quarta-feira, 3 de novembro de 2021

JOSÉ ALBERTO AMORIM: LIVRO DE MEMÓRIAS

 


LANÇAMENTO EM ARACAJU 

O professor e escritor sergipano José Alberto Amorim lançará seu livro “Um batim nas memórias de um menino propriaense” na Biblioteca Pública Estadual Epifânio Dória.

Onde: Aracaju

Quando: 4 de novembro de 2021

Horário: 16h

 

Com muita propriedade tece ele com maestria e simplicidade reais acontecidos arquivados em nossas memórias, saboreando histórias de períodos que não voltarão jamais.             

         Tendo o professor abraçado os livros ainda jovens, enveredou Amorim a aprender e ensinar, onde labuta como exemplar mestre nos dias atuais.

         Das primeiras letras aos batentes das Universidades, sempre se destacou na forma do aprender, chegando a optar por História, onde é referência como historiador. Invade com desenvoltura a África, a qual costuma chamar de mãe; defensor da igualdade racial, com visão ampla na política social, tendo conhecimento nos fundamentos religiosos, chega agora Amorim dizendo à mãe Lusa de Camões a que veio e mostrando nos seus ‚alfarrábios a riqueza de tê-los nas bibliotecas e em uma boa estante.

Trecho do Prefácio de Iokanaan Santana.

 


quarta-feira, 20 de outubro de 2021

UMA LEITURA DO ROMANCE DE TATIANA COSTA VALVERDE

 

O romance “Tonho” é literatura para reconquistar a vida.

 

“Tonho estava passando seus piores dias. As pessoas comentando seu jeito de ser, e o incômodo do seu ser era maior do que os alheios comentários.” (p.15)

Fui acompanhando os dias da vida de Tonho através de 130 páginas de uma história envolvente sobre a complexa existência humana e revendo a nossa própria condição de fragilidade pela voz de uma narradora apaixonada em contar esse drama que muitos conhecem na própria pele e outros ignoram: o sofrimento psíquico. Um livro que me conquistou nas primeiras páginas, depois de sentir que precisava saber qual seria o destino de Tonho, não para julgá-lo pela verdade do meu espelho, mas para descobrir o quanto de Tonho carrego em meu ser e quantos outros “Tonhos” passam pela minha estrada. Assim, passei vinte dias lendo “Tonho”, primeiro romance publicado pela jovem escritora feirense Tatiana Costa Valverde, e buscando conhecer os mistérios de Deus e da Natureza pelos diálogos filosofais que tecem a trama da narrativa.

Conhecer a trajetória do jovem sertanejo Tonho e seu cavalo Donato (amigo e confidente) é revisitar os espaços interrogativos da alma humana em toda sua múltipla possibilidade de existir e resistir.  A escritora Tatiana Valverde nos conquista com uma narrativa de linguagem fluente, frases curtas, cortes cinematográficos entre o exterior da paisagem sertaneja e o interior das divagações do pensamento e sentimento das personagens que travam suas lutas com as dores da vida. Tatiana é também poeta e, por isso mesmo, soube tecer em seu romance uma linguagem descritiva intercalada com aquelas lâminas poéticas que atravessam os textos narrativos de autores como Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Adonias Filho e Aleilton Fonseca.

“Mas não se vê muitas vezes o amor. Não por maldade, mas por desvio. Às vezes, bate um desvio sobre o ser, que toma tudo o quanto é razão. Até leva a razão de viver. Tem-se que ter grande atenção para essas coisas. As vistas ficam turvas, de vez em quando, o coração esvazia, a alma parece nem mais estar no corpo, e o corpo, que o corpo? Um monte de ossos, em carne, com umas veias trazendo e levando sangue não sei para onde. E o comer vira fardo. Se aquiete, porque é momento de angústia, diga-se de passagem, muito triste, quando a mente dana a ser mais que você, na plena mocidade, na plena manhã, te dando ordem de parar, ou ordenamento de não ter para aonde ir...” (p. 27-28)

Além dos amplos diálogos com Donato, Tonho também tem um caderno para escrever sua vida como se tivesse consciência de que sua história deve ser anotada para não cair no esquecimento do tempo. O romance apresenta uma escritora que transforma a própria escrita (dela e de Tonho) numa atividade terapêutica como sempre apontaram outros poetas, filósofos e psicólogos. Escrever para não morrer. Ler para renascer pela vida dos outros ou como disse o poeta Manoel de Barros “Mas eu preciso ser Outros”. A literatura sempre como uma reconquista da vida.  

Tonho, seu cavalo Donato, sua mãe e sua irmã formam a primeira parte da história que caminha muito mais pelos vazios da vida, páginas de muita melancolia. O pai é ausência, uma ferida que repercute no coração de Tonho como no de tantos filhos e filhas que são “carentes de pai” nesse tão duro sertão-Brasil.

“Na roça, no Sertão Nordestino, moram Tonho, a mãe Dona Maria, e a irmã Dorinha. A casa, a mesma onde os filhos nasceram e cresceram, é a que viu Jovelino largar o filho aos dois anos de idade e a filha com seis meses de nascida. Sem motivo ou explicação dada à mulher, a casa não mais o viu. E assim cresceram os irmãos, entre nós e apegos, entre afagos e afetos, correntes e desesperos, espinhos e lágrimas, entre os rios que correm nas veias de Tonho.” (p. 14)

Uma história contada por uma narradora que vai envolvendo cada leitor pelo interesse e pela solidariedade, sentimento tão faltoso nos dias atuais, que nos faz abraçar a vida e o drama de Tonho e sua família.

Mas, como todo sertão é travessia, como bem nos ensinou Guimarães Rosa, o ser de Tonho também precisa atravessar as dores, os vazios, a solidão, a violência do olhar do outro, a falta de afeto de um mundo seco de empatias e tantos outros espinhos espalhados pela paisagem e pelas línguas ferinas, para depois esperançar por uma nova vida. Clara é amor. E o amor é também uma porta de salvação para si mesmo e para o outro.   

Não quero revelar demais as riquezas da odisseia de Tonho pelo sertão de si mesmo. Digo apenas que foi encantador pegar também meu cavalo de barro imaginário e cavalgar com o “filho de Maria” pelas veredas tão sombrias e claras, tão tristes e alegres, tão solitárias e solidárias que somente a literatura pode nos levar para conhecer nossa alma através dessas almas quase tão reais. Tatiana Costa Valverde entrega aos seus leitores e leitoras uma história de grande força existencial, de lirismo, de ternura, de valentia e conquista. Afinal de contas, “viver é muito perigoso”, num é Riobaldo?

E Tonho, assim como tantos personagens da ficção e da realidade, sabe que é preciso renascer de corpo e alma para continuar no sertão e seguir os passos da leveza que o amor e a amizade podem sempre nos ofertar.

“Depois de tanto tempo, Tonho seguiu os passos da leveza. Por instantes esqueceu-se do vazio que inundava a alma. Solidão. Angústia. Tinha um outro sertão além do que estava imerso. E era sertão leve. Com cheiro de alfazema. Claro. Nítido. Límpido. Ingênuo. Seria Clara, talvez, clareando as ideias e os espinhos.” (p. 77)

 

Tatiana Costa Valverde. Tonho. Editora Mondrongo, 2018. Prefácio de Aleilton Fonseca.

 

Cleberton Santos

Feira de Santana, 19 de outubro de 2021.






segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

IDMAR BOAVENTURA: um poema inédito

 

Ce la vie

 

queria apenas teu retrato

a branca mancha do sorriso

mas nem me restou o vazio

só me restou a falta

só me ficou a culpa

de não ter chegado a tempo

da fotografia

 

(poema de livro inédito)

 


Idmar Boaventura é natural de Feira de Santana, mas reside em Conceição do Jacuípe. Professor de Literatura e leciona na Universidade Estadual de Feira de Santana. Graduado em Letras pela UEFS, onde também cursou o mestrado de Literatura e Diversidade Cultural. Doutor em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Tem poemas publicados em jornais, revistas e antologias da poesia baiana. Publicou “O desossar (d)as horas” (2004) e “A outra Margem” (2008). Em 2011, publicou um estudo acerca da poesia de Roberval Pereyr, intitulado “Dissonâncias diante do espelho: o homem e seus duplos”.

http://oxe.insix.com.br/idmar-boaventura/

http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/bahia/idmar_boaventura.html

 



quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

ALANA FREITAS EL FAHL: uma crônica inédita

 

                                                                  Aproveita

 

                                                                                  “A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros

Vinha da boca do povo na língua errada do povo

Língua certa do povo

Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil.”

 

Manuel Bandeira

 

 

A linguagem e seus códigos infinitos e misteriosos sempre me impressionaram desde criança. Pensava muito sobre o nome das coisas: Por que mesa é mesa? Por que bolo é bolo? Por que azul não é rosa? Quem inventou isso um dia? Com o passar do tempo esses pensamentos só se adensaram. Quando descobri que existiam outras línguas que não só a nossa a curiosidade só aumentou. Lembram-se das brincadeiras infames “fale pescoço em francês”? Que absurdo um palavrão!

Aliás, palavrão na infância é um capítulo a parte da nossa língua. Depois da primeira infância com sua escatologia peculiar, que me abstenho de aqui repetir, avançamos para outra esfera. Éramos três meninas em casa com um pai que xingava muito  e uma mãe que nos proibia de dizer nome feio. Entre nós três, o desaforo preferido eram os nomes de cobras, tão suaves e femininos: Cascavel, Surucucu, Caninana, Naja, Sucuri. Mas quando o pau quebrava mesmo, saia o inominável “Sai da frente Espelho sem luz” que era uma ofensa gravíssima para o desespero de nossa mãe.

Mais tarde descobri e me apaixonei perdidamente pela etimologia, a possibilidade de descobrir a origem das palavras é mesmo fascinante. Sou apaixonada por prefixos e sufixos e isso me salvou muitas vezes na compreensão de alguns termos. Sobretudo, os resultados de exames e termos técnicos de várias áreas que mais se parecem com um código secreto e indecifrável. Adoro o capítulo da gramática que trata do processo de formação das palavras e aquela lista de pedacinhos gregos e latinos que se casam e dão sentidos incríveis à língua e ainda se juntaram no Português brasileiro com termos africanos e indígenas, nossa geleia geral.  Com os dicionários então tenho um caso de amor, não me canso de folheá-los aleatoriamente e descobrir uma palavra nova, ou verificar aquela quinta acepção de um termo que é o que se encaixa naquilo que a gente leu, diferentemente da primeira, mais fácil e comum.

Mas na verdade nenhum manual dá conta da dinâmica da linguagem. Ela é viva e se realiza na língua do povo, “na língua gostosa do povo”, na sua semântica movente, que faz bárbaro, sinistro e “da porra” virarem elogios. Aliás esse último é de uma polissemia incontornável e se encaixa em várias classes gramaticais que vão do substantivo à interjeição. Dentre um dos seus usos que mais me impressionam está a expressão: “Boa porra”! Ela desestabiliza qualquer conversa. Você diz: Hoje encontrei fulano! Seu amigo responde com aquela entonação de desprezo: - Boa porra!  Não precisa dizer mais nada, para ele esse alguém é um ser desprezível E sem salvação. Acontece também quando você quer enaltecer algum feito: Fulaninho se formou, foi para Europa, casou... E alguém devolve de lá: Boa porra! Fim de papo, não há mais como continuar esse diálogo.

Agora esse “bolodoro”, esse “trololó”, esse “cerca Lourenço” todo é porque eu quero falar de outra expressão, que na verdade é uma teoria:  Teoria do Aproveita. Uma das mais complexas que existem e tenho certeza que todos a utilizam de alguma forma ou já foram vítimas de sua sofisticada teia. Ela faz com que você acredite que fazer um grande favor para o outro é muito bom para você. Na verdade é a teoria do se aproveita. Vejamos algumas de suas aplicações:

Quarto do casal à noite, um levanta para ir ao banheiro ou cozinha, o cônjuge deitado (substantivo sobrecomum de propósito, pode ser um dos dois), que parecia estar à espera daquele momento, imediatamente dá o bote: --Aproveita que você levantou e traz um chá para mim. Aproveita e traz um pedaço de bolo, traz duas laranjas, um prato e uma faca e vê se a luz da garagem ficou acesa... Saia logo, a lista pode aumentar...

Você diz que vai a São Paulo alguém logo se pronuncia: - Aproveita que tu vai, tem uma loja na Vinte e Cinco de Março, facílima de achar, que tem um  creme de cabelo ótimo, você vai adorar, traz um para mim e  a gente acerta. E lá vai você viajar pensando no maldito creme e se sentido culpada de dizer não para um favorzinho tão simples. Se a viagem for internacional então, pule fora, se esconda por um tempo, não anuncie, vai rolar listas, marcas, lojas, dicas, tudo baseado na Teoria do Aproveita.

Eu tenho uma tia, especialista nessa teoria, e como ela conhecia gente nos quatro cantos do Brasil era um perigo falar na frente dela que você ia em tal lugar: Ah, você vai na Paraíba? Vai levar um requeijão para minha comadre Neuza e ainda sugeria que a gente visitasse amigas íntimas que só ela conhecia em nome dela. E lá ia a vítima com um bocapiu a mais na bagagem.

As situações são muitas e se multiplicam, você vai a uma consulta médica e alguém pede para você fazer uma pergunta sobre o problema dele. Vai ao Supermercado Baratão? Aproveita e traz um shampoo anti-caspa para mim que só tem lá. Vai à farmácia, ao menos um band aid vão te pedir. Essa teoria é uma boa porra... Agora corra mesmo se alguém começar a conversa com: Eu nunca te pedi nada! Corra porque é barril, roubada, bucha, saia-justa, roleta, esparro, boca de...

(Crônica do livro inédito)


A escritora e professora Alana Freitas El Fahl

Alana Freitas El Fahl, nascida e criada em Feira de Santana. Professora Titular de Literatura Portuguesa e Brasileira da Universidade Estadual de Feira de Santana. Autora dos livros “Singularidades Narrativas: Uma leitura dos contos de Eça de Queirós” e do livro de crônicas “Nós que apagamos a lua”, criadora do blog “Entretelas” no qual analisa novelas, séries e filmes à luz da Teoria Literária. @entretelasblog


Livro publicado em 2018.
 


quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

DIA DO LEITOR: Projeto OXE de Literatura Baiana Contemporânea

 

Hoje, 07 de janeiro, comemora-se o Dia do Leitor. Nada mais justo para celebrar este dia do que Homenagear o “Projeto OXE: literatura baiana contemporânea”, grande mediador na formação de leitores e leitoras e no estudo e divulgação da vasta Literatura Baiana. Desenvolvido desde 2014, no IFBA campus Santo Amaro, sob a orientação da Professora Doutora Maria das Graças Meirelles, este projeto realiza ações de extensão e pesquisa sempre voltadas para estimular o potencial da Leitura, Educação e Cultura na comunidade. Entre as inúmeras ações do Projeto, destaco aqui o “Portal OXE” que apresenta a produção literária de mais de 100 escritores e escritoras da Bahia.


 http://oxe.insix.com.br/


 “O Portal OXE é uma das ações de mediação leitora do projeto OXE: literatura baiana contemporânea  que ocorre no IFBA, campus Santo Amaro, desde 2014. A criação do portal foi motivada pela necessidade de ter disponível um acervo que possibilitasse acesso a textos literários de autorxs baianxs de gerações distintas e gêneros diversos, voltado principalmente estudantes da educação básica. Além de ser um instrumento educacional, o site possibilita a circulação de textos literários baianos em mídias e redes digitais.”


Evento no Teatro Dona Canô, Santo Amaro. 


Festival de Culturas na Unilab, São Francisco do Conde. 


Feira do Livro de Feira de Santana, com o poeta Franklin Maxado. 

 http://oxe.insix.com.br/


AMIGO


Mesmo que o teu caminho

não seja o mesmo que o meu

 

Mesmo que a tua vontade

não encontre desejos em mim

 

Mesmo que a minha alegria

fira a tua tristeza

e tuas gargalhadas

não encontrem risos em mim

 

Saiba que eu estou em você

e que você sempre estará em mim

 

Afinal, a manga, a maça.

o jenipapo e o tamarindo

são irmãos da jaca, da banana

e do abacaxi.


Douglas de Almeida








quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

TRÍVIO: Reynaldo Valinho Alvarez

 




SORRISO II

(02/05/2012)

 

Reinventar o amor a cada dia

foi tudo o que fizemos, tu e eu.

Não nos moveu tão só a fantasia,

mas a força que o próprio amor nos deu.

 

Cada sorriso teu traz-me a alegria

que varre e limpa um céu de angústia e breu.

Quanto mais me sorris, mais se alivia

o fado que sustento junto ao teu.

 

Enquanto ainda levanto, ajo e respiro,

quero viver à sombra do retiro

que me ofereces, quando mais preciso.

 

Navego e, do teu lado, busco o norte

no oceano que nos coube como sorte,

rumo ao porto anunciado em teu sorriso.

 

(Confissões do nada, Quinze sonetos de amor para Maria José)

 

ALVAREZ, Reynaldo Valinho. Trívio. Rio de Janeiro: Editora Contraste, 2017. 



terça-feira, 5 de janeiro de 2021

REYNALDO VALINHO ALVAREZ: 90 ANOS DE UM GRANDE POETA BRASILEIRO!


 

O solitário gesto de viver
não demanda a coragem que há na faca,
na ponta do punhal e até no grito
de quem fala mais alto e está coberto
de razões, de certezas, de verdades.
O gesto de viver se oculta em dobras
tão íntimas do ser, que o desfazê-las
é mais que indelicado, é violência
que nem sequer se pode conceber.
O gesto de viver é só coragem,
mas, de tal forma próprio e incomparável,
que não se exprime em verbo, imagem, mímica
ou qualquer outra forma conhecida
de contar, definir ou explicar.
A coragem no gesto de viver
está em coisas simples, por exemplo,
na diária decisão de levantar.
E mais, em se vestir e trabalhar
por entre espadas, punhos e navalhas,
peito aberto, sem armas, passo firme,
e à noite, ainda intacto, regressar.

 

O solitário gesto de viver. Prêmio Fernando Chinaglia 1978, União Brasileira de Escritores.


ALVAREZ, Reynaldo Valinho. A faca pelo fio: poemas reunidos. Rio de Janeiro: Imago, 1999.

Nasceu no Rio de Janeiro, no dia 06 de janeiro de 1931. É autor de vários livros de prosa e poesia e suas obras foram traduzidas em muitos idiomas. Recebeu muitos prêmios literários no Brasil e no exterior, destacando-se: da Academia Brasileira de Letras (1981), da Fundação Biblioteca Nacional (1995), o Prêmio Jabuti 1998 de Poesia da Câmara Brasileira do Livro, entre tantos outros. Seu primeiro livro Cidade em grito (poesia, 1973) e seu mais recente Trívio (poesia, 2017). Vive na cidade do Rio de Janeiro e continua em plena criação literária.



Rio de Janeiro, agosto de 2005. Visitei a casa e o arquivo pessoal do poeta Reynaldo Valinho Alvarez para minha pesquisa de Mestrado. Fui muito bem acolhido pelo poeta e sua esposa Maria José.  


Tive a alegria de conhecer o poeta Reynaldo Valinho Alvarez e sua espoa Maria José de Sant’Anna Alvarez durante o “Colóquio Internacional de Poesia” na Universidade Estadual de Feira de Santana, em 2003. Foi o início de uma longa troca de correspondências e livros. Em 2004, iniciei meu mestrado em literatura e diversidade cultural (UEFS) e fiz meu projeto de pesquisa sobre a poesia de Reynaldo Valinho Alvarez orientado pelo professor e escritor Aleilton Fonseca. Até hoje, mantemos comunicação e trocas literárias. Sou profundamente agradecido pela leitura da poesia e por compartilhar da amizade desse grande poeta da Língua Portuguesa. Quero aqui Celebrar os 90 anos de Vida do Poeta e do grande ser humano Reynaldo Valinho Alvarez. Festejemos também seus 48 anos de criação literária. 

http://www.antoniomiranda.com.br/iberoamerica/brasil/reynaldo_valinho.html

https://www.estantevirtual.com.br/livros/reynaldo-valinho-alvarez/lavradio/1483053806?gclid=EAIaIQobChMI5O7Zz8KF7gIVj4eRCh25cAydEAAYASAAEgJutfD_BwE

http://rauldeleoni.com.br/correspondentes/reynaldo-valinho-alvarez/

https://www.academia.org.br/artigos/linhagem-de-um-poeta

http://www.penclubedobrasil.org.br/valinho1.html

http://www.italiamiga.com.br/artecultura/artigos/novo_lan%CF%84amento_do_poeta_reynald.htm

http://tede2.uefs.br:8080/handle/tede/8?mode=full


segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

NATHAN SOUSA – POETA DO PIAUÍ

 


PLANO DE FUGA

 

Sou eu quem desfaz tua tenda

(tua morada de frêmitos)

Sou eu quem guarda os pergaminhos

de tua água de cheiro;

de teu caminho de mesa e memória.

É nesta copa de chuva e lírica

que tu me ofereces o vinho

e o broto das renúncias;

a música e a lástima

em osso.

Nela

mato minha fome de trapo;

minha deusa e sua eclusa de iguarias.

Sou eu quem demarca tua rota de Antuérpia

(teu repertório de inauditas sinfonias)

 

In: A metáfora do adeus (Folheando, 2020)

 



Nathan Sousa (Teresina, 1973) é ficcionista, poeta, letrista e dramaturgo. Tecnólogo em Marketing e professor. É autor de vários livros, dentre eles, Um esboço de nudez (2014), Mosteiros (2015), Nenhum aceno será esquecido (2015), Semântica das aves (2017), O tecido das águas (2019) e Anfíbia (2019), além da peça teatral O que te escrevo é puro corpo inteiro. Venceu por 05 vezes os prêmios da União Brasileira de Escritores. Foi finalista do prêmio Jabuti 2015 e do I Prémio Internacional de Poesia António Salvado. Trabalha com escrita criativa. É colunista do blog da revista Revestrés. Tem poemas traduzidos para o inglês, francês, espanhol e italiano. Recebeu a Medalhada da Ordem do Mérito Renascença.

 

http://www.revistarevestres.com.br/blog/nathansousa/

https://www.editorapenalux.com.br/autor/Mzc=/Nathan_Sousa

http://www.mallarmargens.com/2014/11/06-poemas-de-nathan-sousa.html

http://www.editorafolheando.com.br/

 

 

 

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

SANTO SOUZA: POETA SERGIPANO



BALISA

 

Cravar a estrela no chão

e dizer à noite: agora,

afaste-se a escuridão

que eu vou chegando com a aurora.

 

E fazer brotar da terra

- da terra que tudo faz –

não a treva e o ódio da guerra,

mas a luz e o amor da paz.

 

Que eu vim traçar nos caminhos

(invés de dor e agonia)

a rota livre dos homens

com as tintas claras do dia.

 


SANTO SOUZA (1919-2014) nasceu e viveu em Sergipe. Seu primeiro livro de poesias publicado foi CIDADE SUBTERRÂNEA (1953), seguiram-se CADERNO DE ELEGIAS (1954), RELÍQUIAS (1955) e ODE ÓRFICA (1956), cuja primeira edição, foi publicada, como os livros anteriores, por José Augusto Garcez em seu Movimento Cultural de Sergipe. Continuando sua trajetória de poeta, publica PÁSSARO DE PEDRA E SONO (1964), CONCERTO E ARQUITETURA (1974), PENTÁCULO DO MEDO (1980), A ODE E O MEDO (reedição da ODE e do PENTÁCULO com um canto introdutório em 1988), ÂNCORAS DE ARGO (1994), A CONSTRUÇÃO DO ESPANTO (1998). O crítico de literatura Jackson da Silva Lima encontra afinidades do poeta com outros da categoria de Valéry, Rilke, Fernando Pessoa e Eliot, mergulhando fundo na simbologia, esoterismo e complexidade de PENTÁCULO DO MEDO. O poeta foi agraciado com o Grande Prêmio de Crítica 1995, concedido pela associação de Críticos de Arte de São Paulo. Membro da Academia Sergipana de Letras.

 

http://www.jornaldepoesia.jor.br/santosouza.html#nota

https://infonet.com.br/blogs/deus-ensanguentado-o-novo-livro-de-santo-souza/

http://literaturasergipana.blogspot.com/2015/04/santo-souza-vida-e-obra.html

http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/sergipe/santos_souza.html

 

 

 

 

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

JOÃO CABRAL DE MELO NETO: Poesia completa



Esta edição comemora os cem anos do escritor, poeta e diplomata João Cabral de Melo Neto, ícone da poesia brasileira.

Um dos maiores poetas de língua portuguesa do século XX, João Cabral de Melo Neto ficou conhecido pelo estilo conciso, rigor formal e apurada crítica social ― numa comparação feita por ele mesmo, o poeta seria como um escultor, que incessantemente corta a pedra até que a escultura surja de dentro dela.

Sua produção foi reunida nesta Poesia completa, que traz seus primeiros poemas e depois seu primeiro livro, Pedra do sono, lançado no início dos anos 1940, passando por textos que já se tornaram clássicos da nossa literatura como O cão sem plumas, Morte e vida Severina, A educação pela pedra, Museu de tudo, Auto do frade, até Sevilha andando, seu derradeiro livro.
O autor faleceu em 1999, deixando uma obra de força descomunal. Para comemorar seu centenário, esta Poesia completa traz ainda textos póstumos, dispersos e inéditos, organizados por Antonio Carlos Secchin com a colaboração de Edneia Ribeiro.

“Mudou profundamente não só a poesia, mas a cultura brasileira.” ― João Alexandre Barbosa

“Na sua geração, não tem quem o iguale, mesmo em dimensão universal.” ― Augusto de Campos

“Cortava a poesia com a faca só lâmina de sua extraordinária força vocabular, criando impactos ao mesmo tempo plásticos e fundamentais. Nunca usava o enfeite como complemento da essência, tudo nele era inaugural, primeiro, único.” ― Carlos Heitor Cony

“Ela [a poesia de João Cabral] trata as palavras como se fossem coisas e organiza essas coisas de tal maneira como se fossem conceitos.” ― Antonio Candido

 

Antonio Carlos Secchin


Antonio Carlos Secchin nasceu no Rio de Janeiro em 10 de junho de 1952. Filho de Sives Secchin e de Victoria Regia Fuzeira Secchin. Até os seis anos morou em Cachoeiro de Itapemirim. Desde 1959 reside no  Rio de Janeiro. É Doutor em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1982). Professor de Literatura Brasileira das Universidades de Bordeaux, (1975-1979), Roma (1985), Rennes (1991), Mérida (1999) Paris III-Sorbonne Nouvelle (2009) e da Faculdade de Letras da UFRJ, onde foi aprovado (1993), por unanimidade, com nota máxima, em concurso público para professor titular. Na carreira docente, foi diversas vezes eleito paraninfo e  patrono dos formandos. Orientou 26 dissertações de mestrado e 18 teses de doutorado. Ministrou 50 cursos de pós-graduação, no país e no exterior. Em 2013, tornou-se professor emérito da UFRJ.


João Cabral de Melo Neto


https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=28000686

https://www.academia.org.br/academicos/antonio-carlos-secchin

 

domingo, 27 de dezembro de 2020

RON PERLIM: ESCRITOR ALAGOANO

 Bença

 

A gente vinha de Aracaju. Eu estava cansado, mas o jeito agradável da minha mulher me mantinha atento ao ir e vir da rodovia. Nos aproximamos de uma cidade, cujo nome não me recordo. A primeira coisa que avistamos após a lombada foi um aglomerado de barracas disformes. A frente delas os afrodescendentes vendiam milho cozido e assado. Minha mulher me olhou e disse:

— Me deu uma vontade de comer milho!

Eu estacionei o carro e logo fomos atendidos por uma senhora simpática que nos chamou de “bença”. Essa era a maneira de ela se aproximar dos clientes. Eu era uma bença e todos os que compravam a ela eram uma bença também. Enquanto eu pensava nisso, minha mulher gracejava com a vendedora. Graciosa que era, estava de olho na freguesia e, para não perder tempo, foi direta:

— Bença, faço três espigas por cinco reais.

Minha mulher não fez objeção. Aceitou a proposta dela. Quando estávamos prestes para irmos embora, ela fez uma pausa e disse:

— Minha bença, voltando-se para a minha mulher. — Da próxima vez eu vou dar uma espiga ou uma aguinha ao motorista.

Minha mulher não aguentou. Olhou para mim, riu gostosamente e lhe disse:

— Mulé, não é preciso não. Ele não é motorista não. É meu marido, rindo de mim.

Bença ficou descabreada, mas percebeu que eu não tinha me importado com o que ela disse. Para mim agradar, desfazendo aquele mico, ela insistia em me dar um agrado da próxima vez que parássemos na barraca dela, argumentando que era costume fazer isso com todos os motoristas. Ela só me via como motorista. Tentei compreendê-la. Imaginei que havia por trás disso uma explicação. Aí, perguntei-lhe:

— Por que a senhora faz isso com todos os motoristas?

Ela me surpreendeu, respondendo:

— Sabe por quê? Porque os motoristas só assim vão parar na minha barraca. É pra bater na concorrência. Eu dou milho e aguinha pra eles, tocando no braço de milha mulher, completando: — Nenão Bença!

Aí, eu completei:

— Quer dizer que eu tenho a cara de motorista?

Ela olhou pra minha mulher. Minha mulher olhou pra mim e todos riram.

Todas às vezes que a gente passa pela BR-101 e nos aproximamos de quaisquer barracos, nos lembramos de Bença, do seu modo inteligente de ganhar a vida.

Da última vez que estivemos por lá, não a vimos. Talvez estivesse doente. Talvez tivesse ido para outros lugares expandir seu comércio, ido embora ou até falecido.

Conto publicado no site do autor.

https://www.ronperlim.com.br/

 

Ron Perlim é blogueiro da Aplacc (Academia Penedense de Letras, Artes, Ciências e Cultura), escritor e professor.  Colabora com a Revista Obvius. É membro do Centro de Cultura de Propriá, em Sergipe, presidente do Centro de Cultura Colegiense (Ceculc, Alagoas) Autor dos seguintes livros: Às Margens do Rio Rei, Agonia UrbanaPorto Real do Colégio – Sociedade e CulturaLaura (Premio Alina Paim de Literatura Infanto-juvenil pelo estado de Sergipe),  A menina das queimadasViu o home?, Foi Só Um OlharO povo das águas e Porto Real do Colégio: História e Geografia.  Saiba mais acessando o site oficial do autor: https://www.ronperlim.com.br/