sexta-feira, 31 de março de 2017

Conto de Rubervânio Rubinho Lima

Obra de Romero Britto
Tempo e Espera
  
Ontem ficamos até tarde, um olhando para o outro, na cama. Não queria adormecer. Queria ficar contemplando-a a madrugada toda. Parece que ela não queria dormir também, mas, enfim, seus olhinhos foram baixando devagarzinho, até que penderam e se grudaram. Aquilo tudo era um êxtase. Não quero nem relembrar tudo quanto passei para podermos estar juntos. Só Deus sabe o quanto sonhei com esse momento, o de tê-la ali em meus braços. A espera me matava. Estava um tanto aflito, por achar que não mais gostaria de mim. Isso também me apavorava. Afinal, passei uma eternidade sem vê-la. Agora é só essa a visão que quero ter. A televisão ligada, sem áudio, só para clarear o quarto. Nenhum filme da madrugada me chamaria atenção. Eu nem queria. Só queria contemplá-la. Era uma sensação de protegê-la que me impulsionava a querer aconchegá-la mais e mais em meus braços. Ela era só sono. Acho que deveria sonhar também. Sonharia conosco? Sonharia sim. Também desejou muito aquele momento. Em seus lábios, um sorrisinho angelical e sem mácula denunciava que sonhava com coisas felizes. Depois de passarmos quase a noite toda, desde o momento em que ela chegou, a procurarmos reaver todo o tempo de distância, o sono era inevitável. Estávamos exaustos, mas com tanta alegria... Comecei a ficar com os olhos pesados. Tentei resistir ao cansaço, pois o tempo ao lado dela era precioso. Segurei na sua mão macia e pequena, tentando alentar-me e fui rememorando os minutos que antecederam esse momento. Fui relembrando da nossa conversa. Tínhamos muitas e muitas coisas para conversarmos. Os assuntos até se atrapalhavam, de tão acumulados. Ela sorria. Sorria de tudo que eu dizia ou fazia. Seu rostinho, seu sorriso, tudo me alegrava. Eu acabei dormindo e nem me recordo em qual momento. Dormi um sono tranquilo e sonhei um sonho bom. Um sonho de que não nos separaríamos nunca mais. Ela era minha pra sempre. Eu caminhava por um bosque florido, com ela segurando minha mão e sorrindo o tempo todo. Enfim, acordei. Fazia um friozinho pela manhã, pois agora é inverno e nesses dias a gente nem quer se levantar. Hoje estava bom pra ficar na cama até mais tarde. Resisti à preguiça. Levantei-me de um salto, com ela ainda a dormir. Fiz um esforço para tirar meu braço de sua cabecinha linda sem a acordá-la. Preparei um café bem caprichado, com chocolate quente e torradas, com ela sempre gostou. Acordei-a, enfim. Já por volta das nove horas. Ela adorou a refeiçãozinha matinal na cama e eu me contentei apenas em vê-la comendo. Estava eufórico com ela, bem ali na minha cama, na minha casa e não existia fome. Alimentava-me do seu riso, da sua face meiga. Eu a amava mais que tudo. Não havia muito tempo que descobrira isso. Ficou a me relatar mil e um casos em que vivera. Eu bebia todas as suas palavras. Vez por outra acariciava seu rosto e a beijava na testa. Às onze horas, meu coração começou a apertar, pois já se aproximava um momento que não desejaria que acontecesse. Ela iria partir ao meio dia. Contra a minha vontade, contra a dela, mas era o certo. Enfim, sua mãe a veio pegar. Estava no acordo, depois da nossa separação, mas para mim é sempre difícil aceitar isso. Agora minha filhinha se foi para outro estado, novamente, e só a verei no próximo ano, quando for o seu aniversário de dez anos. Essa separação é uma tortura, mas tenho que aguentar. Vou passar o resto desse sábado para reviver tudo que passamos ontem, eu e a minha querida menininha.


Rubervânio Rubinho Lima é da cidade de Paulo Afonso, Bahia, tem 32 anos e escreve contos desde os 17. Possui Três livros publicados, sendo “Conversas do Sertão” (contos), “Regionalismo Sertanejo” (estudos literários) e “Outras Conversas do Sertão” (contos), além de ser co-autor de outros livros sobre temas como cordel, cangaço e cultura popular. É blogueiro e mantém dois blogs, conversasdosertao.com e pobresofre.com, fazendo parte dos que dedicam uma parte do seu tempo para entreterem pela internet. Membro da ALPA – Academia de Letras de Paulo Afonso, do GMPA – Grupo multicultural de Paulo Afonso, além de sócio da SBEC – Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço. Criador também do Café Cultural, evento literário mensal que visa promover um bate-papo com autores da região onde mora. 

quarta-feira, 29 de março de 2017

Poemas de Assis Freitas

O poeta português Luís de Camões. 


metaplágio para todos Camões

quando penso em teu corpo
pesa-me uma nuvem no peito
és tão miragem nessa viagem
que embaraço-me nos passos

miro um espelho de jorro fácil
desconcerto-me de tanto laço
desencontro-me de contente
ando elétrico entre as gentes

quando penso em teu corpo
habita-me a fortuna secreta
a graça suave do encantamento
o desassossego do pensamento


Ária de providência para sopro de comunhão

Eu não sei como nascem os anjos
Mas acredito em epifanias
Na raiz de quimeras, alvoradas
Na saliência do silêncio
No movediço das palavras

Eu não sei como nascem os anjos
Nem mesmo sei destes espinhos
Das lâminas afiadas em um corpo
Só sei do rasgo, do soluço, do grito
Do verbo que não nomeia, mas urge


Assis Freitas é poeta, escritor, sociólogo e mestre em Letras (UFBA). Nasceu e mora na cidade de Feira de Santana - Bahia. Publicou os livros de contos O Mapa da Cidade (1998) e O Ulisses no supermercado (2009). Como poeta, participou de diversos números da Revista Hera (1972-2005). Publica em dois blogs de poesia: o Mil e um poemas e o Árvore da Poesia

O poeta feirense Assis Freitas.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Machado de Assis: A cartomante


Vamos ouvir o conto "A cartomante" do Grande Mestre da nossa Literatura Brasileira. 

quinta-feira, 23 de março de 2017

A poesia de Federico García Lorca


Um dos poetas mais fortes das minhas leituras juvenis em Propriá. Encontrei um livro deste poeta espanhol na Biblioteca Municipal de Propriá. Li e reli vários poemas. Várias vezes. Vários dias. Várias noites enluaradas. Eternamente lendo. Eternamente escutando seu verso, sua paixão, seu delírio. Um poeta para sempre em minha vida. Uma poesia em língua belíssima. Gracias querido poeta García Lorca por sua poesia! 

terça-feira, 21 de março de 2017

Literatura e cinema: Madame Bovary


MADAME BOVARY - CLÁSSICO DA LITERATURA FRANCESA


Considerado por muitos críticos e estudiosos como a maior realização do romance ocidental, 'Madame Bovary' trata da desesperança e do desespero de uma mulher que, sonhadora, se vê presa em um casamento insípido, com um marido de personalidade fraca, em uma cidade do interior. Publicado originalmente em capítulos de jornal, em 1856, o romance mostra o crescente declínio da vida - interna e externa - de Emma Bovary, que figura na literatura ocidental no mesmo degrau que Dom Quixote, o personagem de Cervantes. Ambos não se conformam com a realidade em que vivem e tanto o cavaleiro da triste figura quanto a desolada dona-de-casa oscilam entre o status de herói e de anti-herói. Madame Bovary é sem dúvida a obra-prima de Gustave Flaubert (1821-1880), escritor francês que como nenhum outro na literatura ocidental levou o estilo à perfeição, reescrevendo inúmeras vezes o texto e procurando, como um artesão, o melhor encaixe das palavras. Flaubert identificou-se de tal forma com a sua protagonista que declarou: 'Madame Bovary, c'est moi' (Madame Bovary é eu). Na sua maior obra, o escritor atingiu um grau de penetração dentro da mente da personagem principal como nunca ocorrera até então e abriu caminho para as aventuras psicológicas dos modernistas como Virginia Woolf, Marcel Proust, Clarice Lispector e James Joyce. Não por coincidência, Proust considerava Flaubert como um escritor de ruptura, por ter dado sentido e substância ao romance de análise psicológica. 
Comentário retirado do site http://www.saraiva.com.br/madame-bovary-136867.html
 

segunda-feira, 20 de março de 2017

Poema de Mario Quintana


QUEM AMA INVENTA

Quem ama inventa as coisas a que ama...
Talvez chegaste quando eu te sonhava.
Então de súbito acendeu-se a chama!
Era a brasa dormida que acordava...
E era um revôo sobre a ruinaria,
No ar atônito bimbalhavam sinos,
Tangidos por uns anjos peregrinos
Cujo dom é fazer ressurreições...
Um ritmo divino? Oh! Simplesmente
O palpitar de nossos corações
Batendo juntos e festivamente,
Ou sozinhos, num ritmo tristonho...
Ó! meu pobre, meu grande amor distante,
Nem sabes tu o bem que faz à gente
Haver sonhado... e ter vivido o sonho!

MARIO QUINTANA



domingo, 19 de março de 2017

Entrevista com Vladimir Queiroz


Entrevista realizada por Clarissa Macedo com o escritor Vladimir Queiroz para o Programa Feira Literária, TV Monte Sião,  2016.



sábado, 18 de março de 2017

Os vaqueiros de Ricardo Prado

 Vaqueiros encourados - PE – 2016, Ricardo Prado

Vaqueiros encourados - PE – 2016, Ricardo Prado

RICARDO PRADO – fotógrafo baiano de vários diálogos artísticos.


sexta-feira, 17 de março de 2017

Pablo Neruda por Pablo Neruda


Um dos maiores poetas do mundo: o chileno Pablo Neruda. Li pela primeira vez em Propriá em uma edição bilíngue (português-espanhol) que encontrei em uma biblioteca da cidade. Fonte de eterna inspiração. 

quinta-feira, 16 de março de 2017

Meu poema "Mulher e violoncelo"


Mulher e violoncelo

À sombra do teu dorso
habito o silêncio desta nudez implícita.

Na hora do inevitável gozo
breve instante à luz da lua
ficamos tão cheios de pudor
que beijamos estrelas nuas.

De súbito morno
celebro desejos à sombra do teu corpo.


Cleberton Santos
Do livro “Lucidez silenciosa” (2005).

quarta-feira, 15 de março de 2017

Imagens do II Recital Aberto do IFBA campus Santo Amaro

Placa confeccionada pelo escritor Igor Rossoni.
Cleberton Santos e o fotógrafo e cineasta Nino Gonçalves. 

Escritor Igor Rossoni.
Poeta Zéu Pereira.
  

Livro do homenageado Castro Alves.

Karine recitando.

Professora Gal Meirelles recitando.

Aluna recitando o escritor Saulo.
Fotografias by: BRUNO MOREIRA


Aconteceu, no dia 14 de março de 2017, para celebrar o DIA NACIONAL DA POESIA, data que homenageia o nascimento do poeta baiano Castro Alves (14/03/1847), o II Recital Aberto na Praça da Poesia do IFBA campus Santo Amaro. Com a presença de alunos, professores, servidores e artistas da comunidade, o recital prestou sua homenagem ao poeta baiano e a outras vozes da poesia brasileira em português e inglês. Ainda tivemos as presenças dos escritores Valdir do Carmo, Zéu Pereira e Igor Rossoni. O professor, historiador e fotógrafo Bruno Moreira fez um cobertura do evento com seu olhar poético-historiográfico. Novos talentos da escrita e da declamação continuam aflorando entre nossos jovens. Viva a poesia!




segunda-feira, 13 de março de 2017

Entrevista com Clarissa Macedo


Entrevista realizada pelo jornalista Elsimar Pondé  com a poeta Clarissa Macedo para o programa “Dois pontos” da TV Olhos D’água, UEFS.

domingo, 12 de março de 2017

Poemas de Rita Queiroz



Cartão postal

O sol reluz os sonhos
Transbordados nas veias abertas
Do homem solitário

As aparências revelam as realidades
Evaporadas nas cortinas da sala
No olhar incerto do menino

O tempo filtra os desejos
Em águas abissais do firmamento
Nos passos marcados do andarilho

E as linhas do destino
Ditam o traçado das mãos.


Rita Queiroz / 04.03.2017


Eclipse de amor

Faço do teu peito abrigo
Nas noites que transbordam perfumes
Em eclipses de pétalas da aurora

Me aninho em teus sonhos
Esculpidos em minha pele de ébano
Palimpsesto de nossas memórias

Meu amor em digitais
Se tatua na tua retina
Nas filigranas de pretéritos mais-que-perfeitos

Nos enlaçamos em nós
Convexos nos reversos a sós
Printados nos côncavos encobertos de sóis

Rasuro nossas cartas lacradas
Endereçadas aos nossos eus apaixonados
Devorados pelo fogo da madrugada

Rita Queiroz / 03.03.2017

Doutora em Filologia e Língua Portuguesa (USP). Mestre em Letras e Linguística e Graduada em Letras Vernáculas (UFBA). Professora Pleno da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Organizadora do livro Confraria poética feminina (poemas). Integrante da Plataforma Virtual do Mapa da Palavra 2016 (Fundação Cultural do Estado da Bahia - Funceb). Integra as seguintes coletâneas: Sarau Brasil (2016), Poesias sem fronteiras (2016), Prosa e verso (Oficina de criação literária - 8ª Feira do Livro – Festival Literário e Cultural de Feira de Santana-Ba – 2016), Poetize 2017: Concurso Nacional Novos Poetas (2017). Participação em saraus literários, premiação de poemas em concursos nacionais e locais, tais como: “Amor, paixão, loucura” da Editora Litteris (Rio de Janeiro) em primeiro lugar; “Pé de poesia” (Salvador); “Pão e poesia” (Blumenau – Santa Catarina). http://mapadapalavra.ba.gov.br/rita-queiroz/



sábado, 11 de março de 2017

Entrevista com Antonio Torres


Excelente entrevista realizada pelo jornalista Roberto D'ávila com o escritor e imortal Antonio Torres.


sexta-feira, 10 de março de 2017

Poema de Castro Alves


Adormecida

Ses longs cheveux épars Ia couvrent tout entière.
La croix de son collier repose dans sa main,
Comme pour témoigner qu'elle a fait sa prière,
Et qu'elle va Ia faire en s'éveillant demain.

(A. de Musset)
Uma noite, eu me lembro... Ela dormia
Numa rede encostada molemente...
Quase aberto o roupão... solto o cabelo
E o pé descalço do tapete rente.

'Stava aberta a janela. Um cheiro agreste
Exalavam as silvas da campina...
E ao longe, num pedaço do horizonte,
Via-se a noite plácida e divina.

De um jasmineiro os galhos encurvados,
Indiscretos entravam pela sala,
E de leve oscilando ao tom das auras,
Iam na face trêmulos — beijá-la.

Era um quadro celeste!... A cada afago
Mesmo em sonhos a moça estremecia...
Quando ela serenava... a flor beijava-a...
Quando ela ia beijar-lhe... a flor fugia...

Dir-se-ia que naquele doce instante
Brincavam duas cândidas crianças...
A brisa, que agitava as folhas verdes,
Fazia-lhe ondear as negras tranças!

E o ramo ora chegava ora afastava-se...
Mas quando a via despeitada a meio,
Pra não zangá-la... sacudia alegre
Uma chuva de pétalas no seio...

Eu, fitando esta cena, repetia
Naquela noite lânguida e sentida:
"Ó flor! - tu és a virgem das campinas!
"Virgem! - tu és a flor de minha vida!..."

CASTRO ALVES



quinta-feira, 9 de março de 2017

Poema de José Inácio Vieira de Melo



PEDRA SÓ - Poema de José Inácio Vieira de Melo, do livro "Pedra Só" (Escrituras Editora, 2012). Recitado por José Inácio Vieira de Melo. Ilustrações de Juraci Dórea. Músicas: JIVM, Uakti, Oliveira de Panelas & Téo Azevedo, Quinteto Armorial, Zabé da Loca. Edição de audio: Vandex. Edição de vídeo: Ricardo Bertol. Direção: Gabriel Gomes e José Inácio Vieira de Melo.


quarta-feira, 8 de março de 2017

As crônicas líricas de César Oliveira




Inventário

Não caminho sem avarias, mas não lamento. Não margeio perdas ou danos. Não cobiço sesmarias além daquelas da alma. Celebro as especiarias, os pratos elaborados, o maturi, a abóbora com leite, e as taças da embriaguez. Os abraços dados, em silêncio, ou comunhão; as palavras que confessei onde se confessava palavras, e muitos de mim habitaram.

Sou de melancolias e solidões, mas um amigo perdido me dilacera. Cometi vilanias - demasiado humano-, mas apanhei mais que o merecido. Tenho sérias reclamações a meu respeito, mas sou bom filho e pai. Toquei, por vezes, ah Deus, o inacessível chão, como milagre pessoal. Fiz-me, nem sempre por escolhas, mas, sim, por arrebatamentos. Ouvi música, como reza, e dancei imaginariamente o infinito baile dos corpos.

Não sei muitas coisas simples, que todo mundo sabe. Sou de rara inabilidade, mas tenho coração. Afirmo, com certeza, ainda que cambaleante. Sou de boas intenções, embora saiba que o inferno tem algumas minhas. Embriago-me com tanto da vida: cartas em papel; a roça com um verde virgem, quando chove; um ciclista que entrega flores, papel jornal, os textos que invejo não ter escrito, ruas de pedra, vestido de flores, vinhos de sobremesa.

Coleciono sinos dos lugares que vou, imaginando que dobram por mim; amo doces e sou perene com o de tomate. Quero as coisas certas, bem feitas, mas sem exageros doentios. Sou de sol, lua e neblinas. Peixes, do segundo decanato. Com ascendente em esperança. Sou.


César Oliveira – escritor, professor da UEFS e médico em Feira de Santana / BA. Já publicou poemas, crônicas e artigos em jornais e revistas.

http://www.tribunafeirense.com.br/coluna/14/1/cesar-oliveira


terça-feira, 7 de março de 2017

2 Feira do livro e da leitura de Sergipe 2017


https://www.facebook.com/II-FLISE-Feira-da-Leitura-e-do-Livro-de-Sergipe-464107057079573/


Contagem regressiva

Este é o momento
O segundo do sorriso
O minuto da lágrima
A hora da alegria
O dia da tristeza
A semana da busca
O mês do desencontro
O ano da verdade
A década da ilusão
O século da partilha
O milênio da comunhão.

Rinalda Lima – poeta e assistente social. Poema publicado na antologia “Aperitivo Poético”, Aracaju, 1998.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Poemas de Fabrício Oliveira


CANÇÃO II

Eu canto a angústia e a raiva vil
e renasço sob a Ágora da Lua
onde os abismos do verbo amar
devoram Anjos & Demônios.

Eu canto
para renascer entre sombras
e para mover-me nas entrelinhas
dos teus abismos - por onde inscrevo
cicatrizes e catáforas.

Eu canto as palavras
e as colinas
e os desvios plenos onde cruzam-se
santos e marginais - e entre o gozo
e o tormento - só ruínas e nada mais.

Eu canto para que a morte não ecoe
em meu dorso, e para que  o sol vil
não queime a minha velha infância
ou seque as águas do meu rio perene.

Eu canto a Bahia e a morte da poesia
que cai sobre o mundo feito um surto
de dor rompendo o meu íntimo, a morte.
Eu canto o meu sangue seco e as sequelas.



ÁGUAS DE MARÇO

Sou um louco que plasma
                                     e bebe
o incerto amor
                      para renascer
sobre as águas de março.

Entre o abismo
                         insano
e o distante olhar
habitam meus sinais.

Meus olhos contemplam
teus olhos
                  no horizonte,

e movem-se sobre as linhas
                       dos teus abismos
por onde inscrevo

minhas digitais.


BIOGRAFIA:
Fabrício Oliveira é poeta e pesquisador de letras. Nasceu em 1996 em Feira de Santana /BA, mas reside em Santo Estêvão / BA. Estudante do curso de Letras Vernáculas pela Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS. 

domingo, 5 de março de 2017

Roteiro da poesia brasileira anos 2000 - Marco Lucchesi


Fragmentos poéticos de alguns dos 46 autores publicados nesta antologia da poesia brasileira dos anos 2000, com seleção e prefácio do escritor, professor, tradutor e crítico Marco Lucchesi (Academia Brasileira de Letras).

Amor

O vestido preto
está dançando na esquina.
O amor é uma festa
mesmo em dia de luto.

Cleberton Santos


Construção

Meu verso não tem cifras,
não pretende em metros livres
fechar bocas e abrir pernas,
o meu verso inunda almas.

José Inácio Vieira de Melo


A lua e a noite

Fuga. É só no que penso.
Um ponto, pêndulo
No qual se dependura a vida toda.

Kátia Borges


Senil

O que meus olhos já não veem
se perdeu na poeira que passou.
O que já nem sei que esqueci
é passado pássaro que voou.

Marcus Vinícius Rodrigues


A casa

A casa e sua leveza bêbada
de torneira amiga
jorrando sobre o assoalho.

Vanessa Buffone


Fragmentos poéticos de alguns dos 46 autores publicados nesta antologia da poesia brasileira dos anos 2000, com seleção e prefácio do escritor Marco Lucchesi (Academia Brasileira de Letras).

Amor

O vestido preto
está dançando na esquina.
O amor é uma festa
mesmo em dia de luto.

Cleberton Santos


Construção

Meu verso não tem cifras,
não pretende em metros livres
fechar bocas e abrir pernas,
o meu verso inunda almas.

José Inácio Vieira de Melo


A lua e a noite

Fuga. É só no que penso.
Um ponto, pêndulo
No qual se dependura a vida toda.

Kátia Borges


Senil

O que meus olhos já não veem
se perdeu na poeira que passou.
O que já nem sei que esqueci
é passado pássaro que voou.

Marcus Vinícius Rodrigues


A casa

A casa e sua leveza bêbada
de torneira amiga
jorrando sobre o assoalho.

Vanessa Buffone






sábado, 4 de março de 2017

Cena Poética 3: Antologia literária para poetas e contistas





Cena Poética 3: Antologia literária

Com o intuito de reunir autores de vários estados do país, num livro que desse representatividade a isso, foi criado em 2015 pelo poeta Rogério Salgado (MG), a coletânea “Cena Poética”, que teve sua primeira edição com sucesso. O livro “Cena Poética 1” acabou recebendo da IWA-International Writers and Artists Association, nos Estados Unidos da América, a premiação como “The Best Anthology of Poetry in Portuguese of Brazil”Essa premiação, com certeza, serviu de estímulo para continuarmos neste caminho.
Neste ano de 2017, consolidando o que deu certo, com o lançamento dos volumes 1 e 2, estamos organizando um volume 3 da referida coletânea e em comum acordo com a gráfica, conseguimos manter o mesmo orçamento dos volumes anteriores, facilitando assim o mesmo valor das edições anteriores para os autores participantes. Uma novidade é que a pedidos de vários contistas, estamos incluindo também contos desde o volume passado.
Abaixo seguem as informações para participação da antologia “Cena Poética 3”:
Cada poeta participante terá direito a 04 páginas, sendo a primeira para a biografia, a qual não poderá exceder 11 linhas* digitadas e uma foto, sendo as demais páginas para os poemas, os quais não poderão exceder a 30 linhas digitadas cada um. Caso o autor deseje publicar trovas, caberá a publicação de no máximo três trovas por página e caso queira publicar contos, estes poderão ser decididos pelo autor, desde que não ultrapassem as 3 páginas. Esse material deverá ser entregue via e-mail para poetarogeriosalgado@yahoo.com.br ou através de correspondência.
 O livro terá capa em policromia, plastificada, em papel supremo 250g, costurado e colado – miolo: papel Ap 75g.
Cada autor fará um investimento de R$ 490,00 (quatrocentos e noventa reais), para cobrir os custos gráficos de confecção do livro, que poderá ser pago em até 05 (cinco) parcelas de R$ 98,00 (noventa e oito reais) cada, em forma de cheques nominais a Rogério Salgado da Silva, pré-datado para os dias 10 de abril, 10 de maio, 10 de junho, 10 de julho e 10 de agosto de 2017. O autor que desejar nota fiscal, gentileza fornecer nome e endereço completo e nº do CPF, que enviarei via correio. Cada poeta terá direito a 40 exemplares do livro.
A importância dessa iniciativa é a continuidade de um processo de união entre poetas e contistas de várias tendências e estéticas, numa obra de circulação nacional.
Gentileza confirmar interesse em participar deste projeto até o dia 05 de abril de 2017, enviando o material por e-mail. O material digitado e\ou os cheques deverão ser enviados através de carta registrada para RS Edições, a Caixa Postal 836 – Belo Horizonte/MG – CEP 30.161-970.
Os poetas que não puderem vir ao lançamento nacional em Belo Horizonte, receberão seus exemplares em casa, via correios, sendo que os custos de envio via PAC correrão por conta do autor.                                       
Responsável: Rogério Salgado (Minas Gerais)
Tel: (31) 98421.6827

quinta-feira, 2 de março de 2017

Davide Curzio declamando "Travessia de abismos"


Poemas do meu livro "Travessia de abismos" (2015) traduzidos para o italiano pelo ator Davide Curzio com sua bela declamação. Essa parceria foi fruto do nosso encontro durante a I Jornada Literária de Campos do Jordão, em 2016.

Davide Curzio nasceu em Nápoles na Itália em 1955. Artisticamente nasceu com a idade de 16 anos em um teatro na cidade de Salerno, na Itália. A sua carreira teatral passa pelo teatro clássico, antigo e moderno. Colabora, junto ao Consulado Honorário da Itália em Guaratinguetá SP, em um projeto de sua esposa, Brunella Caputo, diretora de Teatro, de leitura e dicção italiana. Além da língua materna, a italiana, fala inglês, francês e português fluentes. No dia 28 de Fevereiro de 2015 recebeu da Allarte ( Academia Lorenense de Letras e Artes ) o prêmio “Amigo da Academia”.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Outro poema de Elizeu Moreira Paranaguá

CAVALO DE MOREIRA

Para Cleberton Santos

Cavalos blindados
heróis da Idade Média
salvação da cristandade
Florisvaldo Mattos

O cavalo de Moreira Paranaguá
não carrega espadas assassinas
não carrega esporas e ferraduras
não é a salvação da cristandade.

O cavalo de Aprígio Moreira,
meu avô árabe, galopa
como ondas de vento purificador.
Folhas de carvalho, natureza ao infinito.

O cavalo de Moreira,
pertence à grandeza do Fogo.

Cavalo de luz:
flechada de Moreira.

Cavalos selvagens soprando
o fogo da natureza.

Cavalos armados soprando
o fogo da guerra de um deus cruel.

Cavalo de luz:
flechada de Moreira.

Elizeu Moreira Paranaguá


O poeta nasceu na cidade de Castro Alves / Bahia, em 1963. Reside em Salvador desde 1981. Publicou os livros “Poema Terra Castro Alves” (1992), “O Fogo do Invisível” (2006) e “Silêncio da pedra do caos” (2012). Coordenou vários projetos literários em Salvador. Participou das antologias “Sete Cantares de Amigos” (2003) e “Concerto Lírico a Quinze Vozes” (2004).

Elizeu Moreira Paranaguá recitando no Sarau da Fazenda Pedra Só 2016
Fotógrafo: Ricardo Prado