segunda-feira, 24 de abril de 2017

Chico de Assis e Jorge de Lima

Dois grandes nomes da Cultura Brasileira.

domingo, 23 de abril de 2017

Poética na incorporação: livro de Igor Fagundes


ODISSEIA DA LINGUAGEM 

Poeta, ensaísta, crítico literário, ator e professor de Filosofia, Estética e Dança no Departamento de Arte Corporal da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Igor Fagundes digere as bases de formação do pensamento ocidental e oferece em seu oitavo livro (o quarto de ensaio), Poética na incorporação, uma odisseia da linguagem. Seduzindo-se pelo canto das sereias e das musas, restitui-se como espaço privilegiado do exercício do humano, da experimentação e da resistência. Para tanto, evoca as gestualidades vocais de Maria Bethânia e a poesia escrita de José Inácio Vieira de Melo, deitando-as na encruzilhada de Exu, orixá mensageiro das travessias, e assim promove a desconstrução de estereótipos promotores de discriminação e preconceito.
Fruto de tese de doutorado em Poética pela UFRJ, o livro revela um escritor avesso ao lugar-comum a que o conceito oswaldiano de antropofagia acabou se reduzindo, e que faz da escrita, com seu formato ensaístico, um libelo ao pensamento. Em Igor Fagundes, a escrita pensa: desdobra-se para dentro e para fora de si, investigando-se. Só por isso já merece leitura e atenção. Mas vai além. Cruza mitos africanos, bíblicos e gregos para remexer nossa ontologia cultural, problematizando, por exemplo, recentes ideias de autoficção ou escritas de si. E também restaura a questão sobre o que é ser brasileiro e sobre o que significa pensar e escrever num Brasil “expatriado”, “ainda e sempre na promessa de um descobrimento”. País que “há de ser o mistério de cada voz no silêncio e pelo silêncio transatlântico de todo lugar”.
Em suas especificidades e “dentro de um só mocó”, Exu, Cristo e Hermes incorporam no palco e terreiro deste Ulisses brasileiro e pirata que Igor Fagundes se torna, colocando “Ítaca bem no meio da gira” e atravessando o mar da sofia. Mar que também é sertão (pois, mencionando Guimarães Rosa, “o sertão está em toda parte, é dentro da gente”). Fagundes leva o sertão para dentro do texto, “sempre na volta adiável”, com eternos retornos, torneios da linguagem. Daí que testa o uso das palavras, rascunha e dobra os sentidos ao escrever, deixando sempre o rastro da escrita, da incerteza.
Se a poesia de José Inácio tem como referência os cordelistas e o aboio; se a voz de (sua musa) Maria Bethânia — “cantora encruzilhada” — guarda o canto das sereias, Igor Fagundes imprime em seu texto a marca do popular, do artesanal, do mítico. E o faz sintonizado, ainda que não cite, com um dos mais enigmáticos aforismos de Oswald de Andrade: “Só podemos atender ao mundo orecular”. Amalgamando “auricular” (de ouvido) e “oracular” (de oráculo), investe no sentido da audição, na escuta como acesso ao conhecimento, descarregando o divino na histórica objetivação capitalista.
A demanda pela voz atravessa todo o livro e é sua potência. Para além do registro escritural, a voz poética desconstrói verdades e quebra hábitos de leitura. O projeto ocidental de emudecimento do poético e, por sua vez, de ensurdecimento do ouvinte-leitor é radicalmente atacado. Entre silêncios e vazios, o leitor é chamado a tomar posição e a pensar com o corpo todo sobre o já dado, o já estabelecido na cultura dos conceitos, no fetiche da ciência que despreza as religiões: “no arcaico, sábio é o poeta, o bardo, o cantor, o incorporado”. Tomado “pelo princípio enquanto princípio, pelo milagre do agora abissal”, Igor Fagundes emula Maria Bethânia e José Inácio direcionando o leitor para um grau zero da escrita, para uma fronteira onde o escrito por si só não basta. Considerando que a musa é a fonte de uma mensagem enviada apenas ao poeta e a sereia, a portadora do canto audível aos ouvidos humanos, em Poética na incorporação a linguagem é musa e a escrita é sereia que seduz e engendra o desconforto do leitor.
Labiríntico e distante das simplificações dos manuais que criam dicotomias preguiçosas para apressados, o livro orienta antigo e moderno, tradição e traição, a fim de sustentar a hesitação geradora do pensar. Na invenção do humano, cantando o ciclo da origem, do ser se dando na linguagem, as disputas pelas heranças patriarcais são substituídas pela generosidade erótica dos contatos. Em estado de poesia, vendo o mundo “pelos olhos da esfinge”, sendo o enigma, não o decifrador, Igor Fagundes reafirma a literatura como saber: da linguagem e de um ser humano retirante, itinerante, nômade.

Resenha publicada no Jornal Rascunho

Para adquirir mais livros de Igor Fagundes:



quinta-feira, 20 de abril de 2017

Damário Dacruz: oficina do Projeto OXE


Certo voo

Cada
pássaro
sabe
a rota
do retorno.

Cada
pássaro
sabe
a rota
de si.

Cada
pássaro,
na rota,
sabe-se
pássaro.

Damário Dacruz

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Manuel Bandeira: imagem, poesia e vida.


Um poeta que leio sempre. Poemas para todos os dias. Meu querido poeta pernambucano Manuel Bandeira. Estrela da vida inteira.


quinta-feira, 6 de abril de 2017

"O Alienista" de Machado de Assis


Para meus queridos alunos do IFBA campus Santo Amaro. Para todos os amantes da nossa boa Literatura Brasileira. O Mestre Machado de Assis.
 

terça-feira, 4 de abril de 2017

Poema de Narlan Matos



CALENDÁRIO

é preciso esquecer de março
para que abril finalmente aconteça
deitar-se sob a sombra de janeiro
para que o abismo de junho desapareça

de quem é esta face por detrás da hera?
ao longe o luar etéreo repousa leve e branco
sobre lírios de absinto e quimera

resta ainda a relva de setembro
e azaleias da tarde
e as latitudes do silêncio

não é a morte que eu busco, amiga
quando chegam tuas palavras na brisa
quando oferece-me o frescor de tua tez
e a Via-Láctea de repente renasce
calma nas rosas silvestres do prado
ou quando abres as imensas pétalas
do teu sorriso lindo e branco (um lírio?)
para a noite da minha existência

CALENDARIO

bisogna dimenticare marzo
perché finalmente arrivi aprile
sdraiarsi all’ombra di gennaio
perché l’abisso di giugno scompaia

di chi è questa faccia dietro l’edera?
lontano il chiar di luna riposa lieve e bianco
sopra gigli di assenzio e chimera

resta ancora l’erba di settembre
e azalee del pomeriggio
e le latitudini del silenzio

non è la morte che cerco, amica
quando giungono le tue parole nella brezza
quando mi offri la frescura della tua pelle
e la Via Lattea all’improvviso rinasce
calma nelle rose silvestri del prato
o quando apri i petali immensi
del tuo sorriso bello e bianco (un giglio?)
per la notte della mia esistenza

Narlan Matos - poeta brasileiro com vários livros publicados. Vive nos Estados Unidos e sua poesia já foi traduzida para vários idiomas. 

Tradutor: Giorgio Mobili




segunda-feira, 3 de abril de 2017

Poema de Roberval Pereyr



Amálgama

O exercício da mentira
assevera-nos o rosto;
petrifica-nos o busto
e engrandece-nos a ira. 

O exercício da mentira
engrandece-nos as posses;
ajoelha-nos em preces
sob o teto das igrejas. 

O exercício da mentira
faz-nos fortes barulhentos;
tece grandes pensamentos
para encher-nos de amarguras. 

O exercício da mentira
faz-nos lúcidos, divinos;
torna os animais humanos
e torna os deuses caninos. 

O exercício da mentira
(por que tamanha maldade?)
concedeu-nos - que loucura! -
o exercício da verdade. 

Roberval Pereyr

Nasceu em Antônio Cardoso (Bahia, 1953). Vive em Feira de Santana. É poeta, ensaísta e professor na UEFS. Publicou os livros de poesia: Iniciação ao estudo do um (com Antônio Brasileiro, em 1973); Cantos de sagitário, (1976); As roupas do nu (Coleção dos Novos, em 1981); Ocidentais (1987) e O súbito cenário (1996). Publicou nas revistas: Tapume, Hera e Serial. Vencedor do Prêmio da Academia de Letras da Bahia 2010.


domingo, 2 de abril de 2017

Meu poema "dedos"

Fotografia by Ricardo Prado
Sarau na Fazenda Pedra Só 2016


dedos

algum dia serei mais que poesia
recitada pelos
bares
ruas
praças
serei traça corroendo os mapas
da vida
com seus destinos traçados pelo vento

esse deus estrangulado pelos meus dedos


Cleberton Santos
Do livro "Travessia de abismos" (Editora Via Litterarum, 2015)

sábado, 1 de abril de 2017

A poesia de Helena Parente Cunha


Helena Parente Cunha (Salvador, BA, 1930). Ensaísta, poeta, contista, romancista, professora e tradutora. Em 1949, ingressa no curso de graduação em letras neolatinas da Universidade Federal da Bahia - UFBA, que conclui em 1952. Dois anos depois, ganha bolsa de estudo da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior - Capes para se especializar em língua, literatura e cultura italiana em Perúgia, Itália, na Università Italiana Per Stranieri. Começa a trabalhar como tradutora em 1956, com o livro A Educação da Criança Difícil, do psicólogo italiano Dino Origlia. Muda-se para o Rio de Janeiro em 1958, e, dez anos depois, publica seu primeiro livro de poemas, Corpo no Cerco. Segue carreira acadêmica na área de letras: mestrado na Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, de 1969 a 1972; doutorado na Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC, entre 1974 e 1976; livre-docência, em 1976; e pós-doutorado novamente na UFRJ, de 1992 a 1994. Estuda na Università Degli Studi Di Firenze, na Itália, em 1978. Começa a trabalhar como professora adjunta na UFRJ no ano seguinte e torna-se titular em 1984. Ainda em 1979, publica seu primeiro livro de ensaios, Jeremias, a Palavra Poética: Uma Leitura de Cassiano Ricardo. O primeiro livro de contos, Os Provisórios, é publicado em 1980. Desenvolve desde o fim dos anos 1980 pesquisa sobre a representação feminina na literatura e a produção de escritoras brasileiras do século XIX ao início do XXI.





sexta-feira, 31 de março de 2017

Conto de Rubervânio Rubinho Lima

Obra de Romero Britto
Tempo e Espera
  
Ontem ficamos até tarde, um olhando para o outro, na cama. Não queria adormecer. Queria ficar contemplando-a a madrugada toda. Parece que ela não queria dormir também, mas, enfim, seus olhinhos foram baixando devagarzinho, até que penderam e se grudaram. Aquilo tudo era um êxtase. Não quero nem relembrar tudo quanto passei para podermos estar juntos. Só Deus sabe o quanto sonhei com esse momento, o de tê-la ali em meus braços. A espera me matava. Estava um tanto aflito, por achar que não mais gostaria de mim. Isso também me apavorava. Afinal, passei uma eternidade sem vê-la. Agora é só essa a visão que quero ter. A televisão ligada, sem áudio, só para clarear o quarto. Nenhum filme da madrugada me chamaria atenção. Eu nem queria. Só queria contemplá-la. Era uma sensação de protegê-la que me impulsionava a querer aconchegá-la mais e mais em meus braços. Ela era só sono. Acho que deveria sonhar também. Sonharia conosco? Sonharia sim. Também desejou muito aquele momento. Em seus lábios, um sorrisinho angelical e sem mácula denunciava que sonhava com coisas felizes. Depois de passarmos quase a noite toda, desde o momento em que ela chegou, a procurarmos reaver todo o tempo de distância, o sono era inevitável. Estávamos exaustos, mas com tanta alegria... Comecei a ficar com os olhos pesados. Tentei resistir ao cansaço, pois o tempo ao lado dela era precioso. Segurei na sua mão macia e pequena, tentando alentar-me e fui rememorando os minutos que antecederam esse momento. Fui relembrando da nossa conversa. Tínhamos muitas e muitas coisas para conversarmos. Os assuntos até se atrapalhavam, de tão acumulados. Ela sorria. Sorria de tudo que eu dizia ou fazia. Seu rostinho, seu sorriso, tudo me alegrava. Eu acabei dormindo e nem me recordo em qual momento. Dormi um sono tranquilo e sonhei um sonho bom. Um sonho de que não nos separaríamos nunca mais. Ela era minha pra sempre. Eu caminhava por um bosque florido, com ela segurando minha mão e sorrindo o tempo todo. Enfim, acordei. Fazia um friozinho pela manhã, pois agora é inverno e nesses dias a gente nem quer se levantar. Hoje estava bom pra ficar na cama até mais tarde. Resisti à preguiça. Levantei-me de um salto, com ela ainda a dormir. Fiz um esforço para tirar meu braço de sua cabecinha linda sem a acordá-la. Preparei um café bem caprichado, com chocolate quente e torradas, com ela sempre gostou. Acordei-a, enfim. Já por volta das nove horas. Ela adorou a refeiçãozinha matinal na cama e eu me contentei apenas em vê-la comendo. Estava eufórico com ela, bem ali na minha cama, na minha casa e não existia fome. Alimentava-me do seu riso, da sua face meiga. Eu a amava mais que tudo. Não havia muito tempo que descobrira isso. Ficou a me relatar mil e um casos em que vivera. Eu bebia todas as suas palavras. Vez por outra acariciava seu rosto e a beijava na testa. Às onze horas, meu coração começou a apertar, pois já se aproximava um momento que não desejaria que acontecesse. Ela iria partir ao meio dia. Contra a minha vontade, contra a dela, mas era o certo. Enfim, sua mãe a veio pegar. Estava no acordo, depois da nossa separação, mas para mim é sempre difícil aceitar isso. Agora minha filhinha se foi para outro estado, novamente, e só a verei no próximo ano, quando for o seu aniversário de dez anos. Essa separação é uma tortura, mas tenho que aguentar. Vou passar o resto desse sábado para reviver tudo que passamos ontem, eu e a minha querida menininha.


Rubervânio Rubinho Lima é da cidade de Paulo Afonso, Bahia, tem 32 anos e escreve contos desde os 17. Possui Três livros publicados, sendo “Conversas do Sertão” (contos), “Regionalismo Sertanejo” (estudos literários) e “Outras Conversas do Sertão” (contos), além de ser co-autor de outros livros sobre temas como cordel, cangaço e cultura popular. É blogueiro e mantém dois blogs, conversasdosertao.com e pobresofre.com, fazendo parte dos que dedicam uma parte do seu tempo para entreterem pela internet. Membro da ALPA – Academia de Letras de Paulo Afonso, do GMPA – Grupo multicultural de Paulo Afonso, além de sócio da SBEC – Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço. Criador também do Café Cultural, evento literário mensal que visa promover um bate-papo com autores da região onde mora. 

quarta-feira, 29 de março de 2017

Poemas de Assis Freitas

O poeta português Luís de Camões. 


metaplágio para todos Camões

quando penso em teu corpo
pesa-me uma nuvem no peito
és tão miragem nessa viagem
que embaraço-me nos passos

miro um espelho de jorro fácil
desconcerto-me de tanto laço
desencontro-me de contente
ando elétrico entre as gentes

quando penso em teu corpo
habita-me a fortuna secreta
a graça suave do encantamento
o desassossego do pensamento


Ária de providência para sopro de comunhão

Eu não sei como nascem os anjos
Mas acredito em epifanias
Na raiz de quimeras, alvoradas
Na saliência do silêncio
No movediço das palavras

Eu não sei como nascem os anjos
Nem mesmo sei destes espinhos
Das lâminas afiadas em um corpo
Só sei do rasgo, do soluço, do grito
Do verbo que não nomeia, mas urge


Assis Freitas é poeta, escritor, sociólogo e mestre em Letras (UFBA). Nasceu e mora na cidade de Feira de Santana - Bahia. Publicou os livros de contos O Mapa da Cidade (1998) e O Ulisses no supermercado (2009). Como poeta, participou de diversos números da Revista Hera (1972-2005). Publica em dois blogs de poesia: o Mil e um poemas e o Árvore da Poesia

O poeta feirense Assis Freitas.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Machado de Assis: A cartomante


Vamos ouvir o conto "A cartomante" do Grande Mestre da nossa Literatura Brasileira. 

quinta-feira, 23 de março de 2017

A poesia de Federico García Lorca


Um dos poetas mais fortes das minhas leituras juvenis em Propriá. Encontrei um livro deste poeta espanhol na Biblioteca Municipal de Propriá. Li e reli vários poemas. Várias vezes. Vários dias. Várias noites enluaradas. Eternamente lendo. Eternamente escutando seu verso, sua paixão, seu delírio. Um poeta para sempre em minha vida. Uma poesia em língua belíssima. Gracias querido poeta García Lorca por sua poesia! 

terça-feira, 21 de março de 2017

Literatura e cinema: Madame Bovary


MADAME BOVARY - CLÁSSICO DA LITERATURA FRANCESA


Considerado por muitos críticos e estudiosos como a maior realização do romance ocidental, 'Madame Bovary' trata da desesperança e do desespero de uma mulher que, sonhadora, se vê presa em um casamento insípido, com um marido de personalidade fraca, em uma cidade do interior. Publicado originalmente em capítulos de jornal, em 1856, o romance mostra o crescente declínio da vida - interna e externa - de Emma Bovary, que figura na literatura ocidental no mesmo degrau que Dom Quixote, o personagem de Cervantes. Ambos não se conformam com a realidade em que vivem e tanto o cavaleiro da triste figura quanto a desolada dona-de-casa oscilam entre o status de herói e de anti-herói. Madame Bovary é sem dúvida a obra-prima de Gustave Flaubert (1821-1880), escritor francês que como nenhum outro na literatura ocidental levou o estilo à perfeição, reescrevendo inúmeras vezes o texto e procurando, como um artesão, o melhor encaixe das palavras. Flaubert identificou-se de tal forma com a sua protagonista que declarou: 'Madame Bovary, c'est moi' (Madame Bovary é eu). Na sua maior obra, o escritor atingiu um grau de penetração dentro da mente da personagem principal como nunca ocorrera até então e abriu caminho para as aventuras psicológicas dos modernistas como Virginia Woolf, Marcel Proust, Clarice Lispector e James Joyce. Não por coincidência, Proust considerava Flaubert como um escritor de ruptura, por ter dado sentido e substância ao romance de análise psicológica. 
Comentário retirado do site http://www.saraiva.com.br/madame-bovary-136867.html
 

segunda-feira, 20 de março de 2017

Poema de Mario Quintana


QUEM AMA INVENTA

Quem ama inventa as coisas a que ama...
Talvez chegaste quando eu te sonhava.
Então de súbito acendeu-se a chama!
Era a brasa dormida que acordava...
E era um revôo sobre a ruinaria,
No ar atônito bimbalhavam sinos,
Tangidos por uns anjos peregrinos
Cujo dom é fazer ressurreições...
Um ritmo divino? Oh! Simplesmente
O palpitar de nossos corações
Batendo juntos e festivamente,
Ou sozinhos, num ritmo tristonho...
Ó! meu pobre, meu grande amor distante,
Nem sabes tu o bem que faz à gente
Haver sonhado... e ter vivido o sonho!

MARIO QUINTANA



domingo, 19 de março de 2017

Entrevista com Vladimir Queiroz


Entrevista realizada por Clarissa Macedo com o escritor Vladimir Queiroz para o Programa Feira Literária, TV Monte Sião,  2016.



sábado, 18 de março de 2017

Os vaqueiros de Ricardo Prado

 Vaqueiros encourados - PE – 2016, Ricardo Prado

Vaqueiros encourados - PE – 2016, Ricardo Prado

RICARDO PRADO – fotógrafo baiano de vários diálogos artísticos.


sexta-feira, 17 de março de 2017

Pablo Neruda por Pablo Neruda


Um dos maiores poetas do mundo: o chileno Pablo Neruda. Li pela primeira vez em Propriá em uma edição bilíngue (português-espanhol) que encontrei em uma biblioteca da cidade. Fonte de eterna inspiração. 

quinta-feira, 16 de março de 2017

Meu poema "Mulher e violoncelo"


Mulher e violoncelo

À sombra do teu dorso
habito o silêncio desta nudez implícita.

Na hora do inevitável gozo
breve instante à luz da lua
ficamos tão cheios de pudor
que beijamos estrelas nuas.

De súbito morno
celebro desejos à sombra do teu corpo.


Cleberton Santos
Do livro “Lucidez silenciosa” (2005).

quarta-feira, 15 de março de 2017

Imagens do II Recital Aberto do IFBA campus Santo Amaro

Placa confeccionada pelo escritor Igor Rossoni.
Cleberton Santos e o fotógrafo e cineasta Nino Gonçalves. 

Escritor Igor Rossoni.
Poeta Zéu Pereira.
  

Livro do homenageado Castro Alves.

Karine recitando.

Professora Gal Meirelles recitando.

Aluna recitando o escritor Saulo.
Fotografias by: BRUNO MOREIRA


Aconteceu, no dia 14 de março de 2017, para celebrar o DIA NACIONAL DA POESIA, data que homenageia o nascimento do poeta baiano Castro Alves (14/03/1847), o II Recital Aberto na Praça da Poesia do IFBA campus Santo Amaro. Com a presença de alunos, professores, servidores e artistas da comunidade, o recital prestou sua homenagem ao poeta baiano e a outras vozes da poesia brasileira em português e inglês. Ainda tivemos as presenças dos escritores Valdir do Carmo, Zéu Pereira e Igor Rossoni. O professor, historiador e fotógrafo Bruno Moreira fez um cobertura do evento com seu olhar poético-historiográfico. Novos talentos da escrita e da declamação continuam aflorando entre nossos jovens. Viva a poesia!




segunda-feira, 13 de março de 2017

Entrevista com Clarissa Macedo


Entrevista realizada pelo jornalista Elsimar Pondé  com a poeta Clarissa Macedo para o programa “Dois pontos” da TV Olhos D’água, UEFS.

domingo, 12 de março de 2017

Poemas de Rita Queiroz



Cartão postal

O sol reluz os sonhos
Transbordados nas veias abertas
Do homem solitário

As aparências revelam as realidades
Evaporadas nas cortinas da sala
No olhar incerto do menino

O tempo filtra os desejos
Em águas abissais do firmamento
Nos passos marcados do andarilho

E as linhas do destino
Ditam o traçado das mãos.


Rita Queiroz / 04.03.2017


Eclipse de amor

Faço do teu peito abrigo
Nas noites que transbordam perfumes
Em eclipses de pétalas da aurora

Me aninho em teus sonhos
Esculpidos em minha pele de ébano
Palimpsesto de nossas memórias

Meu amor em digitais
Se tatua na tua retina
Nas filigranas de pretéritos mais-que-perfeitos

Nos enlaçamos em nós
Convexos nos reversos a sós
Printados nos côncavos encobertos de sóis

Rasuro nossas cartas lacradas
Endereçadas aos nossos eus apaixonados
Devorados pelo fogo da madrugada

Rita Queiroz / 03.03.2017

Doutora em Filologia e Língua Portuguesa (USP). Mestre em Letras e Linguística e Graduada em Letras Vernáculas (UFBA). Professora Pleno da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Organizadora do livro Confraria poética feminina (poemas). Integrante da Plataforma Virtual do Mapa da Palavra 2016 (Fundação Cultural do Estado da Bahia - Funceb). Integra as seguintes coletâneas: Sarau Brasil (2016), Poesias sem fronteiras (2016), Prosa e verso (Oficina de criação literária - 8ª Feira do Livro – Festival Literário e Cultural de Feira de Santana-Ba – 2016), Poetize 2017: Concurso Nacional Novos Poetas (2017). Participação em saraus literários, premiação de poemas em concursos nacionais e locais, tais como: “Amor, paixão, loucura” da Editora Litteris (Rio de Janeiro) em primeiro lugar; “Pé de poesia” (Salvador); “Pão e poesia” (Blumenau – Santa Catarina). http://mapadapalavra.ba.gov.br/rita-queiroz/



sábado, 11 de março de 2017

Entrevista com Antonio Torres


Excelente entrevista realizada pelo jornalista Roberto D'ávila com o escritor e imortal Antonio Torres.


sexta-feira, 10 de março de 2017

Poema de Castro Alves


Adormecida

Ses longs cheveux épars Ia couvrent tout entière.
La croix de son collier repose dans sa main,
Comme pour témoigner qu'elle a fait sa prière,
Et qu'elle va Ia faire en s'éveillant demain.

(A. de Musset)
Uma noite, eu me lembro... Ela dormia
Numa rede encostada molemente...
Quase aberto o roupão... solto o cabelo
E o pé descalço do tapete rente.

'Stava aberta a janela. Um cheiro agreste
Exalavam as silvas da campina...
E ao longe, num pedaço do horizonte,
Via-se a noite plácida e divina.

De um jasmineiro os galhos encurvados,
Indiscretos entravam pela sala,
E de leve oscilando ao tom das auras,
Iam na face trêmulos — beijá-la.

Era um quadro celeste!... A cada afago
Mesmo em sonhos a moça estremecia...
Quando ela serenava... a flor beijava-a...
Quando ela ia beijar-lhe... a flor fugia...

Dir-se-ia que naquele doce instante
Brincavam duas cândidas crianças...
A brisa, que agitava as folhas verdes,
Fazia-lhe ondear as negras tranças!

E o ramo ora chegava ora afastava-se...
Mas quando a via despeitada a meio,
Pra não zangá-la... sacudia alegre
Uma chuva de pétalas no seio...

Eu, fitando esta cena, repetia
Naquela noite lânguida e sentida:
"Ó flor! - tu és a virgem das campinas!
"Virgem! - tu és a flor de minha vida!..."

CASTRO ALVES



quinta-feira, 9 de março de 2017

Poema de José Inácio Vieira de Melo



PEDRA SÓ - Poema de José Inácio Vieira de Melo, do livro "Pedra Só" (Escrituras Editora, 2012). Recitado por José Inácio Vieira de Melo. Ilustrações de Juraci Dórea. Músicas: JIVM, Uakti, Oliveira de Panelas & Téo Azevedo, Quinteto Armorial, Zabé da Loca. Edição de audio: Vandex. Edição de vídeo: Ricardo Bertol. Direção: Gabriel Gomes e José Inácio Vieira de Melo.


quarta-feira, 8 de março de 2017

As crônicas líricas de César Oliveira




Inventário

Não caminho sem avarias, mas não lamento. Não margeio perdas ou danos. Não cobiço sesmarias além daquelas da alma. Celebro as especiarias, os pratos elaborados, o maturi, a abóbora com leite, e as taças da embriaguez. Os abraços dados, em silêncio, ou comunhão; as palavras que confessei onde se confessava palavras, e muitos de mim habitaram.

Sou de melancolias e solidões, mas um amigo perdido me dilacera. Cometi vilanias - demasiado humano-, mas apanhei mais que o merecido. Tenho sérias reclamações a meu respeito, mas sou bom filho e pai. Toquei, por vezes, ah Deus, o inacessível chão, como milagre pessoal. Fiz-me, nem sempre por escolhas, mas, sim, por arrebatamentos. Ouvi música, como reza, e dancei imaginariamente o infinito baile dos corpos.

Não sei muitas coisas simples, que todo mundo sabe. Sou de rara inabilidade, mas tenho coração. Afirmo, com certeza, ainda que cambaleante. Sou de boas intenções, embora saiba que o inferno tem algumas minhas. Embriago-me com tanto da vida: cartas em papel; a roça com um verde virgem, quando chove; um ciclista que entrega flores, papel jornal, os textos que invejo não ter escrito, ruas de pedra, vestido de flores, vinhos de sobremesa.

Coleciono sinos dos lugares que vou, imaginando que dobram por mim; amo doces e sou perene com o de tomate. Quero as coisas certas, bem feitas, mas sem exageros doentios. Sou de sol, lua e neblinas. Peixes, do segundo decanato. Com ascendente em esperança. Sou.


César Oliveira – escritor, professor da UEFS e médico em Feira de Santana / BA. Já publicou poemas, crônicas e artigos em jornais e revistas.

http://www.tribunafeirense.com.br/coluna/14/1/cesar-oliveira


terça-feira, 7 de março de 2017

2 Feira do livro e da leitura de Sergipe 2017


https://www.facebook.com/II-FLISE-Feira-da-Leitura-e-do-Livro-de-Sergipe-464107057079573/


Contagem regressiva

Este é o momento
O segundo do sorriso
O minuto da lágrima
A hora da alegria
O dia da tristeza
A semana da busca
O mês do desencontro
O ano da verdade
A década da ilusão
O século da partilha
O milênio da comunhão.

Rinalda Lima – poeta e assistente social. Poema publicado na antologia “Aperitivo Poético”, Aracaju, 1998.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Poemas de Fabrício Oliveira


CANÇÃO II

Eu canto a angústia e a raiva vil
e renasço sob a Ágora da Lua
onde os abismos do verbo amar
devoram Anjos & Demônios.

Eu canto
para renascer entre sombras
e para mover-me nas entrelinhas
dos teus abismos - por onde inscrevo
cicatrizes e catáforas.

Eu canto as palavras
e as colinas
e os desvios plenos onde cruzam-se
santos e marginais - e entre o gozo
e o tormento - só ruínas e nada mais.

Eu canto para que a morte não ecoe
em meu dorso, e para que  o sol vil
não queime a minha velha infância
ou seque as águas do meu rio perene.

Eu canto a Bahia e a morte da poesia
que cai sobre o mundo feito um surto
de dor rompendo o meu íntimo, a morte.
Eu canto o meu sangue seco e as sequelas.



ÁGUAS DE MARÇO

Sou um louco que plasma
                                     e bebe
o incerto amor
                      para renascer
sobre as águas de março.

Entre o abismo
                         insano
e o distante olhar
habitam meus sinais.

Meus olhos contemplam
teus olhos
                  no horizonte,

e movem-se sobre as linhas
                       dos teus abismos
por onde inscrevo

minhas digitais.


BIOGRAFIA:
Fabrício Oliveira é poeta e pesquisador de letras. Nasceu em 1996 em Feira de Santana /BA, mas reside em Santo Estêvão / BA. Estudante do curso de Letras Vernáculas pela Universidade Estadual de Feira de Santana - UEFS.