sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A LEITORA MARA VIRGINIA

A riqueza de detalhes


Mara Virginia



O livro “A riqueza de detalhes” de Moacir Saraiva chegou em minhas mãos por intermédio do professor, poeta e crítico literário Cleberton Santos. Sua indicação soou como um ultimato: Leia. Mas fiquei muito agradecida, porque realmente foi prazeroso mergulhar nas 78 páginas da obra de Moacir e beber da fonte literária reunida nas 34 crônicas ali presentes, assim, simplesmente, como se bebe um gostoso café pela manhã.

Fiquei impressionada com “a riqueza de detalhes” apresentada na crônica de título homônimo à obra. Possuidor de uma linguagem simples, porém elaborada e original, viajei ao som musical de uma filarmônica imaginária, levada pelo poder da palavra que o escritor consegue transmitir ao seu leitor, criando imagens reais na “riqueza de detalhes”, desenhando cenários e vivendo estórias

Meus olhos percorreram as crônicas com avidez de quem busca nas entrelinhas a individualidade do seu autor e fiquei me perguntando: Quem é Moacir Saraiva? A curiosidade foi logo aguçada, li e reli a orelha da obra em busca de respostas, então, descobri que nasceu no estado do Piauí em 1957, mas mudou-se para a Bahia ainda muito jovem, residindo em Salvador e logo depois optando por morar em Valença. É diplomado em Letras (UCSAL) e especialista em Língua Portuguesa (USS –Rio de Janeiro), também é professor do IFBA há muitos anos. Essas peculiaridades da vida do autor mostraram-me como ele foi captando as histórias e as reescrevendo em um tom de graça, leveza e humor, o que faz com que o leitor que não está familiarizado com a escrita rebuscada e o padrão da língua venha compreender e se deliciar com a técnica narrativa da crônica.

Na obra “A Riqueza de detalhes”, Moacir brinca com as palavras, utilizando-se de recursos imagéticos que prendem a atenção do leitor, para isto, utiliza-se do coloquial contextualizado de forma pertinente ao dia-a-dia urbano das cidades, da sua gente, dos seus alunos, enfim, do povo brasileiro, a exemplo das crônicas: “Café que o diabo coou” (pág. 9); “Peraltices de alunos” (pág. 17) “O médico e o padre” (pág. 62); “O motorista e a educação” (pág. 65); entre outras tantas que tratam da vida humana. Algumas crônicas chamaram-me a atenção pelo nível de narração crítica e perspicaz na construção de um texto que leva-nos a refletir sobre vários problemas sociais e políticos, claramente presentes em “Os donos do mundo” (pág. 67) e “O profissional intruso” (pág. 73). Moacir também terce comentários e faz comparações utilizando-se de algumas das personagens mais famosas de autores renomados da nossa literatura, a exemplo de: Graciliano Ramos, Manuel Bandeira e Jorge Amado, além de citar nomes da literatura universal como Cervantes, demonstrando familiaridade e admiração por estes escritores.

Assim, a leitura prazerosa das crônicas de Moacir me levou a prestar atenção na “riqueza de detalhes” ao longo de toda narrativa, no ambiente descrito, na cidade de Valença, nas ruas, nas pessoas, sendo assim, os textos me levaram a refletir na proximidade da crônica com contadores de “causos”, portanto me fez ri, me fez chorar, me surpreendeu e preencheu lacunas na minha visão de leitora.



Mara Virginia Nunes Marcelino

Professora de Língua Portuguesa

Colégio Estadual Gov. Luiz Viana Filho (CEGLVF)

Feira de Santana – Bahia – 2010



A riqueza de detalhes

Moacir Saraiva (Salvador: EGBA, 2009)