan
O sorriso da monalisa
O terminal
O último rei da Escócia
O último samuray
O último tango em Paris
O xangô de Bake Street
Os intocáveis
Paraíba masculina
Pearl Harbor
Perfume
Perfume de melher
Piano
Poderoso chefão
Pride
Primo Basílio
Quase deuses
Saneamento básico
Sarafina
Sobre meninos e lobos
Sociedade dos poetas mortos
Sylvia
Terra em transe
Todo sobre mi madre
Trezentos
Tróia
ANTOLOGIA DE FKANLIN MAXADO
Gostaria de convidá-los para o lançamento da Antologia de Cordel, publicada pela editora paulista HEDRA e a abertura da Exposição de Xilogravuras de FRANKLIN MAXADO.
Será dia l2 de junho (quinta-feira), às 20 horas, no Centro de Cultura Amélio Amorim, Feira de Santana, Bahia.
quarta-feira, 14 de maio de 2008
LITA PASSOS E AS FLORES DE FOGO
A comunidade Maracaense e cidades vizinhas receberam-me com uma linda festa, em chamas, um público contagiante. As flores de Maracás abriram-se e acenderam suas luzes iluminando mais uma noite de PROSA SOBRE VERSOS na qual abelhinha crianças, jovens estudantes, e adultos incendiados da poesia de FLORES DE FOGO derramaram mel em canções, e cantou-me em versos e prosas, com encanto, beleza e, força de expressão. A celebração foi preparada para uma rainha, assim é que os maracaenses fizeram-me sentir. Festa solene, fina, elegante, com um nível de organização e qualidade para ser vista em Paris ou qualquer espaço nobre das artes, por isso Maracás está de parabéns. O prefeito, a Secretaria de Educação e Cultura, o coordenador e idealizador do projeto, diretor cultural, professor e poeta Edmar Vieira, que vem junto com sua equipe realizando com grande esforço, dedicação, e, sobretudo com amor, a construção da memória cultural do município. Como disse o poeta Cleberton Santos, em sua passagem por Maracás “tomara que outros muitos administradores públicos (políticos ou não) percebam que a poesia é um dos caminhos que poderá levar à reconstrução de uma HUMANIDADE mais Humana”. Toda a equipe envolvida merece aplausos, reconhecimento e, mais visibilidade do Estado. Jorge Morbeck abriu o evento nos presenteando com sua bela voz e violão. O merecimento de ser cantada por dois grupos: GRUPO CONCRIZ – coordenado pelo poeta e professor Vitor Nascimento Sá, e a TURMA DO AGITO, esta, teve a sua estréia naquela noite, coordenada por Lorena, membro da equipe de cultura e esportes do município e, Tonha, dedicada integrante da comunidade. Ambos os grupos compostos por crianças, e jovens estudantes, recitadores sensíveis, cheios de beleza e talento. Ressalto a beleza do cenário construído pelo artista plástico Paciência, que captou a essência de minha poesia e construiu belas flores de fogo iluminando aquela belíssima noite. O bate-papo com o ilustre Edmar Vieira, foi um momento cheio de informações, aprendizados e surpresas com a interação do público presente composto de professores, jovens estudantes e adultos da comunidade, fazendo aquele instante todo especial com perguntas inteligentes e instigantes. Todos vocês estão de parabéns pela bela construção da história desse lugar, dando beleza, sentido, e, significado à vida, a existência. Retornei a Salvador emocionada, incendiada pelo brilho, pelo encanto, pela beleza, pela luz e sensibilidade dessa boa gente maracaense.
Ave a poesia! Ave a palavra! Ave a vida! Ave a paz! Ave a justiça!
Muito obrigada Maracás, vocês são especiais, trarei este registro em minha memória.
Abraços e beijos
Lita Passos
09/05/2008
quinta-feira, 8 de maio de 2008
terça-feira, 6 de maio de 2008
domingo, 4 de maio de 2008
SOSÍGENES COSTA (1901-1968)
Soneto ao anjo
Por tua causa o meu jardim fechou-se
às mulheres que vinham buscar lírios,
quando o poente cor-de-rosa e doce
punha pavões nos capitéis assírios.
Teu beijo como um pássaro me trouxe
o mais azul de todos os delírios.
Por tua causa o meu jardim fechou-se
às mulheres que vinham buscar lírios.
Só tu agora colhes azaléia
e os cintilantes cachos da azuréia,
mágica flor que em meu jardim nasceu.
Só tu verás os lírios cor da aurora.
Meu pavão dormirá contigo agora
e o meu jardim dourado agora é teu.
(1930)
ALEXEI BUENO
O que é a arte? perguntou Tolstoi num famoso e estranho livro da sua fase mística. Para que serve a arte? não para os outros, o que é muito claro, mas para os que a criam, e num país pleno de energúmenos como o nosso, pergunto eu? Glauber Rocha, recentemente chamado de “uma merda” por um palhaço, fez Deus e o Diabo na Terra do Sol aos 24 anos de idade. Esse filme, para além da sua beleza indescritível, é uma síntese da nacionalidade que não só abarca todo o passado como chega – o famoso dom “profético” de Glauber - até nossa contemporaneidade, assim como passará além dela. É impossível, a não ser para os cegos, não ver o retrato do irracionalismo popular dividido entre a religião e a violência que há no filme, e não perceber que o Beato Sebastião e o Corisco que nele estão se transformaram no Bispo Macedo e no Fernandinho Beira-mar da nossa triste conjuntura. Aos 27 anos, Glauber fez Terra em transe, o maior filme sobre política da história do cinema, no caso sobre o subdesenvolvimento político e a tragédia dos que, conscientes, vivem nele. Mas, ora, ninguém o entendeu, qualquer flashback, e ainda mais um filme que é inteiro um flashback, é demais para a astúcia dos nossos conterrâneos, inclusive intelectuais que lêem com a maior naturalidade o mais arrevesado romance de vanguarda, mas saem de um filme no meio se ele tiver a mais ínfima inversão de ordem direta na narrativa. Aos 29 anos fez Glauber O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, fecho dessa trilogia genial, filme de uma precisão de mise-en-scène coletiva em planos-seqüência como só vi um tanto semelhante no Oito e meio de Fellini. Um importante e inteligente articulista disse recentemente que o filme era chato, essa grande reflexão estética. Já vi indivíduos dizerem que a Odisséia era chata, o Dom Quixote era chato, que a Divina Comédia era chata, que a Quarta Sinfonia de Brahms era chata, que o Grande sertão: veredas era chato, que a Missa em si-menor de Bach era chata, etc. etc. Conheci mesmo um que dizia – e era comunista, membro do Partidão – que o Encouraçado Potiônkim era chatíssimo. Uma merda deveria ser de fato Eisenstein para conseguir fazer um filme que dura uma hora, com 1.500 planos, e mesmo assim ser tão chato. Uma merda igualmente o Glauber do Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, filme onde vemos uma cidadezinha do sertão ser invadida por uma coréia de beatos famintos, comandados por uma santa; onde um matador de cangaceiros se encontra com o último deles, desafia-o e fere-o de morte; onde há um Coronel cego, que é corneado pelo delegado a quem domina; onde o mesmo Coronel chama seus jagunços para massacrar todos os beatos; onde a amante, flagrada, mata o delegado em praça pública com cinqüenta punhaladas; onde o cangaceiro ferido agoniza como o Cristo, e é deixado como que crucificado num mandacaru; onde um professor bêbado e a mulher do delegado fazem um ménage à trois com o cadáver do próprio, perante o padre, que se transformará por sua vez num revoltado, cena de necrofilia lírica única na história do cinema; onde os beatos são todos massacrados, a partir do que se prepara um duelo final, titânico, entre o professor e o matador de cangaceiros, de um lado, e o Coronel e todos os jagunços do outro, uma das maiores seqüências corais da história do cinema; onde o pobre Preto Antão se transforma num novo São Jorge e mata, a cavalo, com uma lança, a figura maligna do Coronel cego, no meio de uma praça, etc. etc. De fato, se Glauber, com tudo isso acontecendo em menos de duas horas, conseguiu fazer um filme chato, deve estar na mesma categoria de Eisenstein para o comunista. Esse filme, que conquistou a Europa – apesar do substrato histórico cultural que ela não conhece, e que nós deveríamos ter obrigação do conhecer – esse filme sobre o qual disse, magistralmente, o Osservatore Romano, fazer a fusão exata da tragédia grega com a elisabetana, esse filme com que Glauber ganhou o prêmio de Melhor Diretor em Cannes, esse filme que reuniu um dos mais admiráveis grupos de atores do nosso cinema, Joffre Soares, Maurício do Valle, Othon Bastos, Emmanuel Cavalcanti, Odete Lara, Hugo Carvana, com uma fotografia colorida de uma beleza poucas vezes igualada, etc. etc., é chato, e basta.
Citei três filmes para nem, citar o resto, nem os admiráveis livros sobre cinema que Glauber deixou, nem nada. Glauber morreu com 42 anos, já lá se vão 27. Poderia estar vivo e bem agora, com 69, ter seguido a sua vida na Faculdade de Direito de Salvador, e assim não seria hoje chamado uma merda. Disse o mesmo articulista que seus filmes não são para a geração do palhaço que o chamou de uma merda, nem para a dos avós do mesmo. Não sei o que é arte fashion, arte para “tal geração”, vejo e revejo os filmes de Griffith, Murnau, Abel Gance, Dreyer, Eisenstein, Pudovkin, Dovchenko, Stroheim, Epstein, Clair, Keaton, Chaplin, Lang, Fellinni, Buñuel, Bergman, Godard, Pasolini, Truffaut, Glauber, etc. etc. etc. com suprema emoção estética, a mesma que tive aos ver pela primeira vez Deus e o Diabo na Terra do Sol, aos 13 anos, no dia 15 de janeiro de 1977, no Cineclube Macunaíma, na ABI, dia que mudou toda a minha visão sobre o cinema, assim como leio Homero, Camões, Balzac, Proust ou Kazantzákis com a mesma estesia; como olho para a pinturas de Lascaux, para as das múmias de Fayum, de Caravaggio, de Rembrandt, de Van Gogh, de Picasso com o mesmo entusiasmo; ou ouço Bach, Haendel, Haydn, Mozart, Beethoven, Schubert, Brahms, Wagner, Stravinsky, Bartok, Chostakóvitch como se meus contemporâneos fossem. Não se tem o direito de xingar Glauber? Claro que sim. Qualquer um pode chamar de uma merda o Aleijadinho, Machado de Assis, Raul Pompéia, Euclides da Cunha, Villa-Lobos, Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Guimarães Rosa, etc. etc. O direito ao desprezo abissal, no entanto, esse também é sagrado. Talvez o grande cinema brasileiro seja o de A Copa do Mundo é nossa, do grupo Casseta. O que é, simplesmente, mais desagradável, mais deselegante, no caso de Glauber, é que essa merda tem uma mãe viva, uma senhora de quase noventa anos que perdeu uma filha aos 13, de leucemia, uma outra, a bela e saudosa Anecy, aos 34, caída num poço de elevador, e o seu último filho, a merda em questão, aos 42, graças a uma obra-prima da medicina lusitana. Felizmente, cada um sabe escolher quem é a merda de sua preferência.
Alexei Bueno
3-4-2008
SANDRO PENELÚ
CENTAURO DAS ÁGUAS
Trago ancas de éguas valentes
Meu ventre nutre estranhos cavalos
Presos no meu cordão umbilical
Nas minhas ferraduras de cristal
Não cabem meus passos de distâncias
Meus cabelos têm o brilho
Da claridade da luz de Lilith
Trago sorrisos flutuantes
Nas marés cheias do imprevisível
Eu mulher de olhar de fogo
Trago na língua incenso e lâmina
Cavalgo campina de vidro
Cavalgo sangue em campina
Eu mulher centauro das águas
Amamento noite alimento dia
Com o colostro de espinho
Que escorre da rosa do meu peito.
LITA PASSOS
LITA PASSOS
CAVALEIRO DE FOGO
http://www.jivmcavaleirodefogo.blogspot.com/
CAVALEIRO DE FOGO
JOSÉ INÁCIO VIEIRA DE MELO
A CASA DOS MEUS QUARENTA ANOS
domingo, 20 de abril de 2008
Blog de NIVIA MARIA VASCONCELLOS
Por Nívia Maria Vasconcellos
http://artesemgeralpoesiaemparticular.blogspot.com/
Eu e o poeta Ildásio Tavares trocamos de óculos (inclusive os dele não me serviram muito bem como podem observar na foto acima) e trocamos também algumas idéias numa noite soterapolitana regada à boa bebida, à boa comida e, especialmente, a bons papos. Deu-me uma vontade de compartilhar com vocês um pouco do que pensa e faz o poeta, letrista, contista, pós-doutor etc etc etc Ildásio Tavares. Fiz, então, a entrevista que abaixo se encontra. Degustem-na:
NÍVIA MARIA VASCONCELLOS - Elliot, no livro Essência da Poesia, apresenta-nos um capítulo destinado a discutir a Função Social da Poesia, como ele outros já levantaram questionamentos e esclarecimentos sobre esse assunto. Aqui no Brasil Carlos Felipe Moisés lançou um livro chamado Poesia e Utopia: A função social da poesia e do poeta. Para você, existe uma função social da poesia e do poeta? Se sim, qual seria?
IldÁsio - Esta questão tem enchido tratados, desde Horacio, docere cum delectatione, a poesia deve ensinar com deleite, até os esteticistas puros, para quem a poesia deve ser bela e pronto: até os surrealistas que mudam o conceito para a função de exprimir o inconsciente. Prefiro não falar em função da poesia e sim do poema, cuja função seria dizer o que se quer dizer com poucas palavras e muita densidade. A função do poema será a de ser um iceberg verbal, apenas 1/8 acima da superfície.
NMV - Seu primeiro livro, Somente um canto (1968), completa 40 anos este ano. Dentro dessas quatro décadas, o que mudou e permaneceu no seu fazer poético?
IldÁsio - Continua, um "ostinato rigore" como prescrevia Dante; uma busca incessante de síntese e perfeição, o poema como criação e depois depuração: um apuro métrico cada vez maior e rítmico maior ainda; um experimentalismo métrico e rítmico, acho que não mudei, aperfeiçoei o modelo de “Somente um Canto” que já mostra todos meus caminhos principais, decassílabo, redondilhas, versos livres. No que diz respeito a sensibilidade, eu apenas a apurei. As temáticas são recorrentes. Acho que, no fundo, não mudei nada. Me aprimorei, apenas.
NMV - Certa vez, afirmou que “Um dos trabalhos do poeta e do artista é descobrir a beleza onde aparentemente ela não existe, é pôr ordem no caos”. O que você define por beleza e por caos e qual a importância de um e outro para as artes em geral?
IldÁsio - Beleza em poesia é eufonia. Caos é a desordem, o disparate, o barulho, eles devem ser o material do poeta que lhe deves dar um sentido poético e não ser o espelho do barulho e da desordem, salvo quando haja um sentido estilístico.
NMV - Sempre há uma polêmica acerca das letras de músicas e das poesias. Você trabalha com os dois tipos de composição. Qual a sua postura diante dessa discussão?
IldÁsio - Pedro Lyra num famoso ensaio coloca oito diferenças entre letras e poemas que são diferentes, mas não guardam entre si hierarquia.Uma boa letra é melhor que um mau poema. A letra depende da melodia, do ritmo da melodia, e a letra tem que agradar de cara.O poema é independente e pode ser consumido devagar. A letra tem temática limitada o poema é livre. A letra se dirige a juventude, o poema a qualquer faixa etária. A letra é pra consumo imediato. O poema é duradouro.
NMV - Como você analisa a atual produção literária da Bahia e do Brasil? É otimista diante do quadro atual?
ILDÁSIO - Acho esta geração de vocês bem melhor do que a anterior onde não vejo um só poeta de nível. Eles são bons políticos, para entrarem em Academias, mas na hora de enfrentar o papel são muito ruinzinhos.
NMV - Estamos preparando um sarau em sua homenagem, momento no qual lançará seu Cd Flores do Caos aqui em Feira de Santana. Você tem até livros que fazem menção a esta cidade, como o livro de contos “O amor é um pássaro selvagem”, e já morou em Feira por vários anos. Qual a sua relação com Feira de Santana na atualidade?
ILDÁSIO - Fora vocês, Feira me esqueceu.
NMV - Deixe uma mensagem para aqueles que pretendem ingressar no mundo literário.
ILDÁSIO - Lasciate ogni speranza voi ch'entrate
domingo, 23 de março de 2008
CICATRIZES POÉTICAS*
Cleberton Santos
Autor de Lucidez Silenciosa (2005)
O poeta Adriano Eysen retorna à tribuna literária para declamar os novos poemas de Cicatriz do silêncio. Demonstrando notável amadurecimento no domínio da linguagem poética, através de imagens que açoitam as fraquezas dos homens e despertam o prazer lúdico da leitura, este poeta transforma sua palavra encantatória num porto da liberdade de onde partem seus desejos e fantasias amorosas juntamente com suas aspirações humanísticas.
Uma linguagem poética sempre rasurada pela carnalidade da paixão e transfigurada em arte pelo laborioso trabalho estilístico da língua em seu curso de sempre renovadas águas.
Ora um poeta cheio de cicatrizes amorosas, ora um anjo cheio de quimeras, ora um inquilino das saudades que resgata em formas e ritmos variados vivências do menino que sempre habita no homem construtor de belíssimas fábulas poéticas.
Os versos de Adriano Eysen acendem um fósforo dentro da noite para clarear o obscurecido espírito humano e reacender nos candeeiros da memória antigos símbolos e valores que transcendem a pequenez do mundo covarde que habitamos.
Convertendo seus desejos e sua sensibilidade estética em vãs aventuras líricas, o poeta segue sempre galopando nesta brava e singela tarefa de criar mundos expressivos através de seus sonetos, sextilhas, tercetos, elegias e odes que buscam, em última instância, comungar com os leitores a beleza da linguagem em suas múltiplas faces desconhecidas.
Em cada poema vai compondo uma estranha valsa que avança num movimento dialético de interiorização e exteriorização do olhar lírico que ilumina, a um só tempo, as memórias e os sonhos do poeta e a percepção crítica sobre o mundo presente que o rodeia com seus tormentos e decepções sociais.
Eis, aqui, amigo leitor, um poeta que sabe domar o galope da ventania lírica.
* Texto de Cleberton Santos publicado na orelha do livro Cicatriz do silêncio (2007), do poeta baiano Adriano Eysen. Livro lançado através do Projeto de Arte e Cultura do Banco Capital.
CIDADE DA CULTURA
A Cidade da Cultura convida para o lançamento do livro CICRATRIZ DO SILÊNCIO (Prêmio Banco Capital de Poesia 2007) do poeta Adriano Eysen.
Data: 29 de março de 2008 (sábado)
Horário: 16 horas
Local: Cidade da Cultura
Rua H, 170, Conjunto João Paulo, Feira de Santana.
domingo, 16 de março de 2008
CIDADE DAS FLORES E DA POESIA!
(Maracás – Bahia)
Está de parabéns a Prefeitura Municipal de Maracás (BA) pela realização do Projeto Uma Prosa sobre Versos. Idealizado e coordenado pelo poeta e promotor cultural Edmar Vieira, através da Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Maracás, o Projeto Uma Prosa sobre Versos objetiva proporcionar um grande encontro entre escritores baianos de várias gerações e o público da cidade das flores. Crianças, jovens, adultos e idosos, todos compareceram ao Auditório Municipal de Maracás para ouvir e interagir com o poeta Cleberton Santos na noite de estréia do Projeto 14/03/2008. Mais de 700 pessoas participaram de uma noite cultural recheada de poesia e música. Tive a alegria e a imensa satisfação de ouvir, juntamente com toda aquela multidão, 32 poemas do meu livro Lucidez Silenciosa recitados pelo grupo CONCRIZ. Um belo recital! Depois tivemos uma conversação sobre criação poética e outras fantasias! Certamente um momento memorável na minha jornada literária. Agradeço a todos aqueles que de maneira direta ou indireta participaram da realização desse Projeto. Desejo vida longa para o Projeto Uma Prosa sobre Versos! E tomara que outros muitos administradores públicos (políticos ou não) percebam que a poesia é um dos caminhos que poderá levar à reconstrução de uma HUMANIDADE mais Humana. Um abraço a todos,
Cleberton Santos
16/03/2008
domingo, 9 de março de 2008
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
Elizeu Moreira Paranaguá
Guarda as coisas
que são tuas
para que ninguém
possa roubá-las;
guarda-as
debaixo da Pedra,
para que o Tempo
não as destrua;
guarda,
mas não as esconda;
necessariamente
guarda as coisas
no teu coração.
GIRASOLES
Girasoles
para Lílian Almeida
En las formas de tu cuerpo
recorro verbos infinitos
de angustia y placer
de soledad y demencia
de deleite y tortura.
Mientras inauguro cada mañana
formas lúcidas de amar girasoles.
Traducido por John Galán Casanova*
*Bogotá, Colombia, 1970. Poeta y ensayista. Su primer libro, ALMAC N AC STA, obtuvo el Premio Nacional de Poesía Joven de Colcultura en 1993. Egresado de la carrera de literatura en la Universidad Nacional con un primer acercamiento a la obra de Luis Tejada Cano (“Luis Tejada: Crítica crónica”, Boletín Cultural y Bibliográfico, Banco de la República, Nº 33, 1993). Siguiendo los pasos del gran cronista antioqueño, entre julio del 94 y noviembre de 1995 sostuvo la columna de opinión “En el camino” para el periódico El Espectador. Por esos tiempos se le vio implicado en la creación del grupo de poesía, danza, música, fotografía y video Poesía ácida. Su segundo libro de poemas, El coraz´n portátil, se publicó en 1999. El tercero, AY-YA (1997), apareció en el 2001. Algunos de sus ensayos y artículos han sido publicados por revistas como el Magazín Dominical de El Espectador, Número, El Malpensante, Gaceta de Colcultura y La Hoja de Medellín. Entre 1998 y 2002, John Galán se desempeñó como coordinador y editor de la Red de Talleres literarios Raíz de cinco para las bibliotecas de Comfenalco en Medellín. En 2005 Panamericana Editorial publicó su biografía Luis Tejada. Vida breve, crítica crónica, en su colección Cien personajes – Cien autores. Ha publicado conferencias, entrevistas y traducciones al español de los poetas brasileños Ferreira Gullar y Affonso Romano de Sant’Anna. Así mismo, ha traducido a varios de los poetas brasileños asistentes al Festival Internacional de Poesía de Cartagena, como Damário da Cruz y João de Moraes Filho.
CALANGOS

Primeira paisagem
Um calango espreita a vida
no mormaço de uma tarde estreita.
Sol a castigar o dorso de uma catenga
viúva silenciosa de outro calango morto.
Esticado em terra seca e astrosa
poeta repousa ossos e remorsos.
Segunda paisagem
De cima de um muro
um calango vigia o mundo.
Imperioso e astuto e lépido
contempla a paisagem (surda)
ausculta os pensamentos de um cético.
De cima de um muro
um calango vigia o cego.
Viril e verossímil e audaz
afronta a morte que ronda
seu dorso listrado de couro tenaz.
Concerto para ninar calangos
Silêncio tecido de dor e violinos
crava em meu peito
concerto estapafúrdio
para ninar calangos opalinos.
In: Lucidez Silenciosa (Salvador: EPP Publicações e Publicidade, 2005).
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
FULANA OPERETA
Não percam! Visitem: http://www.fulanaopereta.blogspot.com/
COMENTÁRIOS!
Agora todo mundo pode fazer seus comentários neste blog. Era um defeito de programação. Já resolvi! Aguardo os comentários. Um fraternal abraço, paz e saúde para todos.
Editora UAPE
Poesia Viva em Revista nº 3
Retrata o momento contemporâneo de nossa realidade poética. Neste número, entrevista com o poeta Paulo Henrique Britto e diversos poetas contemporâneos.
Lançamento: Quinta-feira, 29 de novembro19h, na Primavera dos Livros Museu da República, Rio de Janeiro, Brasil.
Vamos lá!
www.uape.com.br
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
ANDRÉ SEFFRIN
André Seffrin
Rio de Janeiro
Grande parte dos nossos poetas mais importantes não publica por editoras conhecidas e costuma passar ao largo dos benefícios (?!) da mídia e do meio acadêmico (este, sempre preso a ícones famosos e irremovíveis). Para a mídia, a imagem evanescente dos fantasmas (a exemplo do volátil JT Leroy) conta no cenário bem mais que um importante poeta de província, desses que não aparecem na televisão nem escrevem sobre os temas da moda. Esta mentalidade anêmica é hoje em parte debelada por alguns sítios (internet) tais como as revistas Cronópios e A máquina do mundo, e o Jornal de Poesia. Ou em livros, como nos dois alentados volumes, com cerca de mil páginas, Dimensões temporais na poesia & outros ensaios (Imago), nos quais César Leal reuniu diversos textos que escreveu sobre poesia brasileira e estrangeira, contemplando igualmente outros ramos do conhecimento (artes plásticas, crítica literária etc.). Em suas interpretações da poesia brasileira, ao longo dos anos ele contribuiu enormemente para a divulgação da obra de poetas ainda pouco estudados como Foed Castro Chamma, Soares Feitosa e Montez Magno. Seu livro é, nesse sentido, um verdadeiro oásis no deserto das relações entre poetas e público.
Na “quarta parte” do segundo volume, César Leal realiza pequena antologia de seus próprios poemas, recentes e antigos. Neles, como nos seus títulos conhecidos (Constelações, Tambor cósmico, Tempo e vida na terra etc.), ele ultrapassa os horizontes terrestres em metafísica que funde mitologia e ciência, figuras arquetípicas e metáforas luminosas, vasto universo feito de “Letras. Formas. Números! / Sol. Pássaros! Rosas! / Arcos, flechas, naves, / Vento, línguas, rodas!” Para além do notável teórico do fenômeno poético e ensaísta dos mais íntegros do nosso pensamento crítico, revela-se poeta protéico de assuntos inexplorados e anticonvencionais. O que se espera de todo grande poeta.
Jorge Tufic é outro exemplo de poeta que nunca usufruiu das benesses da mídia. Em entrevista ao escritor Nilto Maciel (revista Literatura, n. 29, maio/ago. 2005), ele afirmou que a “vocação literária sobrepõe-se ao fascínio da glória, seja ela fácil, por meios duvidosos, seja pela dificuldade em vencer as barreiras da incultura, livresca ou virtual. No meu caso particular, ainda não pude concluir nada acerca de minha persistência em vestir de livro os meus pobres escritos, cujo sucesso fica por conta dos amigos que tenho em Manaus, Fortaleza, e no Acre, sem mencionar as dezenas de pessoas a quem remeto os volumes que assino. O ato de escrever, e de editar, já nos serve de estímulo e consolo.” Suas publicações ficam restritas à província, geralmente em plaquetes que faz circular entre amigos: O sétimo dia (Edições Livro Técnico). Mas são cinqüenta anos de literatura e 43 livros publicados, entre poesia, ficção, ensaio e memórias, obra importantíssima que não devemos perder de vista.
A primeira seção de O sétimo dia reúne sonetos de alta musicalidade numa viagem interior de índole camoniana. “Soneto para Izabel” e “Périplo” estão na clave do que ele mesmo define como fusão do “mármore com a brisa”, como no “Soneto para José Chagas”, no qual flui lirismo de primeira água. Claro, nenhuma conotação parnasiana nesse “mármore”, uma vez que se trata de um pós-simbolista que assimilou muito bem as conquistas do Modernismo. Sua poesia nasce em anotações aparentemente aleatórias, sempre no sentido de fixar, entre sons e cores, imagens novas na velha paisagem do mundo. Assim: “Não sei dizer passarinho / sem dizer passarinhos, / tal como ensinava / a senhora de meus dias. / Ela dizia de um modo / que se via e se ouvia / o ser e o canto / a pluma e o vento; / e, por detrás de tudo, / o canto do encanto / tanto do pássaro / como dos passarinhos. / A´sso-fir, em árabe / são pássaros de pássaro / e pássaro de pássaros.” (“O nome dos sons”)
A rosa anfractuosa (Thesaurus), livro de Fernando Mendes Vianna acintosamente ignorado por quase todos os suplementos literários do país, é o retorno de um grande poeta depois de longa hibernação. Sua poesia metafísica e filosófica exige leitor preparado à sombra da estante, pois seus irmãos atendem pelo nome de Camões e de Pessoa (em especial Álvaro de Campos, pedra de toque), de Cruz e Sousa e de Jorge de Lima. Ora, é sabido que quase todos os poetas da geração de 1950 (Foed Castro Chamma, Hilda Hilst, Walmir Ayala, Mário Faustino, entre outros), criaram magnetizados pela cosmogonia de Invenção de Orfeu e, em determinados momentos, pela concretude verbal pós-simbolista de Cecília Meireles. Foi assim também com Fernando Mendes Vianna. No soneto, ele configura o que antigamente era comum chamar-se de a sua “mundividência”: “Na escuridão claríssima / sou um boi sob o plenilúnio. / A lua anterior era um alfanje / ou a metade de uma guitarra // ceifada no jardim da solidão. / Agora a lua é um mugido / igual a mim, igual à minha / claridade, agonia calma. // Mujo. Sou um boi e mujo / o anúncio de repartir / em viagem sem rumo, viajar // na alma, sem mapa e sem mar. / Boi tornado súbito navio, / e baba vira espuma. E tudo muda.” (“Plenilúnio”)
Poeta bem menos cerebral e filosófico que Fernando Mendes Vianna, mas não menos intenso e habilidoso, Carlos Newton Júnior, em Poeta em Londres (Bagaço), mantém suas linhas de força próximas (apesar do lirismo algo bandeiriano) da dicção de João Cabral de Melo Neto e do cordel nordestino (as heranças ibéricas). Poeta de qualidades incomuns, também ficcionista e ensaísta, ele se inscreve na tradição com a simplicidade e a clareza de um clássico. Ritmicamente complexa, sua poesia ainda é marcada por um contraponto entre o popular e o erudito. Assim, no mesmo passo que explora a “estrofe sonora dos repentes”, realiza poemas em homenagem a Rimbaud (“a vida é breve, breve é o poema / e todo o seu mistério, breve ainda / o som que se articula junto às rimas / e o valor ilusório dessas gemas // em que puseste as mãos de ser maldito”) e a Eliot (“Na esquina dos poetas”, que sem favor algum está entre os mais belos poemas brasileiros do nosso tempo), à pintura de Canalleto e a uma alegoria de Bronzino, imagem que o remete a outras imagens, azul que o remete a outros azuis, ou seja, ao soneto famoso de Carlos Pena Filho.
Ao contrário, a característica primordial da poesia de Mariana Ianelli é o lirismo diáfano – Fazer silêncio (Iluminuras). Em sua poesia predominam atmosferas enevoadas, imagens delicadas e fugazes e um ânimo de celebração (“Ser selvagem”). É poeta intimamente ligada aos temas religiosos e aos climas sonambúlicos da natureza humana. “Sétimo dia”, “Sophia”, “Fazer silêncio”, “Fênix” e “O outro lado” são poemas definidores de sua personalidade poética e estão entre os melhores do livro. Em momentos menos felizes, sua matéria se esgarça ao ponto de tocar o prosaico (ver o poema quase narrativo “Os desaparecidos”). No conjunto, é uma legítima herdeira do simbolismo pré e pós-modernista – no sentido de que poderia ter sido revelada, sem causar espanto, ao lado dos muitos poetas compendiados por Andrade Muricy no segundo volume de Panorama do movimento simbolista brasileiro. Sua família espiritual, portanto, é a dos integrantes do grupo da revista Festa, ao qual pertenceu Tasso da Silveira, cantor dos instantes fluidos e das vagas sombras fugidias.
Márcio Catunda, em Sintaxe do tempo (Imprece), fala outra língua e habita outro universo. Pode e deve ser lido na vertente política de Moacyr Félix e José Alcides Pinto que, não por acaso, assina o texto de apresentação. Alcides Pinto o irmana a Lorca e César Vallejo, entre outros “defensores dos espoliados e excluídos”. Seu ânimo político é catalisado pela densidade lírica, e em “Pragmatismo e tânatos” configura-se a sua arte poética: para Márcio Catunda, ao fim de tudo cada poeta terá “apenas o que deixou por escrito”. Assim como Luís Pimentel, que em O calcanhar da memória (Bertrand Brasil) igualmente configura sua arte poética em poemas como “Traçado” e “À toa”, ao sentir que poesia é “mão de obra, / um fazer e refazer-se / eternamente”, e ao encarar essa lida num paralelo com a da aranha que “vai vivendo do que tece”. Desse ângulo, Catunda e Pimentel escrevem poesia comprometida com o seu tempo e acessível ao leitor comum.
Entre tantos nomes e tendências importantes, devemos ainda registrar três estréias. Henrique Marques Samyn com Poemário do desterro (Fábrica de Livros) circula em amoroso convívio por ruas, seres e carnavais do Rio de Janeiro. É um poeta da cidade do Rio, como o foi outrora Mário Pederneiras. E não à toa encontra em João do Rio o motivo para um de seus melhores poemas, “Dentro da noite”. Às vezes lhe falta espontaneidade (talvez caminhe demasiadamente preso à métrica e à tradição), no entanto não anda distante do frêmito da vida. Em Elisa Andrade Buzzo, Se lá no sol (7Letras), o eu lírico se mostra limpo de adereços, num auto-policiamento às vezes excessivo e em jogos verbais um tanto insólitos, como no poema que dá título à coletânea. Vale destacar a homenagem a Chaplin, com seus ecos drummondianos. Já Cleberton Santos, em Lucidez silenciosa (EPP Publicações e Publicidade), valoriza palavras raras, sonoras e requintadas, mais no sentido do adorno que da estrutura. “Composição para flauta” dá a medida de seu potencial lírico: “Faço versos com retalhos de vida / fios de cabelos que apascento nos dedos”.
(Jornal Gazeta Mercantil, caderno Fim de Semana, 4 e 5 de março 2006)
ROGÉRIO SALGADO
Por Rogério Salgado (Poeta e Jornalista)
Vencedor do Projeto de Arte e Cultura do Banco Capital ano IV, Lucidez Silenciosa (EPP Publicações e Publicidade) é um livro, antes de tudo, visceral, desses arrancados do âmago do autor, composto de poemas polidos em sua técnica, sem deixar de emanar emoções no leitor mais desavisado. São 40 poemas que levam à reflexão por não serem escritos ao acaso. Cada palavra, cada linha estampada no branco do papel nota-se que foi muito bem pensado. Cleberton Santos, seu autor, não está preocupado em seguir vertentes literárias e nem com o academismo ou vanguardismo que rola por aí, sua poesia está comprometida somente com a função meramente correta de poetar e dizer ao mundo que o rodeia, aquilo que rola na sua cabeça de poeta. Feito de uma poesia simples, seus poemas contem, antes de tudo, a beleza que todo bom poema que se preze precisa ter. A poesia de Lucidez Silenciosa vem impregnada de lirismo, não aquele lirismo “lugar comum” que se observa nos poetas de baixa qualidade literária, mas um lirismo natural, dos grandes poetas. Nota-se em seu conteúdo que o autor não é nenhum “poetégo”, desses que se preocupam somente com seu próprio umbigo, mas sim com quem por acaso, venha a abrir a primeira página e viajar nas suas entrelinhas. Vejamos: “Meus olhos ardem na tarde do cais. / Posto que teu corpo / já não existisse, / meus olhos não arderiam mais. / Meus olhos ardem na ca(l)ma da tarde. / E sob teu corpo / lírios arfam teus seios. / Na tarde tarde meus olhos ainda ardem.
Cleberton Santos é poeta, crítico literário e professor de literatura. Natural de Propriá, reside atualmente em Feira de Santana/BA. Publicou em 2000 Ópera Urbana (Poesia), pelo Museu de Arte Contemporânea de Feira de Santana. Foi vencedor do Prêmio Escritor Universitário Alceu Amoroso Lima, da Academia Brasileira de Letras, em 2002. Publicou na revista iararana 9. Participou dos projetos Malungos, Poesia na Boca da Noite, Caruru dos 7 Poetas, VII Bienal do Livro da Bahia 2005. Atualmente realiza mestrado em Literatura e Diversidade Cultural na Universidade Estadual de Feira de Santana.
Lucidez Silenciosa é um desses raros livros de poesia que se pede para reler imediatamente. Contatos com o autor através de correspondência: Rua Araguacema, 94. Feira de Santana/BA. Cep 44021-000. Ou pelo e-mail clebertonpoeta@bol.com.br
(Rogério Salgado, Jornal Correio do Sul, Minas Gerais, 07/04/2006)








