sexta-feira, 26 de junho de 2015

ILMA FONTES


Oração Para Todas As Mulheres Do Mundo

Minha Nossa Senhora do Improviso, 
dai-me um bom sorriso e a possibilidade
de pagar o dentista com um punhado de poesia.
Santa Maria, dai-nos alegria, 
mesmo diante de panelas vazias.
Minha Santinha do Escapulário,
vigiai os nossos ovários.
Santos Apóstolos dos Povos Drogados,
dai-nos diversão e arte...
e compreensão de ambas as partes.
Santa Letícia livrai-nos de ser notícia
na página policial por agressão física,
mental ou verbal.
Santa Virgem do Menino de Praga
livrai-nos dos maus-tratos dos homens
e das mulheres ingratas.
Santa Cecília das Fontes Límpidas 
fazei com que todas as mulheres do mundo,
ao menos uma vez na vida,
sejam beijadas e ouçam " Eu te amo" -
e que seja verdade ou mentira sussurrada,
mas que seja real naquele instante.
Senhora Mãe das Marés Rasas
dai-nos fôlego, dai-nos atalhos
para vencer os atrasos, as intrigas,
as falsas amigas, o falso salário, 
os tolos e os abestados, patrões e empregados.
São Tomé dos Desacreditados
livrai-nos dos tagarelas que vivem  a inventar
a vida alheia e torcer os fatos.
Santo Antonio dos Otários Caídos
livrai-nos dos maus maridos.
Santa Rita do Siri Mole
livrai-nos de todos os que engolem sapos
e arrotam iate e carro esporte.
Senhora dos Espinheiros,
livrai-nos dos editores bem intencionados
e dos revisores também,
porque eles existem e podem
até matar um morto
enquanto vivificam outros zumbis
da literatura nacional e estrangeira.
Santo Onofre do Pezão, 
não deixai cair em tentação
a mão que assina as contas públicas,
dá-lhes justiça! Dá-lhes prisão.
São João da Cana Dura,
afastai os perdulários, os prevaricadores,
os dilapidadores dos cofres federais,
estaduais e municipais.
Senhor dos Encontros Tardios,
dai uma mulher para quem tem frio!
A solidão é uma mãe ausente,
portanto Senhor dos Descontentes,
dá-nos uma cama macia
e boa companhia todos os dias,
para sempre, à minha
e à sua mãe também.

ILMA FONTES
Poeta, jornalista, médica, editora e ativista cultural em Aracaju – SE. Coordena há 25 anos o Jornal “O Capital”. Premiada na literatura e no cinema. 

segunda-feira, 22 de junho de 2015

ADRIANO EYSEN





Um livro fundamental sobre as obras dos poetas Álvaro de Campos e Mário de Sá-Carneiro acaba de ser publicado pelo poeta e Prof. Doutor Adriano Eysen. A obra foi lançada em Salvador, no Gabinete Português de Leitura, durante o “Simpósio Internacional 100 anos da Revista Orfheu” entre os dias 08 e 09 de junho de 2015. Confiram alguns textos que antecedem a leitura do livro:


Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro: companheiros de ideais estéticos, autores e confidentes um do outro na correspondência fascinante em que expõem sua angústia existencial, parceiros na organização do segundo número da revista Orpheu... e, agora, irmanados neste livro A lírica da ausência na poética de Álvaro de Campos e Mário de Sá-Carneiro. Seu autor, Adriano Eysen, mais do que traçar, isoladamente, o perfil literário de cada um, enlaça-os nessa “lírica da ausência”, elo que os aproxima e identifica nos quadros da poesia portuguesa de inícios do século XX.
Eysen, a que não falta a sensibilidade do poeta que é e a vocação de crítico e de pesquisador exigente, assume aqui como proposta a leitura atenta do poeta/engenheiro naval que, em “Tabacaria”, diz não ser nada, nem querer ser nada, embora tenha em si “todos os sonhos do mundo”; e, a par disso, em viés comparatista, o exame cuidadoso do poeta de “Epígrafe”, que não sabe quem é, de onde veio e que, em “Além-tédio”, se diz “seco, endurecido de tédio”.  
(Trecho da “Apresentação” feita pela Doutora Melânia Silva de Aguiar)


 Adriano conduz-nos, aliás, pela poesia dos dois, apontando a convergência e, por vezes também, a divergência dos caminhos trilhados. Mário de Sá-Carneiro, através de um registo poético de feição simbolista-decadentista, e Álvaro de Campos, num registo mais solto e inovador, dão corpo a uma estética da ausência, selando um compromisso radical com a linguagem. Sá-Carneiro, narcisicamente, em sucessivos «voos interiores», busca uma identidade jamais atingida. Criando um «império de marfim para abrigar delírios e personagens fabulosos», achou-se apenas como «qualquer coisa de intermédio», intervalo de abismo, entre o «eu» e o «outro». Álvaro de Campos, por seu lado, virado para fora, multiplicou-se em sensações, numa tentativa frustrada de ser tudo. E reconheceu-se «nada».
(Trecho do “Prefácio” assinado pela Doutora Manuela Parreira da Silva)

Convido, assim, o leitor a ler neste livro a reflexão que Adriano elabora, valendo-se de atualizadas e eruditas referências, sendo ao mesmo tempo sofisticado e claro em sua escrita, e com a autonomia de quem pensa o discurso contemporâneo da poesia para além de todos os clichês contemporâneos.
(Trecho da “Orelha” assinada pelo Doutor Sandro Ornellas)




Poeta, contista, crítico literário e professor de Literatura Portuguesa e Brasileira na Universidade do Estado da Bahia. Doutor em Literaturas de Língua Portuguesa pela PUC-Minas. Autor publicou, entre outros, os livros “Imagens do sertão na poética de Castro Alves” (ensaio, 2005), “Cicatriz do silêncio” (poesia, 2007), “Assombros solares” (poesia, 2011). Tem vários artigos e poemas publicados em revistas nacionais e no exterior.

domingo, 21 de junho de 2015

IGOR FAGUNDES

IGOR FAGUNDES


(re) fluxos

Aprendo com o vento que rumos são escolhas
escritas em bússolas, no idioma do silêncio.
Um sopro ao norte, às vezes corta o sul
esse vento que balança folhas secas.

Me finjo brisa sufocada:
sob lençóis não quero ver cair o fruto
nem sorver esse ar
                                que é só meu
                                         e é feito de fogo.

Poema publicado na antologia “Roteiro da Poesia Brasileira anos 2000”. Seleção e prefácio Marco Lucchesi. São Paulo: Editora Global, 2009.


Igor Fagundes é poeta, ator, jornalista, ensaísta e professor. Doutor em Poética pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professor de Filosofia e Estética nos cursos de Graduação em Dança da UFRJ. Escreveu crítica para o Jornal do Brasil, Rascunho, Panorama da Palavra e em periódicos de arte, filosofia e literatura. Foi colaborador da Academia Brasileira de Letras. Publicou em poesia Transversais (Prêmio Estudantes do Brasil, 2000), Sete mil tijolos e uma parede inacabada (2004), por uma gênese do horizonte (Prêmio Literário Livraria Asabeça, 2006) e zero ponto zero (2010). No gênero ensaio, publicou Os poetas estão vivos – pensamento poético e poesia brasileira no século XXI (Prêmio Literário Cidade de Manaus, 2008 – Melhor Livro de Ensaio de Literatura), 33 motivos para um crítico amar a poesia hoje (2011) e permanecer silêncio – Manuel Antônio de Castro e o humano como obra (2011). É organizador de outros quatro livros e coautor de mais de 30. Possui cerca de 60 premiações em concursos literários. Membro do PEN Clube do Brasil. No ano 2015, publicou o livro Poética na incorporação – Maria Bethânia, José Inácio Vieira de Melo e o Ocidente na encruzilhada de Exu.





sexta-feira, 19 de junho de 2015

AMOLADOR DE FACAS

Foto da peixeira que pertenceu ao meu avô José de Vicente. Agora guardando meus livros!


AMOLADOR DE FACAS
para José de Vicente, meu avô

A pedra de amolar facas
carcomida de dores memórias
afunda em rio de fogo esquecimento.

A faca de cortar pedras
jaz embainhada no silêncio
profundamente agudo

do velho Vicente.


“Lucidez silenciosa” (Salvador: EPP Publicações e Publicidade, 2005)

quinta-feira, 18 de junho de 2015

EMMANUEL MIRDAD: O GRITO DO MAR NA NOITE

Emmanuel Mirdad retorna à ficção em “O grito do mar na noite”
O escritor, produtor e coordenador da Flica Emmanuel Mirdad retorna à ficção, mais precisamente aos contos, depois de um breve passeio pela poesia no ano passado, e lança seu novo livro, O grito do mar na noite, na terça-feira, 30 de junho, a partir das 19 horas, na Confraria do França, Rio Vermelho. A obra sai pela editora Via Litterarum, a mesma que realizou a sua estreia em 2010 com Abrupta sede, também de contos.
Dedicado ao mestre do conto Hélio Pólvora, falecido em março passado, O grito do mar na noite apresenta “um agudo painel das relações humanas, sobretudo afetivas, nas quais homens e mulheres expõem suas fraquezas ante a banalidade da vida e do tempo”, segundo o escritor Márcio Matos, que assina a orelha, “no equilíbrio entre o que se mostra e o que fica subentendido”.
Para o escritor Mayrant Gallo, que assina o posfácio, Emmanuel Mirdad realiza em seus dez contos “um feito altamente elogiável: trabalhar com tipos, sem meramente repeti-los, revitalizando-os, inclusive. Acompanhamos, com igual interesse, tanto o infortúnio do homem de terceira idade, do menino doente, do sujeito infeliz em seus relacionamentos amorosos, da mulher frígida ou assexuada, quanto o dos mulherengos contemporâneos”.
O grito do mar na noite, com as suas 172 páginas, “é uma nova proposta extraída de um propósito único: retratar o nosso mundo. Cada conto é uma fotografia de um álbum espúrio”, segundo Mayrant, e que “os signos da contemporaneidade sobejam em todo o volume, numa evidência explícita à vida que levamos, em meio a uma multiplicação infindável de ícones da propaganda, internet, dos aparelhos de celulares, tablets, games, canais de tevê por assinatura etc.”.

Já para Márcio Matos, “ciente disso, Emmanuel Mirdad realiza com o livro de contos um rigoroso exercício”, e, relembrando o mestre Cortázar, cuja especificidade do conto é o poder de vencer por nocaute, “Mirdad move-se pelo ringue na certeira intenção de deixar o leitor tonto e, quando este baixa a guarda, aplica-lhe o golpe fatal”.

Baiano de Salvador, de outubro de 1980, formado em Jornalismo pela Facom – UFBA, sócio-diretor da produtora Cali, Emmanuel Mirdad é um dos criadores, donos da marca e coordenadores da Flica, evento em que foi curador de 2012 a 2014. Autor dos livros Nostalgia da lama (Cousa/2014), de poesia, e Abrupta sede (Via Litterarum/2010), de contos, é roteirista, compositor e produtor cultural com mais de 15 anos de carreira.


http://elmirdad.blogspot.com.br




segunda-feira, 15 de junho de 2015

ANTONIO BRASILEIRO



ARTE POÉTICA

Meus versos são da pura essência
dos poemas inessenciais.

Nada dizem de verídico
não querem nada explicar.

Não narram o clamor dos peitos
não encaram a dor do mundo.

Se por vezes falam alto
é por puro gozo, júbilo.

Humor que brota de dentro
como se movem os astros.

Eles, meus versos, são pura
floração de irresponsáveis

flores nascidas nos mangues,
por nascer — mas multicores,

lindas, não importa que os homens
as conheçam ou não conheçam.

ANTONIO BRASILEIRO
(“A Pura Mentira”, 1982)


domingo, 14 de junho de 2015

SALGADO MARANHÃO

MULHER

Depilo tuas vestes íntimas
obcecado pelo mergulho
em teu luminoso abismo. 

Há consenso e quietude em tudo. No
entanto há em mim
uma urgência atávica: 

febril, como urgência da vida;
feroz, como o decreto da morte. 

E mergulho amparado
em minha certeza inútil; a mesma
do meu pai e de todos
os meus ancestres; a mesma
dos que morreram e morrerão em ti
- alegremente! -
                            desde Adão.


Salgado Maranhão, poema publicado em “Amar, verbo atemporal”: 100 poemas de amor. Antologia organizada por Celina Portocarrero (Rio de Janeiro: Rocco, 2012). Nesta mesma antologia saiu meu poema “Roseiral”.

 


sábado, 13 de junho de 2015

POEMAS EM INGLÊS


Caros leitores, compartilho meus poemas publicados em Revista nos Estados Unidos. Translated from the Portuguese by Tiffany Higgins.

CHILDHOOD

In the navel of the world
I tucked my horse of mud.

In the navel of the world
I hid my marble.

In the navel of the world
hidden boy
plays at hiding
on the other
side of things wearing
words of foam.

INFÂNCIA

No umbigo do mundo
escondi meu cavalo de barro.

No umbigo do mundo
escondi minha bola de gude.

No umbigo do mundo
a criança escondida
brinca de se esconder
do outro lado das coisas
vestindo palavras espumas.

MINOTAUR

In the house of Asterion
myths and pretty maidens
plot against love.
Gored, Theseus wanders
between walls,
uselessly lucid.

MINOTAURO

Na casa de Asterion
mitos e belas donzelas tramam
contra o Amor.
Esfaqueado, Teseu perambula entre
as muralhas,
inutilmente lúcido.


INSOLUBILITY
para Mário Quintana

From the insolubility of things
births a song in stone.
While the violet of early evening
agonizes under my eyes
dug into the lead horizon.

INSOLUBILIDADE
para Mário Quintana

Da insolubilidade das coisas
nasce uma canção petrificada.
Enquanto a violeta da tarde
agoniza sob meus olhos
fincados no horizonte chumbo.

Cleberton Santos is author of three books of poetry. He is an award-winning poet, a literary critic, and a professor in Santo Amaro, Bahia, Brazil.

Tiffany Higgins is author of And Aeneas Stares into Her Helmet (Carolina Wren Press, 2009), selected by Evie Shockley as winner of the Carolina Wren Poetry Prize. Her poems appear in Poetry, Kenyon Review, Taos Journal of Poetry & Art, From the Fishouse, Catamaran Literary Reader, and other journals. She recently was a resident at Nebraska’s Art Farm. She writes on ecocultural poetics and translates contemporary Brazilian poets. Her translations of the work of Alex Simões are forthcoming in the anthology Writing the Walls Down (Transgenre, 2014).

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Poema de Moacir Eduão

FAGULHA

para Cleberton Santos


Ainda é para valer a pena.
Um Sol que queima
um só poema
um só por-do-sol copioso
entre os dias.
Uma Lua, quase duas,
grávida, empanturrada.
Um planeta
cheio de água salgada,
um povo que não sabe chover.
Isso não é regra,
não é métrica.
É um poema sobre flor
e flor sabe ser
cérebro de idioma.
a mente, palavra autista
que se soma,
doma e dobra
a língua portuguesa -
um Sol que queima
e lida com a faísca
como pólvora e fósforo
lida com o poema.

Moacir Eduão
Professor e Poeta. Membro fundador da Academia de Letras de Irecê (Ba). Natural de São Gabriel (Ba). Coordenador do Ponto de Leitura Solar da Boa Vista Castro Alves. Autor de vários livros de poemas, entre os quais “Ao Tempo” (in memoriam), em 2003, e ”desespaços”, em 2008.



Poema "Tempo" do livro inédito "Travessia de abismos"

POEMA INÉDITO DO LIVRO "TRAVESSIA DE ABISMOS" 

tempo

sou da natureza um abismo profundo
carregada de incertezas alimento tua vida
pelo ácido do poema voraz liberto teus pensamentos
sou da natureza uma máquina de infindável engenho
meu limite é o sem fim do não saber
que para além dos teus desejos
meu corpo é sempre além do tempo

tiempo

soy de la naturaleza un abismo profundo
cargada de incertidumbres alimento tu vida
por el ácido del poema voraz libero tus pensamientos
soy de la naturaleza una máquina de infinito ingenio
mi limite es el sinfín del no saber
que para más allá de tus deseos
mi cuerpo es siempre más allá del tiempo


Cleberton Santos
Poema do livro “Travessia de abismos” (2015) que será lançado ainda este ano. Traduzido pela Prof.ª Doutora Gracineia dos Santos Araújo.



sexta-feira, 5 de junho de 2015

INFÂNCIA: poema-cartaz


Meu poema “Infância” em versão de Poema-cartaz feito em parceria com o artista plástico Alexandre Gusmão e o poeta-designer Georgio Rios. Diálogo entre as artes! Se quiser pode imprimir ou compartilhar!

sexta-feira, 29 de maio de 2015

TRAVESSIA DE ABISMOS

Em breve acontecerá o lançamento do meu novo livro

TRAVESSIA DE ABISMOS
(Editora Via Litterarum)
60 poemas, capa de Nanja Brasileiro


Foto de Rosana Rios


O tempo, o mundo e a poesia: o canto
ilumina a verdade e acende o espanto.

Reynaldo Valinho Alvarez

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Aleilton Fonseca - um narrador primordial





“Este livro vem preencher uma lacuna. A Guerra de Canudos continua. A luta do sertão ainda sangra. O sertanejo ainda é um forte. Nada está encerrado e pacificado. A escritura da guerra não está completa. Não sem antes ouvirmos o que tem a dizer Aleilton Fonseca. Não sem pararmos para escutar a voz que vem dos sertões.”

Luís Antonio Cajazeira Ramos (poeta e membro da Academia de Letras da Bahia)  


domingo, 9 de novembro de 2014

domingo, 2 de novembro de 2014

Festa Literária de Euclides da Cunha


A Festa Literária de Euclides da Cunha, coordenada pelo poeta e Professor Doutor Adriano Eysen, ocorrerá de 12 a 14 de novembro de 2014. O evento, que conta com o patrocínio da Prefeitura Municipal de Euclides da Cunha, será organizado pelo Departamento de Ciências Humanas e Tecnologias – Campus XXII, da Universidade do Estado da Bahia.
Em especial, o município, localizado a 324 km de Salvador, no Território de Identidade Semiárido Nordeste II, contará com a presença do renomado educador e acadêmico Edivaldo Boaventura e de relevantes escritores brasileiros, como Cid Seixas; Aleilton Fonseca; Carlos Ribeiro; Roberval Pereyr; Luiz Valverde; Antônio Brasileiro; Sandro Ornellas; João Vanderlei de Moraes Filho; Clarissa Macedo; Daniela Galdino; Rita Santana; Lívia Natália; Kátia Borges; Mariana Paiva; Cleberton Santos e Douglas de Almeida.
A propósito, o evento trará pesquisadores e/ou críticos literários da UNEB, a exemplo do Professor Mestre Orlando Freire; Professora Mestre Léa Costa, uma das maiores especialistas em Euclides da Cunha; Professora Doutora e poeta Andréa Mascarenhas e Professor Mestre Maurílio Antônio Dias de Sousa.
A FLIEC terá, também, a presença dos renomados cordelistas Franklin Machado; Antônio Barreto e Gildemar Sena; do cantador e poeta Maviael Melo; dos repentistas Paraíba da Viola e Antônio Queiroz; do fotógrafo e produtor cultural Antenor Júnior; da atriz Tina Tude, com a apresentação do “Az de Ouro”. Especialmente, com intuito de celebrar as manifestações artísticas da cidade e região, farão parte da programação o Grupo Senzala (direção de Mateus Oxumaré); Índios Kaimbé (Toré); Farrapos CIA de Teatro (direção de Jean Fabrício); Companhia Teatral de Canudos (direção de Carlos Carneiro); Grupo de Recital Papo de Poeta (direção de Professor Mestre Francisco Setúval); Chorões do Cumpe, além do músico Tito Pereira e da cantora Camila Gonçalves.
Em suma, a festa oportunizará a professores, estudantes e comunidade em geral atividades acadêmicas: conferências, mesas temáticas, lançamentos de livro, bem como exposições de artesanato, mostra de cinema e apresentações culturais, a fim de estabelecer uma teia de relações entre ensino, pesquisa e extensão necessárias à ampliação do saber, da sensibilidade e do olhar crítico do cidadão no que se refere aos fatores, sobretudo, sócio-históricos e culturais da humanidade. 

http://fliec.blogspot.com.br/p/apresentacao.html


sábado, 4 de outubro de 2014

Uma mirada sobre o Caruru dos 7 Poetas




Uma mirada sobre o Caruru dos 7 Poetas


Era o ano da poesia de 2004, na Ladeira da Misericórdia da cidade de Salvador, no Zanzibar cheio de almas que buscavam se alimentar da palavra poética e corpos atraídos pelas delícias do caruru! Assim começava a história do Caruru dos 7 Poetas! Um evento literário, um recital de sete poetas irmanados pela força e magia da poesia em voz alta! Inspirado nos ritos de Cosme e Damião, o Caruru dos 7 Poetas cresceu incorporando outras linguagens artísticas: música, teatro, dança, circo e várias performances culturais! A cada ano, mais poetas convidados, novos diálogos estabelecidos entre as diversas gerações literárias da Bahia, do Brasil e do Exterior!
Agora são 10 anos deste rico e belo evento literário-cultural que fincou sua marca na história da cultura brasileira por sua importância na divulgação de mais de 70 poetas, consagrados e estreantes, nacionais e estrangeiros, e no incentivo e formação de novos e velhos leitores.
É, sem dúvida, um evento fortemente marcado pela pluralidade estética, com suas múltiplas linguagens e línguas de cantos e cantares que seduzem o povo ao encontro da palavra viva, da palavra imagem, da palavra comida, da palavra sentido que se faz e refaz pela via da palavra poética!
Comemoramos estes 10 anos de muita vibração cultural, de muitos encontros de poetas e leitores, de muitas partilhas e intercâmbios entre povos e culturas! Comemoramos o fortalecimento da diversidade de vozes que cantam músicas tão belas, recitam palavras ancestrais, escrevem poemas nas paredes do tempo, gravam versos na memória do povo, fazem da poesia um banquete de caruru que alimenta as múltiplas fomes do homem!
Salve o Caruru dos 7 Poetas!

Cleberton Santos
Feira de Santana, 17 de setembro de 2014.
Publicado na antologia poética “Todas as mãos” do Caruru dos 7 Poetas, organizada por João Vanderlei de Moraes Filho, publicada pela Portuário Ateliê Editorial, Cachoeira, Bahia, 2014
Disponível no site da Casa de Barro: http://www.casadebarro.org/





terça-feira, 30 de setembro de 2014

FESTA LITERÁRIA DE EUCLIDES DA CUNHA 2014


 FESTA LITERÁRIA DE EUCLIDES DA CUNHA (FLIEC)

A Festa Literária de Euclides da Cunha, coordenada pelo poeta e Professor Doutor Adriano Eysen, ocorrerá de 12 a 14 de novembro de 2014. O evento, que conta com o patrocínio da Prefeitura Municipal de Euclides da Cunha, será organizado pelo Departamento de Ciências Humanas e Tecnologias – Campus XXII, da Universidade do Estado da Bahia.
Em especial, o município, localizado a 324 km de Salvador, no Território de Identidade Semiárido Nordeste II, contará com a presença do renomado educador e acadêmico Edivaldo Boaventura e de relevantes escritores brasileiros, como Cid Seixas; Aleilton Fonseca; Carlos Ribeiro; Roberval Pereyr; Luiz Valverde; Antônio Brasileiro; João Vanderlei de Moraes Filho; Clarissa Macedo; Daniela Galdino; Rita Santana; Lívia Natália; Kátia Borges; Mariana Paiva; Cleberton Santos, Douglas de Almeida e Sandro Ornellas.
A propósito, o evento trará pesquisadores e/ou críticos literários da UNEB, a exemplo do Professor Mestre Orlando Freire; Professora Mestre Léa Costa, uma das maiores especialistas em Euclides da Cunha; Professora Doutora e poeta Andréa Mascarenhas e Professor Mestre Maurílio Antônio Dias de Sousa.
A FLIEC terá, também, a presença dos renomados cordelistas Franklin Machado; Antônio Barreto e Gildemar Sena; do cantador e poeta Maviael Melo; dos repentistas Paraíba da Viola e Antônio Queiroz; do fotógrafo e produtor cultural Antenor Júnior; da atriz Tina Tude, com a apresentação do “Az de Ouro”. Especialmente, com intuito de celebrar as manifestações artísticas da cidade e região, farão parte da programação o Grupo Senzala (direção de Mateus Oxumaré); Índios Kaimbé (Toré); Farrapos CIA de Teatro (direção de Jean Fabrício); Companhia Teatral de Canudos (direção de Carlos Carneiro); Grupo de Recital Papo de Poeta (direção de Professor Mestre Francisco Setúval); Chorões do Cumpe, além do músico Tito Pereira e da cantora Camila Gonçalves.
Em suma, a festa oportunizará a professores, estudantes e comunidade em geral atividades acadêmicas: conferências, mesas temáticas, lançamentos de livro, bem como exposições de artesanato, mostra de cinema e apresentações culturais, a fim de estabelecer uma teia de relações entre ensino, pesquisa e extensão necessárias à ampliação do saber, da sensibilidade e do olhar crítico do cidadão no que se refere aos fatores, sobretudo, sócio-históricos e culturais da humanidade.

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quinta-feira, 5 de junho de 2014

João Ubaldo Ribeiro: nas páginas e no palco

Em 1999, ainda no primeiro semestre do curso de Letras da Universidade Estadual de Feira de Santana, li pela primeira vez “Sargento Getúlio” de João de Ubaldo Ribeiro. Fui indiscutivelmente conquistado pela força de sua narrativa e também pela identificação com aquele universo sergipano, principalmente linguístico, que eu acabara de deixar para viver nas terras baianas. Logo depois fiz um artigo para conclusão de alguma disciplina.
Hoje, 15 anos depois, assisti à peça “Sargento Getúlio” encenada pelo ator baiano Carlos Betão, com adaptação e direção de Gil Vicente Tavares, filho do poeta Ildásio Tavares.
No auditório do Memorial Chesf lotadíssimo, com o apoio sempre fundamental do SESC Ler Paulo Afonso, o público de estudantes, professores e demais espectadores da cidade de Paulo Afonso pode conferir um espetáculo teatral de altíssima qualidade visual, sonora e textual.
A mesma sensação de alegria estética que senti quando li as páginas do livro que contavam a história de um sargento sergipano que vive sua odisseia existencial pelas veredas do sertão nordestino foi renovada vendo o monólogo no palco. Merece grande destaque o desempenho do ator Carlos Betão que personifica vozes de outros personagens de forma magistral, pois sem sair de cena para trocar figurinos, apenas com os recursos vocais e gestuais, ele recria diálogos entre os personagens da narrativa. Momentos líricos são estabelecidos no tecido da peça pelos aboios que atravessam o palco e o coração da plateia e ecoam no próprio texto ubaldiano que muitas vezes se aproxima da poesia popular de matriz nordestina. Mesmo diante das situações mais dramáticas vividas na peça, o riso também ganha seu espaço e envolve o público em vários momentos de alternância entre as reflexões sobre o destino trágico do homem e sua mais cômica e banal possibilidade de rir da sua própria condição miserável diante da tragédia que é viver.  
A peça não substitui a leitura do livro. Isso é claro. Mas o livro também não substitui a beleza da realização cênica da história imaginada pelo engenhoso João Ubaldo Ribeiro, autor de tantos outros livros tão importantes para nossa literatura. Ler e ver a linguagem de João Ubaldo Ribeiro são duas aprendizagens estéticas e várias lições de profundo humanismo.

Cleberton Santos

Paulo Afonso, 05 de junho de 2014.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

GASTÃO CRUZ

Dentro da vida

Não estamos preparados para nada:
certamente que não para viver
Dentro da vida vamos escolher
o erro certo ou a certeza errada

Que nos redime dessa magoada
agitação do amor em que prazer
sem sempre é o que fica de querer
ser o amador e ser a coisa amada?

Porque ninguém nos salva de não ser
também de ser já nada nos resgata
Não estamos preparados para o nada:
certamente que não para morrer

CRUZ, Gastão. Os poemas. Lisboa: Assírio & Alvim, 2009.
Literatura Portuguesa Contemporânea



domingo, 11 de maio de 2014

III Banquete Literário do SESC Ler Paulo Afonso

Momentos do III Banquete Literário do SESC Ler Paulo Afonso no Blog Circuito PA
Homenagem ao Poeta Manoel de Barros
09 de maio de 2014
Fotos de Marcos Pinheiro






III Banquete Literário do SESC Ler Paulo Afonso

Momentos do III Banquete Literário do SESC Ler Paulo Afonso
Homenagem ao Poeta Manoel de Barros
09 de maio de 2014
Fotos de Rosana


 Na companhia da Professora Edileide Reis

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Projeto Cibercultua do Colégio Flamboyant


Compartilho com alegria e convido a todos a visitarem o blog do Projeto Cibercultura desenvolvido pelas professoras Ione Carla e Mirian e executado pelos alunos Caio Novoa, Celso Carvalho, Laís Oliveira, Luis Gustavo, Marcos Vinicius e Taina Oliveira, do Colégio Flamboyant, Salvador, Bahia.
Eles trabalham a poesia de Cleberton Santos, a música de Fabrício Barreto e a pintura de Gabriel Ferreira!


Fotografia inspirada no poema Balada de Solidão e Remorso


Fotografia de Raquel Arruda, inspirada no poema “Balada de Solidão e Remorso” publicado em "Aromas de Fêmea”, vencedora do Concurso para Leitores de "Aromas de Fêmea” 2013


Balada de Solidão e Remorso

Amiga, nesta cidade nua
ando sem consolo
sigo o rastro da sombra tua

pelo beco estreito de outrora 
tarde de domingo claro
um beijo de cinema roubado

mãos em rosto sonoro
afagando antigas ilusões
sigo o rastro das paixões

vestido indiano que flutua
em sons e cores e dardos
um beijo de cinema roubado.



Lançamento de "Estante Viva" na Bienal do Livro da Bahia 2013


Bienal do Livro da Bahia 2013


Lançamentos
Aromas de Fêmea (poesia)
Estante Viva (crítica literária)