sexta-feira, 31 de maio de 2019

Artepoesia

Arte de Maércia Santos

sexta-feira, 17 de maio de 2019

GEORGIO RIOS



VENTO

Ainda não aprendi a inventar o vento
sei voar em silêncio
as asas me crescem
quando menos preciso

Sei ser este pássaro secreto
que rasga os ares
e olhar o chão sem desprezo
sem o medo

Sei
apenas correr como o tempo
que não para, nem pretende
parar

Georgio Rios
Modus Operandi, Itabuna: Editora Via Litterarum, 2010.

Nascido em 1981, na cidade de Riachão do Jacuípe, BA, onde vive atualmente. Graduado em Letras com espanhol pela Universidade Estadual de Feira de Santana. Publicou uma coletânea de poemas em parceria com Paulo André e Thiago Lins, Só sobreviventes (Tulle, 2008). Em 2010, publicou o livro Modus operandi, um sucesso entre os leitores e a crítica literária brasileira. O autor jucuipense tem ainda poemas na revista eletrônica verbo 21 e em vários jornais e antologias literárias.

APERITIVO POÉTICO – Rádio Globo 90.5 FM Feira de Santana, no Papo de Sábado com PONDÉ, todo sábado 12 hs. 11/05/2019



quarta-feira, 24 de abril de 2019

OLAVO BILAC

APERITIVO POÉTICO

Para meus alunos e alunas das turmas de 2 ano dos cursos de Informática e Eletromecânica do IFBA campus Santo Amaro da Purificação / BA. Poesia de todos os estilos e épocas.

XXXI

Longe de ti, se escuto, porventura,
Teu nome, que uma boca indiferente
Entre outros nomes de mulher murmura,
Sobe-me o pranto aos olhos, de repente...

Tal aquele, que, mísero, a tortura
Sofre de amargo exílio, e tristemente
A linguagem natal, maviosa e pura,
Ouve falada por estranha gente...

Porque teu nome é para mim o nome
De uma pátria distante e idolatrada,
Cuja saudade ardente me consome:

E ouvi-lo é ver a eterna primavera
E a eterna luz da terra abençoada,
Onde, entre flores, teu amor me espera.

OLAVO BILAC



@APERITIVOPOETICO
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sábado, 20 de abril de 2019

NÉLIO ROSA


RESIGNAÇÃO

Tenho a clara impressão
de que nunca escaparei das pessoas:
as que odeio,
as que amo,
as outras.

Restam em mim
(como uma crosta):
sinais,
cicatrizes,
idiossincrasias.

Mesmo que me ignorem,
mesmo que a cabeça teime
com a sua razão inconsútil,
mesmo que me esqueçam,
eu não esqueço ninguém.

Caminho sempre
entre muitas diferentes sombras
e a paisagem não tem cura.

Nélio Rosa
O terno do meu avô e outros poemas. Feira de Santana, 2005.

APERITIVO POÉTICO – Rádio Globo 90.5 FM (Feira de Santana), no Papo de Sábado com Pondé, todo sábado, 20/04/2019, 12 hs.




sábado, 13 de abril de 2019

ANNE CERQUEIRA

Poema

Me invade uma felicidade calma
 - vinda daquela chuva –
que o nome pelo qual me chamam
já nem parece meu.

(Um deus a refletir no meu rosto
minha alma reecontrada).

E se não faço uma canção
tão suave quanto o céu – ao sol posto - ,
que me baste a intenção toda azulada.

Anne Cerqueira
Nascida em Feira de Santana. Anne Cerqueira é formada em Letras pela Universidade Estadual de Feira de Santana. Atua na área de jornalismo (TV Subaé) e tem textos literários publicados em várias antologias, revistas e jornais. Nos anos 90, foi incluída pelo escritor Assis Brasil, na coletânea nacional A Poesia Baiana do Século XX.

APERITIVO POÉTICO – Rádio Globo 90.5 FM (Feira de Santana), no Papo de Sábado com Pondé, todo sábado, 13/04/2019, 12 hs.


sábado, 30 de março de 2019

ROBERVAL PEREYR



Trajeto

Vou pelos becos do meu país
e descubro que sou do mesmo sangue
dos inconvidados.

Os governos me marginalizam,
a paisagem suja meu semblante
de fuligem
                        e fraude.

Dou adeus às damas iludidas,
aos vagabundos tristes, à loteria
e desato em duzentas gargalhadas.

Roberval Pereyr
Do livro Amálgama, 2004.
  
Nascido em 1953, na cidade de Antonio Cardoso / BA, Roberval Pereyr é poeta, professor aposentado da Universidade Estadual de Feira de Santana e co-fundador da Revista Hera. Vencedor de vários concursos literários, a exemplo do Prêmio da Academia de Letras da Bahia (2011) e do 2º Prêmio Brasília de Literatura. Tem poemas publicados em antologias nacionais e estrangeiras e mais de 10 livros publicados. Autor também de ensaios literários.


APERITIVO POÉTICO – Rádio Globo 90.5 FM (Feira de Santana), no Papo de Sábado com Pondé, todo sábado, 30/03/2019, 12 hs.





domingo, 24 de março de 2019

JOÃO VANDERLEI DE MORAES FILHO



Concerto marginal para meninices

Um ferreirinha engaiolado
anunciava a presença de meu avô
chegado do sertão.

Pelo corredor comprido,
corria o cheiro pilado de café,
matando minha gula
com toda poesia e tempo
que pendulava
                             coisas ao vento.

Pelo mesmo corredor,
pedras debruçadas me livravam velozes
das certezas da noite...

Subitamente, solfeja o ferreirinha libertário,
e lembrança de outras coisas
se nutrem do menino descalço,
sem Matriz definida.

João Vanderlei de Moraes Filho

Poeta, Professor, Gestor Cultural com experiência no poder público e terceiro setor, educador e poeta. Graduou-se em Letras Vernáculas / Literatura Brasileira pelo Instituto de Letras da UFBA (2003). Mestre e doutorando em Cultura e Sociedade pelo Programa Multidisciplinar em Cultura e Sociedade do Instituto de Humanidade Artes e Ciências Milton Santos da UFBA. Pesquisador em formação do CULT (Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura) onde investiga enlaces entre cultura e desenvolvimento no campo das políticas culturais para promoção e acesso ao livro e leitura no espaço cultural latino-americano, em especial Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e México. Fundou, em 2005, a Casa de Barro Cultura Arte Educação, em Cachoeira, onde coordena o Caruru dos Sete Poetas: Recital com gostinho de dendê. Publicou:  Pedra Retorcida – Prêmio Braskem de Cultura e Arte / Fundação Casa de Jorge Amado, Salvador, 2004 (www.pedraretorcida.blogspot.com); Portuário – Edição Especial para o X Festival Internacional de Poesia de Cartagena de Índias – Portuário Atelier Editorial, Coleção Oju Aiye v. 01, Edição Bilíngue. Trad. John Galan Casanova, Cartagena, 2006; Em nome dos raios – Expressão Editora, Fortaleza, 2009. (www.emnomedosraios.blogspot.com); Ainda o mar – Portuário Atelier Editorial, Buenos Aires, 2011. (www.aindaomar.blogspot.com).


APERITIVO POÉTICO – Rádio Globo 90.5 FM (Feira de Santana), no Papo de Sábado com Pondé, todo sábado 12 hs.



quinta-feira, 21 de março de 2019

RAFAEL RODRIGUES: o cronista



A literatura e seus efeitos
Um livro pode causar as mais diversas sensações em uma pessoa. Inclusive sensação nenhuma. Mas não vale a pena falar desse caso.
Um livro pode, inclusive, mudar a vida de uma pessoa. Fazer com que ela veja de uma maneira mais clara as coisas ao seu redor. Pode fazer com que uma pessoa aprenda mais sobre si mesma e encontre finalmente o seu caminho. Ou pode, e muitas vezes é bom que isso aconteça, fazer com que alguém perca completamente seu rumo e repense toda a sua vida até ali. Um livro pode fazê-la perceber quão incompleta fora sua trajetória até o instante em que finalizou a leitura daquela obra.
(Não, não estou exagerando. Não são devaneios. Tudo isso é possível e já aconteceu com muita gente. Eu que o diga.)
O escritor argentino César Aira disse, em uma das mesas da Flip de 2007, não exatamente com as palavras a seguir, que não aconselha ninguém a se aproximar da literatura. Muito pelo contrário: ele gostaria que as pessoas se afastassem dos livros, da literatura, porque ela, a literatura, faz com que o homem mergulhe em si mesmo e se torne um ser solitário, recluso, e até mesmo triste, melancólico.
Quando ouvi a declaração de Aira, fiquei incomodado. A literatura, para mim, é justamente o contrário disso. O ato de ler, no caso. Porque quando você lê uma obra, você quer comentar com alguém sobre ela, tendo gostado dela ou não. O fazer literatura, concordo, provoca mesmo tudo aquilo em um escritor ou escritora.
Ouvi a declaração de Aira e pensei em mim. A literatura me fez acordar, me fez descobrir o que realmente quero para a minha vida. A literatura me deu bons amigos, me deu vontades e ambições.
Depois da mesa, que também contou com o brasileiro Silviano Santiago, houve uma sessão de autógrafos. Munido de um exemplar de As noites de Flores, aboletei-me na fila. Quando chegou a minha vez, eu disse para o Aira, gaguejando e tentando ser o mais simpático e bem-humorado possível, que a literatura me fez sair da Bahia e ir a Paraty, e agora estava ali, pedindo um autógrafo a ele.
Aira sorriu, agradeceu, e não lembro se disse que só queria provocar um pouco a plateia. Acho que não, mas é bom lembrar desse jeito.


Rafael Rodrigues é escritor, copidesque e resenhista. Nasceu em 1983, em Feira de Santana, Bahia, onde vive. Tem resenhas, artigos e contos publicados em diversos veículos, como as revistas  Brasileiros e Conhecimento Prático Literatura, o Suplemento Literário de Minas GeraisSuplemento PernambucoRevista da Cultura e o jornal Rascunho. É autor dos livros “O escritor premiado e outros contos” (Multifoco, 2011) e “Mais um para a sua estante” (Casa Impressora de Almería, 2017, crônicas). Participou das antologias “O livro branco – 19 contos inspirados em músicas dos Beatles + bonus track” (Record, 2012) e “Tardes com anões” (Vento Leste, 2011, minicontos). Atualmente, mantém o blog Paliativos, edita a revista eletrônica de contos Outros Ares e eventualmente escreve para o site Huffington Post Brasil.

quinta-feira, 14 de março de 2019

RICARDO NONATO


ORÁCULO (16.07.18)

Entre poetas não há enganos.
Sobre o que escrevem
É consenso o segredo.

Sobre o passado
Dirão apenas
Que o presente é preguiçoso
E incomoda o futuro.

Os poetas sabem dividir medos
E possuem estratégias para acalmar
E a incerteza das descobertas.

Sabem chorar, mas esquecem
Nuvens carregadas de chuva
Bem fundo no coração.

Entre poetas não há enganos
Impossível fingir
Palavras novas.

Ricardo Nonato é professor de Literatura, pesquisador, artista visual e editor do periódico Círculo Poético de Xique-Xique, desde 2011. Em 2016 criou o selo de arte Casa de Vento, através do qual vem editando seus livros e outras aventuras. Publicou artesanalmente pela Casa de Vento “Cântico de Quitéria” (2017), com xilogravuras do autor e “Beleza Oculta” (2018).

quinta-feira, 7 de março de 2019

CECÍLIA MEIRELES


MOTIVO

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

Cecília Meireles
http://academia.org.br/artigos/inedito-de-cecilia-meireles

terça-feira, 5 de março de 2019

JOVINA SOUZA



MAIS UM CAMPEÃO DE AUDIÊNCIA

“O amor não está” esse é o título do próximo livro da professora, escritora e critica literária Jovina Souza, a publicação poética traz a chancela da Editora Òmnira e que tem assessoria capitaneada pelo jornalista, editor e escritor Roberto Leal, que já apresenta ao público leitor o segundo título do Selo Editorial nesse ano de 2019, com promessa de muita literatura negra elevando essa caminhada de luta e de resistência cultural.
“O amor não está? Como assim? Tudo no mundo capitalista anuncia o amor: o amor erótico, o amor fraterno, o amor maternal, o amor filial, o amor paternal. E, como não podia deixar de ser, o amor maior, que é o amor de Deus. A primeira visão do livro pode ser apocalíptica. Ao leitor que, entretanto, se debruce sobre a lírica denunciante da poeta que tem vida e veias militantes conceberá que a crítica ao ideal do amor, não nascido, mas alimentado pelo capitalismo não elimina os afetos necessários para a vida que se vive aqui entre sangue pedras, lamas e sementes” (da apresentação).
Após o Carnaval você pode já reservar o seu exemplar pelo telefone (71) 98723-3364 direto com a autora Jovina Souza, com quem você leitor pode também interagir segundo as suas obras anteriores “Agdá” e no “Caminho das Estações”.

Fonte: ASCOM/Revista Òmnira
Capa arte: Moustafa Assem

domingo, 3 de março de 2019

ENTRETELAS: um blog sobre a novela brasileira

Sobre a autora


A Professora Doutora Alana de Oliveira Freitas El Fahl (UEFS), que participou do Programa “Papo de Sábado com Pondé” (Rádio Globo 90.5 FM Feira de Santana), coordena um do grupo de pesquisa intitulado “Janela de Tomar” que se dedica aos estudos sobre intertextualidade, e parte dessas leituras aparecem em seu Blog “Entretelas”. “Leitora e telespectadora apaixonada por narrativas”, como afirma em seu blog, “desde criança aprecia a magia dos bons enredos, aprendeu o poder do “pó do pir lim pim pim” no Sítio do Picapau Amarelo e daí em diante jamais abandonou o poder encantatório das boas tramas no papel ou nas telas”. Alana estabelece muitos diálogos entre a Literatura e as novelas da nossa televisão. Leia os artigos da professora Alana Freitas em seu blog


sábado, 2 de março de 2019

LANDE ONAWALE



Genocida

a polícia sabe onde atirar
não é no alvo...
a mira é um ponto preto
colado em sua própria retina

Ditadura branca

no brasil, a ditadura
nunca se extinguiu
para a gente de pele escura:
a antilei
o falso indício
o sumiço
                             a tortura

(poemas publicados em Cadernos Negros, volume 39, São Paulo: Quilombhoje, 2016)


Saiba mais sobre este poeta baiano no site do Projeto OXE: portal da literatura baiana contemporânea (IFBA campus Santo Amaro)



sexta-feira, 1 de março de 2019

CASTRO ALVES E O DIA NACIONAL DA POESIA

Em 14 de março, comemoramos o Dia Nacional da Poesia. Essa data foi escolhida para homenagear o nascimento do poeta baiano Castro Alves, grande expoente do movimento literário conhecido como Romantismo que aconteceu no século XIX. Para saber mais sobre esse adorável poeta brasileiro, acesse o site da Academia Brasileira de Letras. 

Castro Alves (Antônio Frederico), nasceu em Muritiba, BA, em 14 de março de 1847, e faleceu em Salvador, BA, em 6 de julho de 1871. É o patrono da cadeira n. 7, por escolha do fundador Valentim Magalhães. Era filho do médico Antônio José Alves, mais tarde professor na Faculdade de Medicina de Salvador, e de Clélia Brasília da Silva Castro, falecida quando o poeta tinha 12 anos, e, por esta, neto de um dos grandes heróis da Independência da Bahia. Por volta de 1853, ao mudar-se com a família para a capital, estudou no colégio de Abílio César Borges, futuro Barão de Macaúbas, onde foi colega de Rui Barbosa, demonstrando vocação apaixonada e precoce para a poesia. Mudou-se em 1862 para o Recife, onde concluiu os preparatórios e, depois de duas vezes reprovado, matriculou-se finalmente na Faculdade de Direito em 1864. Cursou o 1º ano em 1865, na mesma turma que Tobias Barreto. Logo integrado na vida literária acadêmica e admirado graças aos seus versos, cuidou mais deles e dos amores que dos estudos. Em 1866, perdeu o pai e, pouco depois, iniciou apaixonada ligação amorosa com atriz portuguesa Eugênia Câmara, dez anos mais velha, que desempenhou importante papel em sua lírica e em sua vida.



Oh! Eu quero viver, beber perfumes
Na flor silvestre, que embalsama os ares;
Ver minh’alma adejar pelo infinito,
Qual branca vela n’amplidão dos mares.
No seio da mulher há tanto aroma...
Nos seus beijos de fogo há tanta vida...
Árabe errante, vou dormir à tarde
À sombra fresca da palmeira erguida.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

APERITIVO POÉTICO: antologia sergipana

Antologia Poética publicada pela Funcaju, Aracaju, Sergipe, 2000.


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

APERITIVO POÉTICO

Meu quadro “Aperitivo Poético”, um pouco de poesia para nossas vidas, será transmitido por duas emissoras:
TODO SÁBADO, 12hs, pelo "Papo de Sábado com Pondé" (Feira de Santana / BA), programa apresentado pelo jornalista Elsimar Pondé, na Rádio Globo 90.5 FM.
TODA QUARTA, 7hs, pela Voz do São Francisco (Rádio Web Voz do São Francisco / Propriá - SE) programa apresentado pelo jornalista e professor Claudomir Tavares. 


segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Blog do escritor alagoano Ronaldo Pereira de Lima

Eu indico a leitura do blog do escritor Ronaldo Pereira de Lima. Escritor e professor com forte atuação na cidade de Porto Real do Colégio (AL).



domingo, 17 de setembro de 2017

EPIFANIA


Epifania
Para Antonio Brasileiro

Um Buda sentado
sobre meus ombros
medita a leveza da morte.

Vestindo roupas trançadas de pedras
um Buda leve caminha sobre as águas
dos meus pensamentos.

Sobre meus ombros
um Buda escreve
poemas esconsos.

In: Lucidez Silenciosa (2005)

sábado, 16 de setembro de 2017

TRÊS POEMAS DE JECILMA LIMA

Jorge Galeano / http://jorgegaleano.blogspot.com.br


Gostaria de ser rio

Eis o meu alento e meu segredo
Ser a ponte sobre o rio
Ser a pedra e o chapéu que esbarra nela.
Decifrável alegoria
que traz ao coração dos homens
lembrança de pulmões cheios d’água
e olhares elevados de suicidas.

Estamos todos tão distantes...

A água já nos chega aos joelhos
E nós nem nos abraçamos.
Nos abracemos, amiga
antes que, incapazes do gesto
nos tornemos de um sorriso marmóreo,
repleto desta cegueira incurável.

Gostaria de ser rio
Mas sou irrecuperável.


Entre vista


Quanto às coisas que em mim ardem,
É tudo que me toca mais fundo.

Quanto a tudo no mundo que me encanta
Ou comove,
              Ou destrói
É essa dor de mil anos
Este estar só, no centro.

E quanto a estranheza mesmo da morte
É a sua atração que me move.


Enquanto espero

Brinco de compor estrelas
Estou naqueles dias
Em que não consigo ser para mim apenas
E escapo ao controle.

Afogo um mundo em pequenas dores
E me desconheço
Grandiloquente e tola.

Estou naqueles dias
E, enquanto espero
Espalho astros pela janela.


JECILMA LIMA é feirense, poeta, contista e pesquisadora de literatura e cultura. Participou da coletânea de poesia “SETE FACES”, publicada pela UEFS, e foi vencedora do I concurso Literário Bahia de todas as Letras, da editora Via Litterarum, na categoria conto, com “Um coração de coelho”. É professora do IFBA – Campus Santo Amaro, onde coordena o Núcleo de Arte e Cultura.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Memórias da Flipelô 2017



09/08/2017 / FLIPELÔ

Estive na Flipelô 2017. Fui convidado pelo curador José Inácio Vieira de Melo para recitar meus poemas no Café Teatro Zélia Gattai ao lado dos poetas Igor Fagundes (RJ) e Walter César (BA). Tudo seria exatamente igual a tantos outros eventos literários que já fui se não fosse por este inesquecível episódio. Estive ao lado de Maria Bethânia. Falei com Maria Bethânia. Abracei Maria Bethânia. Na abertura do evento, emoldurados pela beleza silenciosa da Igreja de São Francisco, tive a alegria de ver, ouvir e sentir Maria Bethânia cantando, declamando e orando as belezas textuais em versos e prosas da riquíssima literatura brasileira. Após seu recital-oratório-declamativo-show, Maria Bethânia recebeu com imensa ternura muitos que buscaram seu abraço, sua voz, seu olhar ainda no camarim. Coisa linda foi quando luz faltou e Maria Bethânia serenamente entoou um canto solene para aconchegar o ambiente e seus convidados. A candura de sua voz dissipou a escuridão da noite e iluminou tudo, inté nossa alma. E ficamos inundados, mais uma vez, pelo seu sopro poético e fomos acolhidos pelo manto de sua calorosa simpatia. Aquela cena parecia um sonho. Parecia um poema de Castro Alves. Parecia um romance de Jorge Amado. Aquela voz que ouvi nos tempos de menino lá em Propriá na casa do amigo Mário Roberto, agora ecoava eternamente perto de mim, e dentro, e mais além. Atravessando meu ser. Alumiando as casas do meu coração. Viva em cores e corais. Palavras e notas musicais. Santos e poetas, clássicos e populares, poemas e canções. Tudo divinal. Magia pura, encanto sublime. Aguardei e cheguei. Abracei e disse com voz trêmula: “A senhora inspirou minha vida.” E ela, Maria Bethânia sorriu. Que mágico. Que sonho. Que alegria. Aquela noite jamais acabará... porque Maria Bethânia é poesia para toda minha vida.

Feira de Santana, 11 de setembro de 2017.


09/08/2017 / FLIPELÔ


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

RUY ESPINHEIRA FILHO

Soneto de Julho

É muito tarde para não te amar.
Tudo o que ouço é o sopro do teu nome.
O que sinto é teu corpo, que consome
- presente, ausente - o meu corpo. Luar 

em que me abraso, morro: teu olhar
ofuscando memórias, onde some
um mundo, e outro se ergue. Sede, fome
e esperança. Ah, para não te amar 

é tão tarde que tudo é já distância,
que só respiro este luar que me arde,
este sopro sem praias do teu nome, 

esta pedra em que pulsa e medra a ânsia
e esta aura, enfim, em que me envolve (é tarde!)
o que és - presente, ausente - e me consome.

Ruy Espinheira Filho
Poema publicado na Revista da Academia de Letras da Bahia, setembro de 2014, n 46.




domingo, 3 de setembro de 2017

Os sofrimentos do jovem Werther


Um livro formidável. Uma narrativa envolvente em linguagem de cartas. Um romance epistolar. Foi muito prazeroso conhecer os acontecimentos que envolvem a vida do jovem Werther e seu amor pela jovem e bela Lotte. Amor impossível, eterno tema romântico de todos os tempos e lugares. Ouvir as reflexões e diálogos sobre o suicídio entre Werther e Albert. São muitas as possibilidades de sedução que este livro apresenta. Descobrir a literatura de Ossian através das leituras de Werther, sim, pois ele é um grande leitor durante toda a narrativa. Homero, Ossian, Lessing e outras leituras citadas ao longo da narrativa. Um livro poderoso de Goethe. Um clássico não somente da literatura alemã, mas de toda a literatura universal. A solidão, o amor, a morte, a traição, o suicídio, a desilusão amorosa, a amizade e tantos outros valores e sentimentos atemporais perpassam todas as 181 páginas deste formidável e atraente livro que atravessa séculos encantando e atraindo leitores de todas as idades e paixões.