quinta-feira, 14 de março de 2019

RICARDO NONATO


ORÁCULO (16.07.18)

Entre poetas não há enganos.
Sobre o que escrevem
É consenso o segredo.

Sobre o passado
Dirão apenas
Que o presente é preguiçoso
E incomoda o futuro.

Os poetas sabem dividir medos
E possuem estratégias para acalmar
E a incerteza das descobertas.

Sabem chorar, mas esquecem
Nuvens carregadas de chuva
Bem fundo no coração.

Entre poetas não há enganos
Impossível fingir
Palavras novas.

Ricardo Nonato é professor de Literatura, pesquisador, artista visual e editor do periódico Círculo Poético de Xique-Xique, desde 2011. Em 2016 criou o selo de arte Casa de Vento, através do qual vem editando seus livros e outras aventuras. Publicou artesanalmente pela Casa de Vento “Cântico de Quitéria” (2017), com xilogravuras do autor e “Beleza Oculta” (2018).

quinta-feira, 7 de março de 2019

CECÍLIA MEIRELES


MOTIVO

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

Cecília Meireles
http://academia.org.br/artigos/inedito-de-cecilia-meireles

terça-feira, 5 de março de 2019

JOVINA SOUZA



MAIS UM CAMPEÃO DE AUDIÊNCIA

“O amor não está” esse é o título do próximo livro da professora, escritora e critica literária Jovina Souza, a publicação poética traz a chancela da Editora Òmnira e que tem assessoria capitaneada pelo jornalista, editor e escritor Roberto Leal, que já apresenta ao público leitor o segundo título do Selo Editorial nesse ano de 2019, com promessa de muita literatura negra elevando essa caminhada de luta e de resistência cultural.
“O amor não está? Como assim? Tudo no mundo capitalista anuncia o amor: o amor erótico, o amor fraterno, o amor maternal, o amor filial, o amor paternal. E, como não podia deixar de ser, o amor maior, que é o amor de Deus. A primeira visão do livro pode ser apocalíptica. Ao leitor que, entretanto, se debruce sobre a lírica denunciante da poeta que tem vida e veias militantes conceberá que a crítica ao ideal do amor, não nascido, mas alimentado pelo capitalismo não elimina os afetos necessários para a vida que se vive aqui entre sangue pedras, lamas e sementes” (da apresentação).
Após o Carnaval você pode já reservar o seu exemplar pelo telefone (71) 98723-3364 direto com a autora Jovina Souza, com quem você leitor pode também interagir segundo as suas obras anteriores “Agdá” e no “Caminho das Estações”.

Fonte: ASCOM/Revista Òmnira
Capa arte: Moustafa Assem

domingo, 3 de março de 2019

ENTRETELAS: um blog sobre a novela brasileira

Sobre a autora


A Professora Doutora Alana de Oliveira Freitas El Fahl (UEFS), que participou do Programa “Papo de Sábado com Pondé” (Rádio Globo 90.5 FM Feira de Santana), coordena um do grupo de pesquisa intitulado “Janela de Tomar” que se dedica aos estudos sobre intertextualidade, e parte dessas leituras aparecem em seu Blog “Entretelas”. “Leitora e telespectadora apaixonada por narrativas”, como afirma em seu blog, “desde criança aprecia a magia dos bons enredos, aprendeu o poder do “pó do pir lim pim pim” no Sítio do Picapau Amarelo e daí em diante jamais abandonou o poder encantatório das boas tramas no papel ou nas telas”. Alana estabelece muitos diálogos entre a Literatura e as novelas da nossa televisão. Leia os artigos da professora Alana Freitas em seu blog


sábado, 2 de março de 2019

LANDE ONAWALE



Genocida

a polícia sabe onde atirar
não é no alvo...
a mira é um ponto preto
colado em sua própria retina

Ditadura branca

no brasil, a ditadura
nunca se extinguiu
para a gente de pele escura:
a antilei
o falso indício
o sumiço
                             a tortura

(poemas publicados em Cadernos Negros, volume 39, São Paulo: Quilombhoje, 2016)


Saiba mais sobre este poeta baiano no site do Projeto OXE: portal da literatura baiana contemporânea (IFBA campus Santo Amaro)



sexta-feira, 1 de março de 2019

CASTRO ALVES E O DIA NACIONAL DA POESIA

Em 14 de março, comemoramos o Dia Nacional da Poesia. Essa data foi escolhida para homenagear o nascimento do poeta baiano Castro Alves, grande expoente do movimento literário conhecido como Romantismo que aconteceu no século XIX. Para saber mais sobre esse adorável poeta brasileiro, acesse o site da Academia Brasileira de Letras. 

Castro Alves (Antônio Frederico), nasceu em Muritiba, BA, em 14 de março de 1847, e faleceu em Salvador, BA, em 6 de julho de 1871. É o patrono da cadeira n. 7, por escolha do fundador Valentim Magalhães. Era filho do médico Antônio José Alves, mais tarde professor na Faculdade de Medicina de Salvador, e de Clélia Brasília da Silva Castro, falecida quando o poeta tinha 12 anos, e, por esta, neto de um dos grandes heróis da Independência da Bahia. Por volta de 1853, ao mudar-se com a família para a capital, estudou no colégio de Abílio César Borges, futuro Barão de Macaúbas, onde foi colega de Rui Barbosa, demonstrando vocação apaixonada e precoce para a poesia. Mudou-se em 1862 para o Recife, onde concluiu os preparatórios e, depois de duas vezes reprovado, matriculou-se finalmente na Faculdade de Direito em 1864. Cursou o 1º ano em 1865, na mesma turma que Tobias Barreto. Logo integrado na vida literária acadêmica e admirado graças aos seus versos, cuidou mais deles e dos amores que dos estudos. Em 1866, perdeu o pai e, pouco depois, iniciou apaixonada ligação amorosa com atriz portuguesa Eugênia Câmara, dez anos mais velha, que desempenhou importante papel em sua lírica e em sua vida.



Oh! Eu quero viver, beber perfumes
Na flor silvestre, que embalsama os ares;
Ver minh’alma adejar pelo infinito,
Qual branca vela n’amplidão dos mares.
No seio da mulher há tanto aroma...
Nos seus beijos de fogo há tanta vida...
Árabe errante, vou dormir à tarde
À sombra fresca da palmeira erguida.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

APERITIVO POÉTICO: antologia sergipana

Antologia Poética publicada pela Funcaju, Aracaju, Sergipe, 2000.


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

APERITIVO POÉTICO

Meu quadro “Aperitivo Poético”, um pouco de poesia para nossas vidas, será transmitido por duas emissoras:
TODO SÁBADO, 12hs, pelo "Papo de Sábado com Pondé" (Feira de Santana / BA), programa apresentado pelo jornalista Elsimar Pondé, na Rádio Globo 90.5 FM.
TODA QUARTA, 7hs, pela Voz do São Francisco (Rádio Web Voz do São Francisco / Propriá - SE) programa apresentado pelo jornalista e professor Claudomir Tavares. 


segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Blog do escritor alagoano Ronaldo Pereira de Lima

Eu indico a leitura do blog do escritor Ronaldo Pereira de Lima. Escritor e professor com forte atuação na cidade de Porto Real do Colégio (AL).



domingo, 17 de setembro de 2017

EPIFANIA


Epifania
Para Antonio Brasileiro

Um Buda sentado
sobre meus ombros
medita a leveza da morte.

Vestindo roupas trançadas de pedras
um Buda leve caminha sobre as águas
dos meus pensamentos.

Sobre meus ombros
um Buda escreve
poemas esconsos.

In: Lucidez Silenciosa (2005)

sábado, 16 de setembro de 2017

TRÊS POEMAS DE JECILMA LIMA

Jorge Galeano / http://jorgegaleano.blogspot.com.br


Gostaria de ser rio

Eis o meu alento e meu segredo
Ser a ponte sobre o rio
Ser a pedra e o chapéu que esbarra nela.
Decifrável alegoria
que traz ao coração dos homens
lembrança de pulmões cheios d’água
e olhares elevados de suicidas.

Estamos todos tão distantes...

A água já nos chega aos joelhos
E nós nem nos abraçamos.
Nos abracemos, amiga
antes que, incapazes do gesto
nos tornemos de um sorriso marmóreo,
repleto desta cegueira incurável.

Gostaria de ser rio
Mas sou irrecuperável.


Entre vista


Quanto às coisas que em mim ardem,
É tudo que me toca mais fundo.

Quanto a tudo no mundo que me encanta
Ou comove,
              Ou destrói
É essa dor de mil anos
Este estar só, no centro.

E quanto a estranheza mesmo da morte
É a sua atração que me move.


Enquanto espero

Brinco de compor estrelas
Estou naqueles dias
Em que não consigo ser para mim apenas
E escapo ao controle.

Afogo um mundo em pequenas dores
E me desconheço
Grandiloquente e tola.

Estou naqueles dias
E, enquanto espero
Espalho astros pela janela.


JECILMA LIMA é feirense, poeta, contista e pesquisadora de literatura e cultura. Participou da coletânea de poesia “SETE FACES”, publicada pela UEFS, e foi vencedora do I concurso Literário Bahia de todas as Letras, da editora Via Litterarum, na categoria conto, com “Um coração de coelho”. É professora do IFBA – Campus Santo Amaro, onde coordena o Núcleo de Arte e Cultura.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Memórias da Flipelô 2017



09/08/2017 / FLIPELÔ

Estive na Flipelô 2017. Fui convidado pelo curador José Inácio Vieira de Melo para recitar meus poemas no Café Teatro Zélia Gattai ao lado dos poetas Igor Fagundes (RJ) e Walter César (BA). Tudo seria exatamente igual a tantos outros eventos literários que já fui se não fosse por este inesquecível episódio. Estive ao lado de Maria Bethânia. Falei com Maria Bethânia. Abracei Maria Bethânia. Na abertura do evento, emoldurados pela beleza silenciosa da Igreja de São Francisco, tive a alegria de ver, ouvir e sentir Maria Bethânia cantando, declamando e orando as belezas textuais em versos e prosas da riquíssima literatura brasileira. Após seu recital-oratório-declamativo-show, Maria Bethânia recebeu com imensa ternura muitos que buscaram seu abraço, sua voz, seu olhar ainda no camarim. Coisa linda foi quando luz faltou e Maria Bethânia serenamente entoou um canto solene para aconchegar o ambiente e seus convidados. A candura de sua voz dissipou a escuridão da noite e iluminou tudo, inté nossa alma. E ficamos inundados, mais uma vez, pelo seu sopro poético e fomos acolhidos pelo manto de sua calorosa simpatia. Aquela cena parecia um sonho. Parecia um poema de Castro Alves. Parecia um romance de Jorge Amado. Aquela voz que ouvi nos tempos de menino lá em Propriá na casa do amigo Mário Roberto, agora ecoava eternamente perto de mim, e dentro, e mais além. Atravessando meu ser. Alumiando as casas do meu coração. Viva em cores e corais. Palavras e notas musicais. Santos e poetas, clássicos e populares, poemas e canções. Tudo divinal. Magia pura, encanto sublime. Aguardei e cheguei. Abracei e disse com voz trêmula: “A senhora inspirou minha vida.” E ela, Maria Bethânia sorriu. Que mágico. Que sonho. Que alegria. Aquela noite jamais acabará... porque Maria Bethânia é poesia para toda minha vida.

Feira de Santana, 11 de setembro de 2017.


09/08/2017 / FLIPELÔ


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

RUY ESPINHEIRA FILHO

Soneto de Julho

É muito tarde para não te amar.
Tudo o que ouço é o sopro do teu nome.
O que sinto é teu corpo, que consome
- presente, ausente - o meu corpo. Luar 

em que me abraso, morro: teu olhar
ofuscando memórias, onde some
um mundo, e outro se ergue. Sede, fome
e esperança. Ah, para não te amar 

é tão tarde que tudo é já distância,
que só respiro este luar que me arde,
este sopro sem praias do teu nome, 

esta pedra em que pulsa e medra a ânsia
e esta aura, enfim, em que me envolve (é tarde!)
o que és - presente, ausente - e me consome.

Ruy Espinheira Filho
Poema publicado na Revista da Academia de Letras da Bahia, setembro de 2014, n 46.




domingo, 3 de setembro de 2017

Os sofrimentos do jovem Werther


Um livro formidável. Uma narrativa envolvente em linguagem de cartas. Um romance epistolar. Foi muito prazeroso conhecer os acontecimentos que envolvem a vida do jovem Werther e seu amor pela jovem e bela Lotte. Amor impossível, eterno tema romântico de todos os tempos e lugares. Ouvir as reflexões e diálogos sobre o suicídio entre Werther e Albert. São muitas as possibilidades de sedução que este livro apresenta. Descobrir a literatura de Ossian através das leituras de Werther, sim, pois ele é um grande leitor durante toda a narrativa. Homero, Ossian, Lessing e outras leituras citadas ao longo da narrativa. Um livro poderoso de Goethe. Um clássico não somente da literatura alemã, mas de toda a literatura universal. A solidão, o amor, a morte, a traição, o suicídio, a desilusão amorosa, a amizade e tantos outros valores e sentimentos atemporais perpassam todas as 181 páginas deste formidável e atraente livro que atravessa séculos encantando e atraindo leitores de todas as idades e paixões.



quinta-feira, 13 de julho de 2017

FESTA LITERÁRIA INTERNACIONAL DO PELOURINHO

FLIPELÔ – FESTA LITERÁRIA INTERNACIONAL DO PELOURINHO - BAHIA

11/08/2917 (Sexta-feira) Café Teatro Zélia Gattai (Fundação Casa de Jorge Amado / Pelourinho)

18h - A Voz Edita – Com: Cleberton Santos, Igor Fagundes e Walter César.

Confira a programação completa: http://www.flipelo.com.br

Curadoria: José Inácio Vieira de Melo 



sábado, 3 de junho de 2017

José de Alencar em Propriá


Em janeiro de 2017, durante uma visita ao Colégio Diocesano de Propriá (Sergipe), onde estudei meu curso de Magistério quando era vocacionado Marista. Visitando a biblioteca da escola com José de Alencar. Foto idealizada e realizada pelo amigo e fotógrafo Sérgio Souza. 

segunda-feira, 29 de maio de 2017

O poeta Pinto do Monteiro


Eu comparo esta vida
A curva da letra S:
Tem uma ponta que sobe
Tem outra ponta que desce
E a volta que dá no meio

Nem todo mundo conhece.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Uma crônica de Ronaldo Correia de Brito



MEMÓRIA DE LIVROS E BIBLIOTECAS


            A lembrança mais remota que tenho de bibliotecas vem associada a caixotes e malas. Numa caixa de madeira, mamãe levou para a casa do sertão dos Inhamuns, onde nasci, o pequeno acervo de professora primária, depois de se casar com um rapaz que fora seu aluno. A preciosa carga compunha-se de algumas antologias, gramáticas, volumes de aritmética, geografia e história, e do livro que marcou profundamente minha vida: A História Sagrada, uma seleta de textos do Antigo e Novo Testamento.
            Os livros eram objetos tão raros nesse mundo sertanejo, medievalmente fora do tempo, que um parente rico incluiu entre os bens de partilha do testamento uma minúscula biblioteca de noventa volumes. Hoje, com o dinheiro apurado na venda de um único boi, das centenas que ele deixava, afora as terras e outros rebanhos, seria possível comprar dezenas de livros. Naquele tempo, os objetos de papel impresso davam respeito e distinção, criavam uma aura de sabedoria e nobreza em torno dos seus afortunados donos.
            Não falarei das bibliotecas humanas, embora não deixe de mencionar os homens e mulheres que guardavam na memória centenas de narrativas da tradição oral e costumavam contá-las para platéias deslumbradas, geralmente crianças. Plantados em suas casas, no fundo de uma oficina ou quintal, ou então viajando pelo mundo, pernoitando em engenhos e fazendas, esses guardiões da memória se assemelhavam aos personagens que em outras culturas foram responsáveis pela criação e divulgação de contos, poemas e epopéias mais tarde fixados em livros como Mahabharata, Ramayana, Epopéia de Gilgamesh, Ilíada, Odisséia e várias narrativas bíblicas.
            Falemos das bibliotecas em malas. Também essas exerciam grande fascínio sobre mim, mas deslumbravam, sobretudo, as pessoas humildes moradoras do campo. Nos dias de feira, era comum assistir-se o espetáculo de um vendedor pondo uma lona ou uma esteira de palha no chão, espalhando sobre ela dezenas de livrinhos impressos nas tipografias, em papel barato de jornal, com capas ilustradas por xilogravuras. Tratava-se dos folhetos de cordel ou versos de feira, como também eram chamados.
Para atrair compradores, o vendedor punha alguma coisa extravagante no meio dos cordéis: um tatu, uma serpente, a caveira de um jumento… Formado o círculo de curiosos, ele anunciava os títulos das obras, geralmente com um subtítulo: “Não deixe de comprar O amor de um estudante ou o poder da inteligência; O mundo pegando fogo por causa da corrupção; Vida, Tragédia e morte de Juscelino Kubistchek; O sofrimento do povo no golpe da carestia; Os homens voadores da Terra até a Lua; A filha do bandoleiro; Peleja de Serrador e Carneiro”… Depois escolhia o folheto mais instigante e começava a cantá-lo ou recitá-lo. O ator vendedor sempre possuía boa voz, movia-se com desenvoltura no pequeno palco, provocava a plateia, criava suspense, fazia rir e chorar e intuía com precisão o que as pessoas desejavam ouvir.
            Durante décadas os folhetos representaram os best-sellers das populações pobres do nordeste do Brasil. Mesmo quem não sabia ler comprava os livrinhos, pelo gosto de tê-los guardados, ou na esperança de encontrar alguém que lesse para ele. Quando um visitante chegava a uma casa modesta do interior, depois do hospedeiro descobrir que o mesmo era letrado, ia lá dentro num quarto, arrancava de debaixo da cama uma mala de madeira ou sola abarrotada de livros – a biblioteca da família analfabeta escondida como um tesouro –, trazia os folhetos para a sala e suplicava à visita que os lesse.
            Tentei compreender as motivações das pessoas que guardam livros mesmo sendo incapazes de decifrar os sinais impressos nas suas páginas. O que significam para elas? Essa adoração da gente iletrada me parece de maior valor que a dos bibliófilos letrados. Há algo de sagrado nesse culto, o mesmo que se fazia aos Mistérios, àquilo que escapa ao conhecimento e à razão e por isso se reveste de outros significados.

Ronaldo Correia de Brito - é escritor e médico, nasceu em Saboeiro, Ceará, em 2 de julho de 1951. Foi escritor residente da Universidade de Berkley (Califórnia), participou de diversos eventos internacionais, como a Feira do Livro de Bogotá, o Festival Internacional de Literatura de Buenos Aires, o Salon du Livre de Paris e a Feira do Livro de Frankfurt. Sua carreira artística envolve as mais diferentes linguagens, como literatura, teatro e música. São de sua autoria O baile do menino deus (teatro), Lua Cambará (disco), Faca (livro de contos), Galiléia (Prêmio São Paulo de Literatura), Estive lá fora (romance) e O amor das sombras (contos).






quinta-feira, 18 de maio de 2017

Meu poetinha querido

SONETO DE SEPARAÇÃO
Inglaterra , 1938

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

Vinicius de Moraes
Oceano Atlântico, a bordo do Highland Patriot, a caminho da Inglaterra, setembro de 1938

O poetinha Vinicius de Moraes



terça-feira, 16 de maio de 2017

Sarau na Pedra Só - Filme


SARAU NA PEDRA SÓ - Sarau de poesia na fazenda Pedra Só, retiro do poeta José Inácio Vieira de Melo. O evento aconteceu na noite de 17 de dezembro de 2016 e reuniu vários artistas ligados à palavra poética e à música, que recitaram seus versos e cantaram suas canções, em torno de uma aconchegante fogueira.


domingo, 14 de maio de 2017